quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Numa carrinha azul em “Capitão Fantástico”

No passado fim-de-semana, passou em canal aberto um filme que eu considero ser um dos meus favoritos. Então, claro, tive de o rever, até porque apenas o tinha visto na altura em que estreou e sei que achei que era um filme especial, mas o que me lembrava acerca dele já era um tanto vago. 

O filme de que vou falar chama-se Capitão Fantástico (2016) e logo pelo nome dá-nos uma certa ideia do que poderá ser, mas todas as ideias que possamos ter são absolutamente erradas, especialmente se apenas tivemos contacto com este filme através do nome, sem ter visto imagens, trailers ou a sinopse. Não, não é um filme de super-heróis (se foi essa a ideia que vos veio à mente), apesar de o nome conseguir adaptar-se a isso também. É um filme bastante natural; e, de facto, “natural” é a palavra ideal para o descrever. 


A trama acompanha uma família, composta por um pai, Ben, e os seus seis filhos, que vivem em contacto com a natureza e longe da civilização. Os problemas começam quando Ben recebe a notícia da morte da sua mulher (que se suicidou, depois de um longo período hospitalizada e longe da família) e ao dirigirem-se à cidade com o intuito de “salvar a mãe” de ser enterrada (pois ela queria ser cremada, como deixou explícito no seu testamento), são impedidos de ir ao funeral. Logo de seguida, Ben é ameaçado pelos avós maternos das crianças de que estas lhe podem ser retiradas, pois vivem em más condições e aprendem coisas que não deviam (como, por exemplo, roubar). 

Não querendo estragar aqui a experiência para quem não viu o filme, vou tentar evitar contar grandes spoilers. Mas para começar, posso já dizer que Capitão Fantástico apresenta uma cinematografia incrível, prestações excelentes e uma história coerente, que nos deixa apaixonados logo a partir dos primeiros minutos. E só isto já são motivos suficientes para o ver!

Para mim, o mais interessante é o facto de o filme ser diferente e conseguir explorar várias naturezas e modos de vida. Coloca a par uma vida moderna, “civilizada” (entre aspas, pois quero que se foquem no pré-conceito), ligada às tecnologias, com associações, serviços, empregos, etc – basicamente, a vida que todos os que vão ler isto levam. Por outro lado, temos aquela família que vive rodeada pela natureza, que consegue os seus próprios recursos, caça, pesca, cria animais, lê grandes clássicos, dança à volta da fogueira; de um certo modo, parece ter parado no tempo. O importante é que o filme mostra estes dois lados, mas tenta compreender ambos, não os tornando rivais e não deixando explícito que é melhor viver de uma maneira ou de outra - ainda que nos apresente os dois pontos de vista. 


Capitão Fantástico mostra que o que é realmente importante é sermos nós próprios, seguirmos os nossos sonhos e tentarmos fazer as coisas à nossa maneira; mostra que existem maneiras diferentes de fazer as coisas e que essas maneiras podem ser corretas mesmo que sejam distintas. Ainda assim, o filme questiona aspetos importantes das nossas vidas, como, por exemplo, os modelos de ensino que achamos corretos. 

Claramente um tema recorrente neste filme são os modos de ensino. A família aprende através de uma educação dada por Ben, que basicamente dá aulas em casa aos filhos. No entanto, todos eles são bastante inteligentes e sabem coisas que nem os primos aprenderam na escola – como é visível numa cena do filme. Para além disso, julgar-se-ia que alguém que vive tão afastado da sociedade nunca seria capaz de ter conhecimentos suficientes para entrar numa faculdade, por exemplo. Mas um dos rapazes mostra precisamente o contrário, ao ser aceite em todas as faculdades em que se inscreveu! Ou seja, algo que tem de tudo para falhar (um homem que vive no meio da floresta com os filhos e que lhes ensina coisas), acaba por dar frutos e tornar-se melhor do que algo que achamos que funciona bem: o método de ensino das escolas. É que Ben consegue dar experiências aos filhos enquanto estes aprendem, mas nas escolas apenas há o objetivo de ensinar, sem que muitas vezes as crianças (adolescentes e adultos também, vá) compreendam ou estejam motivadas para aprender (e apreender). 


Se, por algum motivo, no início do filme estranhamos esta família, depois começamos a compreender os motivos pelos quais querem viver afastados, percebemos as suas crenças e o modo de vida. E, então, começamos a apoiar a viagem com o intuito de “salvar a mãe”. 

No final, é como beber Coca-Cola pela primeira vez: primeiro estranha-se (neste caso, achamos que eles são uma família de malucos), depois entranha-se. E Capitão Fantástico torna-se numa viagem incrível pelo meio da natureza a bordo de uma carrinha azul-esverdeada, com uma família com rituais diferentes dos nossos e que ainda assim conseguimos compreender.
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações. Vi na criação deste espaço o local ideal para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto.

7 comentários:

  1. Confesso que desconhecia o filme por completo, mas fiquei fascinada com o seu conceito! Já o vou adicionar à minha lista :)

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  2. Acredito :)

    Fiquei curioso :D

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    InstagramFacebook Official PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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  3. Vi o Capitão Fantástico, mas não do princípio ao fim e, gostei do que vi!

    Tenha uma boa noite Joana Grilo.

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  4. Não conhecia este filme, mas depois desta review, já está na minha lista :)

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  5. Também vi, adorei o filme.
    Não há como não gostar daquela família.

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