sábado, 16 de março de 2019

"Dragon Ball Super: Broly" em análise

Hallelujah! Foi precisa muita pachorra e paciência para que este dia chegasse, e finalmente chegou! Portugal teve direito a um lançamento recente de um filme de Dragon Ball! E, ainda por cima, daquele que dizem ser o melhor filme da franquia de sempre!


Dragon Ball Super Broly é totalmente escrito por Akira Toriyama, tal como os antecessores Battle of Gods e Ressurrection 'F', e o seu estilo de comédia a que nos habituou está continuamente presente na narrativa. Este ainda revisitou as histórias originais de Broly e de Bardock - ou o princípio do fim dos Super Saiyan -, contando-as de uma maneira diferente. Por exemplo, os pais Saiyan são conhecidos por não quererem saber minimamente dos filhos, algo demonstrado por Bardock no seu especial, mas neste filme já se vê algum afeto tanto por parte dele como do Rei Vegeta e Paragus. Paragus e Broly foram também reescritos, mas o propósito deste último foi elevado muito mais do que na  sua primeira aparição, tornando a personagem de Broly muito mais realizada e humana que apenas um monstro violento. Isso também torna a história mais fresca, dando tempo para demonstrar cada personagem, fazendo com que nos preocupemos com as mesmas, sejam vilãs ou heroícas, e deixando-nos curiosos para ver o que vão fazer a seguir, dando uma espécie de vantagem para aqueles que nunca viram nada de Dragon Ball, pois conta uma narrativa do início ao fim, com personagens a sério, não dependendo apenas do material já presente do manga ou anime – o que os poderá deixar curiosos e levar a apanhar tudo até ao momento -, enquanto todos os filmes anteriores a este eram muito dependentes do material que o antecedia. Assim dizendo, o pacing pode ser um pouco mais lento do que na maior parte dos outros filmes de Dragon Ball, pois este está determinado a mostrar e a distinguir as motivações de cada personagem antes que o clímax comece, dando-lhes mais carisma. E, depois de todo esse build-up, e assim que a ação começa, a paciência é inteiramente recompensada!


A animação foi criada quase do zero, não utilizando os desenhos nítidos com detalhes cristalinos e usando uma animação mais crua e semelhante às origens da série, algo que foi muito bem-vindo. Entre essa animação há também algumas cenas em CG de maneira a conseguir utilizar movimentos de câmara mais fluídos, rápidos e dinâmicos, e estas, no grande ecrã, complementam-se na perfeição – mesmo que se note em breves instantes que o tipo de animação se altera -, não fazendo com que o espectador seja distraído. Mas, no ecrã de computador ou da televisão, já é possível ver uma espécie de degrade na animação CG. E a animação durante as cenas de ação é das melhores que alguma vez se viu na série, onde todas as personagens de destacam incrivelmente na sua demonstração de poder supremo, principalmente Broly, que é, de longe, a maior estrela. Elas são tão rápidas e viscerais que muitas vezes se perde noção do que está a acontecer à nossa frente, mas deixam a pedir mais e mais, sem nunca cansar. E o mais incrível é que a maior parte da animação foi desenhada à mão, sendo anos luz melhor que a maior de Super.  Para um realizador que nunca tinha tocado em nada relacionado com a série até agora, este esmerou-se a sério para deixar a maior marca possível e acabou por nos dar material que será recordado como dos melhores momentos de Dragon Ball de sempre, onde cada momento é mais intenso que o anterior!


Admito que vi o filme dobrado em inglês e em português, e estou ansioso por ver com a dobragem japonesa. A dobragem inglesa continua a ser das melhores dobragens que a série tem, por isso não tenho nada a dizer sobre ela. Mas a portuguesa é que está a ser questionada e censurada por muitas fãs em Portugal, pois já não tem as vozes estimadas de Henrique Feist e Ricardo Spínola, que faziam as vozes de Goku e Freeza respetivamente. Miguel Raposo, que vem substituir Feist, até não fez um mau trabalho e, após alguns minutos de filme, foi fácil habituar-me à voz dele incorporada no corpo do herói com que muitos de nós cresceram, e igualmente com Tomás Alves, que fez o seu melhor ao tentar imitar ao máximo o estilo de Spínola. Não posso deixar de dar um grande aplauso a Cristina Cavalinhos e ao João Loy - especialmente a este último pois este foi o seu adeus à personagem Vegeta -, por fazerem o bom trabalho que sempre souberam fazer, continuando a caracterizar as suas personagens com trocadilhos nacionais que só eles o sabem fazer.


Também bastante destacável neste filme é a banda sonora, algo que quase todos os outros filmes da série nunca se interessavam em pontuar. É energética, brutal, estrondosa, e emocional, e eleva a narrativa a muitos pontos altíssimos. O próprio tema do filme tem todas as notas necessárias para deixar alguém com os pêlos em pé, e quando esta utiliza o coro em sua vantagem torna-se imensamente poderosa. Destaco ainda a maneira como às vezes apontava o nome das personagens, como se estivesse a anunciar os lutadores num combate de ringue ou os jogadores que acabamos de selecionar num jogo de luta de arcade, de uma maneira exorbitante e que deixa qualquer um empolgado. 


Dragon Ball Super Broly tem de tudo o que os fãs de Dragon Ball podem pedir. Tem momentos onde a ação atinge magnitudes inalcançáveis até ao momento na série toda, acompanhada por uma banda sonora brutalíssima, deixando qualquer um a suar das mãos, e momentos simples onde vemos a nossas personagens favoritas a interagirem, comicamente ou não, umas entre as outras, prolongando a narrativa. E isso também pode levar a cinéfilos casuais a ter algum gosto pelo filme. E é isso que torna, de certa forma, Broly um filme diferente dos outros filmes da franquia, pois dá entretenimento não só à audiência nova como à velha. O que quer dizer que houve um esforço enorme ao ponto de se criar uma narrativa importante o suficiente para levar todos a ver o filme. 

Dragon Ball Super Broly é, assim, o melhor filme de Dragon Ball de sempre, e um que aconselho vivamente a ver no grande ecrã, principalmente agora que nós, portugueses, temos oportunidade para tal.
9/10  
SOBRE O AUTOR

Apreciador, e colecionador, de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man de Sam Raimi.

4 comentários:

  1. Boa noite, Diogo! Análise muito fixe! Já vi a versão inglesa na Internet há uns tempos, mas vou este fim de semana ver a versão portuguesa aos cinemas. Abraço!

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    1. Acho que fazes muito bem em ver a versão dobrada... Ela está a ser boicotada desnecessariamente!

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  2. Tenha um delicioso fim de semana, junto de todos aqueles que te roubam um sorriso 😃Beijo grande!

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