sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Duas décadas de "Silent Hill"


1996 foi o melhor ano para gamers que adoram o género de terror, pois finalmente foi criado (ou, melhor, aperfeiçoado) o género survival horror, graças ao jogo Resident Evil - jogo esse que fez algumas game developers olhar para ele e pensarem “Nós também conseguimos!”. 

Após várias tentativas falhadas por muitos, em 1998 ainda chegou o Resident Evil 2, que muitos diziam ser ainda melhor que o primeiro. Em segredo, Konami tinha reunido poucos membros da sua equipa, que tinham trabalhado em vários projetos para a marca mas nunca tinham qualquer tipo de sucesso e a única coisa que queriam era deixar a empresa e partir para outros projetos e pediu-lhes que fizessem um jogo semelhante a Resident Evil, que fosse apelativo a audiências americanas e que tivesse um aspeto hollywoodesco. Claro que a pequena equipa decidiu fazer o oposto do que lhes foi pedido, visto que a companhia nunca aceitou as ideias dadas pelos membros, e os membros viram esta produção como uma oportunidade de mostrar aquilo que sempre quiseram fazer. Assim nasceu a agora desmantelada Team Silent, e com ela um dos jogos de terror mais conhecidos e mais estimados de sempre: Silent Hill


Admito que a primeira vez que peguei num Silent Hill não foi com a primeira entrada, mas sim com a sequela, Silent Hill 2 (Director’s Cut para a PlayStation 2, especificamente) - sequela essa que hoje aclamo como um dos melhores jogos de sempre e um dos meus jogos favoritos. Se não me engano, eu comprei o jogo em Setembro de 2017 e tive de retirar a consola que tinha desligada na caixa de propósito para o poder jogar, e foi, certamente, mesmo tendo mais de 15 anos, uma experiência única e desigual, algo que já não se via nos atuais jogos de terror. Depois de o acabar, decidi então começar a caça aos restantes jogos da série, o que não foi nada fácil, especialmente para o primeiro jogo, que agora fez vinte anos.


Tendo já jogado jogos da mesma altura – Metal Gear Solid, por exemplo – acho que o jogo não aguenta tão bem quanto na altura em que foi lançado. Claro que não é difícil de jogar, especialmente para mim pois tinha jogado o segundo jogo recentemente, onde a mecânica é exatamente a mesma, mas para alguém que vá jogar agora e não tenha muito interesse em jogos, ou tenha até problemas com o lento desenvolver da história – ou até com gráficos e controlos muito contidos -, será muito difícil pegar no comando e passá-lo até ao fim. Exemplo disso é a própria Joana. No entanto, após uma curta hora de jogo, a pessoa facilmente se começa a aperceber do que tem ou não de fazer e de que modo. 

Para um jogo que foi feito para rivalizar Resident Evil, fez muitas coisas boas mas também algumas deixam a questionar. Aviso já que, para quem vai jogar pela primeira vez, o jogo começa mal o disco acaba de fazer o boot na consola. Por isso, vejam a cutscene que começa antes do Title Screen, pois essa explica alguns acontecimentos que vão levar ao ponto em que o jogador começa o New Game. E, a partir daí, é só nevoeiro e imagens que parecem saídas da mente de David Lynch até mais não. 


O setting do jogo em conjunto com a banda sonora/efeitos sonoros complementam-se de uma maneira única e depressiva, fazendo o jogar sentir-se inteiramente abandonado num local que podia muito bem ser o inferno, e a história tem mistério suficiente até ao fim para nos deixar agarrados ao ecrã. E - a cereja no topo do bolo - o jogo tem vários finais diferentes, o que significa que o jogador pode experimentar jogar de outras formas diferentes de maneira a ter resultados diferentes, sendo óbvio que a primeira experiência, boa ou má, será sempre a mais memorável. Recomendo apenas que não se pesquise os vários finais existentes antes de completar o jogo, de maneira a torna a jogabilidade mais aberta e inesperada. 

O jogo tem vários locais onde se possa ir, mas o mapa não é grande o suficiente para o jogador se perder na cidade. E, de local a local, vai-se sempre encontrando puzzles que ajudam a progredir no jogo ou a ajudar a perceber a história que envolve o nevoeiro todo. É um lado bastante positivo a meu ver, pois torna a jogabilidade um bocado mais fácil, não sendo como no Resident Evil original, onde uma pessoa pode facilmente perder horas de jogo porque não sabe para onde ir ou o que pode fazer. Mas a desvantagem que Silent Hill tem para com a concorrência é que ao longo do jogo acaba-se por perder o sentido de sobrevivência, pois consegue-se encontrar armas ou munições por todos os locais da cidade, não sendo essas muito escassas. A acrescentar a isso, o jogador pode também correr livremente sem se deixar apanhar por criaturas e sem deixar a sua personagem cansada, o que retira ainda mais o terror da coisa.
A dobragem do jogo é, tendo em conta da altura em que foi lançada, bastante mediana, tendo vezes em que até pode ser horrível de se ouvir, e as pausas entre diálogos ajudam minimamente a deixar o jogador investido.


Finalizando, Silent Hill não é para todos, mesmo sendo considerado um dos melhores jogos algumas vez feitos. Um jogador que vá jogar isto pela primeira vez na sua vida pode facilmente colocá-lo de lado e nunca mais jogar, deixando-o mais para aqueles que sentem uma nostalgia pela franquia - pois esta, para esses, morreu em 2004. Mas, para os fãs de terror, penso que seja uma entrada obrigatória para todos, pelo menos para jogarem uma vez e perceberem a influência que este jogo teve desde o momento em que foi colocado nas lojas, pois já passaram vinte anos desde o seu lançamento e o seu legado ainda permanece. É pena que a Konami tenha feito %&$#?@! com o P.T. e muito provavelmente não iremos ter nenhum jogo novo – ou até mesmo um remake seria agradável - que faça justiça ao seu nome.
SOBRE O AUTOR

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

4 comentários:

  1. omg silent hill! tão 90's! ha anos que nao pensava neste jogo! top!

    cool blog! adorei e estou a seguir! gostava muito que me seguissem também!
    TheNotSoGirlyGirl // Instagram // Facebook

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    1. Obrigado por seguires!
      Tentarei fazer mais críticas deste género, para outros jogos retro que mereçam ser revisitados (ou jogos até recentes, dependendo da inspiração).
      Fica por aqui até lá!

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