sábado, 23 de fevereiro de 2019

"Se Esta Rua Falasse" em análise

Estamos em véspera dos Óscares e ainda havia um filme que queríamos obrigatoriamente ver antes da grande noite: Se Esta Rua Falasse, do realizador de Moonlight, Barry Jenkins, destacado pela Academia há dois anos. 

Baseado na obra literária com o mesmo nome escrita por James Baldwin, a narrativa leva-nos para um bairro em Harlem, no início dos anos setenta. Através dos olhos da jovem Tish Rivers, somos apresentados a uma história sobre o vínculo inquebrável de um casal, mas também acerca do lado fortalecedor de uma família afro-americana. 


Tish é filha e futura esposa e recorda o início da sua relação com Alonzo: os princípios da paixão, respeito e confiança que a ligaram ao seu noivo, que é também um grande artista, conhecido como Fonny. Amigos desde infância, o apaixonado casal sonha com um futuro lado a lado, mas os seus planos vão por água abaixo quando Fonny é injustamente preso por um crime que não cometeu. 

Logo desde os primeiros momentos é notável a sensibilidade deste filme, que conta com momentos bastante emocionais e dramáticos. É curioso que através do próprio olhar, os atores foram capazes de transmitir inúmeras sensações. 


Um dos temas principais é, claro, o racismo, mas o filme não o introduz de um modo forçado. É tudo bastante natural e coerente, de modo a refletir sobre este problema. Para aumentar o impacto, existem algumas fotografias reais a aparecer de vez em quando em tela, de modo a alertar que pouco ali é fictício. 

Ainda que de uma maneira mais subtil, também a religião é um tema que vem ao de cima, de um modo um pouco crítico, que também pretende levar à reflexão de quem segue alguma religião. 

O filme conta com um argumento muito bem escrito, mas, para além disso, também a cinematografia e fotografia merecem destaque, pois mesmo em momentos sem diálogos ficamos hipnotizados pela beleza do filme. 


Para terminar, é necessário falar dos atores. Os dois protagonistas são quem conduz a história e os que têm um maior tempo de antena, ainda assim não fazem sombra aos atores secundários, que têm momentos incríveis (cada um deles, até quem tem papéis de menos importância) para brilhar. 

Apesar de o filme contar com apenas três nomeações nos Óscares, é muito provável que vença em, pelo menos, uma das categorias: a de Melhor Atriz Secundária, pois Regina King, que interpreta a mãe de Tish, está absolutamente incrível.
8/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

5 comentários:

  1. Fiquei rendida assim que ouvi falar deste filme pela primeira vez. Ainda não tive oportunidade de o ver, mas tenho que tratar disso. Sinto que vou adorar *-*

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  2. Eu não conhecia, primeira vez que vejo esse filme. Já quero assistir! <3
    https://www.nicenessbeauty.com

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  3. Ainda não vi este filme, mas parece-me que iria gostar muito. É o meu género!!
    r: Muito obrigada, boa semana :)

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