segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Uma carta de amor a "The Room"

O Dia dos Namorados está quase a chegar, por isso decidimos revisitar, possivelmente, um dos melhores filmes para ver nesse dia, seja para casais ou para solteiros - filme esse que ajudou os dois criadores deste blogue a verem-se pela primeira vez!


Foi aqui onde tudo começou. Foi aqui que sonhos se começaram a tornar realidade para dois grandes amigos, Tommy Wiseau e Greg Sestero, que já não tinham muitos esperanças em relação ao que iam fazer da sua vida, pois sentiam-se aparte do mundo. Ambos tinham o sonho de trabalhar no mundo do cinema, como atores, mas a oportunidade nunca lhes surgiu… Até que um deles decide financiar um projeto; projeto esse que, para além de produzir, também escreveu o argumento, realizou, contracena, e muitas outras funções que ele deve ter mantido escondidas do público, levando muitos a acreditar que a história do filme era pessoal e não fictícia – pela maneira que este queria as coisas, pelo menos -, e o outro apenas iria contracenar com ele, no papel secundário. Esse filme é hoje conhecido por: The Room, o Citizen Kane dos piores filmes de sempre!


Como é que se ouve simplesmente alguém a falar de um filme destes, pensam vocês, tendo em conta que é um filme que é mau em todos os aspetos? É fácil. Como qualquer filme de culto, o nome começa simplesmente a surgir ao de cima. Seja por causa de memes, ou eventos cinéfilos, ou apenas críticas que simplesmente nos surgem à frente e nos deixam intrigados o suficiente para ir pesquisar e ver que raio de filme seria este que toda a gente de um momento para o outro começou a falar. E, para muitos desses que o fizeram (eu inclusive) foi a melhor descoberta de sempre! Quem diria que um filme que se leva 100% a sério podia ser uma das melhores comédias alguma vez concebidas pelo ser humano, sendo até capaz de curar constipações (facto verídico, já vi tal acontecer)? 

The Room acaba por ser uma das experiencias mais mágicas que uma pessoa pode ter, seja com amigos ou numa sala de cinema completamente cheia de aficionados pelo trabalho feito por Tommy Wiseau, preparados para atirar cinquenta mil colheres de plástico para o ecrã sempre que aparece uma num frame, ou para acender a lanterna do telemóvel ou do isqueiro sempre que surge uma cena íntima nas escadas de estilo caracol ou na cama ao som de “You Are My Rose”, ou para dizer, literalmente, quase todas as falas que saem da boca de Johnny (o protagonista), atirando até a sua bola de rugby pela sala inteira… É esta a magia que The Room acabou por criar nas salas de cinema de todo o mundo e a influência que este tem tido desde 2003!

Foto tirada numa sessão em Lisboa do filme em 2017, com presença do ator Greg Sestero

Como consegue fazer uma audiência inteira isso? Porquê? Tal como disse em cima, todos os aspetos do filme, seja a nível de realização, história, edição, interpretações e até a própria banda sonora são hilariantes e únicos, pois é provável que nunca se tenha visto atrocidades como aquelas, só para não falar do escândalo de produção que o filme teve e os seis milhões que este custou para se fazer! O filme tem tudo para ser horrível e desprezado por toda a gente (e quando digo “tudo” é mesmo tudo!) mas há qualquer coisa… Qualquer coisa que foi criada ali que faz com que uma pessoa volte a vê-lo vezes e vezes sem conta e do nada percebe que no seu dia-a-dia já começa a dizer aleatoriamente frases do filme – da mesma maneira que tão facilmente aparecem personagens aleatórias e desconhecidas no filme. 


Eu não tenho mais nada a dizer, pois fui bem explicito quando disse – tal como toda a gente – que o filme é excremento, em todo o sentido da palavra. Mas é uma merda bem cheirosa que permanecerá naqueles aficionados que, principalmente, conseguem apreciar mau cinema, pois às vezes é preciso apreciar mau cinema para se poder apreciar o bom. 

E, já agora, deixo uma dica para aqueles que sobreviverem até ao fim do filme: James Franco em 2017 lançou um filme baseado no livro de Greg Sestero onde mostra de maneira cómica a produção do filme, e, ao contrário do filme que está a homenagear, é realmente bom, o que até levou James Franco a ganhar um Globo de Ouro em 2018, levando Wiseau com ele ao palco e tudo! Mas não o vejam antes de ver o The Room, porque depois acaba por perder alguma piada. O filme chama-se The Disaster Artist, e fiquem até ao fim dos créditos, por favor!
SOBRE O AUTOR

Apreciador, e colecionador, de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man de Sam Raimi.

5 comentários:

  1. Que engraçado! Fiquei curiosa, já apontei para ir ver!!!

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    1. Por ser tão mau, tornou-se num verdadeiro filme de culto! 😜

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  2. Já ouvi falar imenso deste filme, mas nunca o vi! Tenho que mudar isso :)

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    1. Tens mesmo de ver, para perceberes porque falam tanto dele! 😆

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  3. Olá :D
    Ehehe sério?! Mas sendo assim é ótimo :D Ao menos já descobriste a solução :P

    Nunca ouvi falar, mas parece-me bem interessante :D

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