domingo, 10 de março de 2019

“Dragon Ball: Uma Batalha Ardente” a rebobinar

Parece que Portugal, a pedido dos milhares de fãs, está a dar um grande empurrão a uma das franquias de anime ou mangá mais amadas de todos os tempos, que surgiu num tempo em que apenas se via Heidi, Marco, Bana e Flapi, Jackie e Jill, Tom Sawyer, Conan, o Rapaz do Futuro - apenas uns poucos para se ter uma ideia -, anime esse que impulsionou uma grande vaga de animações do género para o nosso país: Dragon Ball

E, com empurrão, quero dizer, de certa forma, revitalizar, pois não só os direitos passaram da SIC, canal onde estávamos todos habituados a ver e rever as aventuras do massivo e divertido elenco, para o Panda Biggs, como vamos ter, pela primeira vez desde há quase vinte anos (o que é Dragon Ball Evolution?), uma longa de Dragon Ball no grande ecrã! Sim, uma franquia mais velha que os próprios escritores deste blogue, demorou este tempo todo e inúmeras petições e cordelinhos para ter um filme no cinema!


Por mais difícil que seja para nós fãs deixar passar os dois últimos filmes do Dragon Ball a serem lançados pois não foram sequer pensados em ser lançados cá, nomeadamente Battle of Gods e Ressurrection 'F', mal a noticia surgiu que o mais recente filme teria um dos maiores antagonistas da série, Broly, petições começaram a aparecer a torto e a direito, e, aparentemente, chamou a atenção à distribuidora que, agora, nos dará a oportunidade de ver o filme na sua glória cinemática e não no pequeno ecrã da televisão. 

Mas que tem Broly de tão especial para levar os fãs a criar petições que tiveram milhares de assinaturas para poderem ver o filme nos cinemas de cá? Primeiro porque, como fãs de Dragon Ball, achavam-se desvalorizados por não trazerem a maior parte da media da série para estas bandas, especialmente tendo em conta a grande vaga que este teve nos anos 90, onde até tivemos um jogo para a Sega Saturn que era apenas exclusivo para quatro países, sendo Portugal um deles.
Segundo… É o raio do Broly, o Lendário Super Saiyan, o sacana imparável que destrói tudo aquilo em que põe a vista desde que esteja para ai virado! 


O Broly chamou à atenção após ter a sua estreia neste filme que hoje vamos rebobinar, Uma Batalha Ardente, ou A Força Suprema – título que já se viu em lançamentos em DVD ou VHS da longa (no entanto, ambos melhores que o título original: Burn Up!! A Close Fight - A Violent Fight - A Super Fierce Fight) – e, para os mais novos a ler esta análise, este não era um filme incrivelmente fácil de ver. Na altura era preciso ter a sorte e rezar para poder apanhar os filmes na televisão pois, muito raramente, a SIC transmitia seja qual fosse o filme de Dragon Ball, e apanhar um em específico era extremamente complicado… Ou então simplesmente tinham a vantagem de ter um amigo que comprava mensalmente as cassetes da série, facilitando ao máximo a vida aos seguidores da série. Tenho até relatos nostálgicos de um amigo que chegou a fazer um download que durou dois dias só para ver este filme em específico, com qualidade manhosa, em japonês e legendado em brasileiro! Era este tipo de dificuldades que os fãs de Dragon Ball tinham de ultrapassar para estar a par de tudo o que saía da mítica franquia. E valia bem a pena o esforço! 

Agora, com as introduções todas fora do caminho, vamos ao que interessa: falar do filme em si! E, aviso já que não valerá de muito ver este filme sem ter qualquer conhecimento dos acontecimentos da série, pois poderá ficar um pouco à nora. 


Passando-se entre os episódios 176 e 177 da série Dragon Ball Z, Uma Batalha Ardente começa com a destruição total da galáxia do sul por motivos desconhecidos e, logo depois, na Terra aparece Paragus, outro ser da espécie quase extinta dos Guerreiros do Espaço, que se dirige a Vegeta, clamando-o Rei e pedindo-lhe que governe o novo Planeta Vegeta e que o ajude a destruir o Guerreiro do Espaço Lendário. Vegeta aceita a proposta e Gohan, Trunks (do futuro), Krillin e Tartaruga Genial vão atrás dele. Enquanto isso, o Kai do Norte pede auxilio ao Son Goku pois teme que a destruição da galáxia do sul não tenha sido apenas por mero acaso e receia que aconteça o mesmo à sua, pedindo-lhe que encontre e destrua a fonte maligna que tinha feito tal façanha. 

O filme é muito diferente dos outros sete anteriores, não só pelo facto de ter mais de uma hora de duração, mas também por ter uma narrativa contínua que preenche ainda espaços desconhecidos do passado das personagens Goku e Vegeta, que até estes não conheciam. As outras personagens heróicas no filme, como Gohan e Trunks, não acabam por ser afetados ou evoluem conforme a narrativa, pois esta está mais focada nos heróis principais, e, mesmo assim, chega a uma altura em que o Vegeta chega a ser irritante ao ponto de apenas não fazer nada durante grande parte do terceiro ato, e quando decide fazer algo de maneira a ter o seu momento de fama rapidamente volta a ficar de parte. Goku, claro, está muito tempo no estrelato, mas até mesmo até mesmo ao fim do filme nada disso se sentiu muito forçado pois este nunca tentou enfrentar o mal sozinho senão quando necessário. 


Mas, honestamente, o que de melhor há para destacar no vasto elenco são os vilões da longa: Paragus e Broly. Sim, o Broly pode ter uma das razões mais idiotas, apesar de fora do comum, para odiar o Cachalote, mas isso é compensado pela sua presença arrebatadora e poderosa, pois quando o vemos pela primeira vez ele apenas parece um “magricelas” – disse a namorada -, mas assim que ele perde o controlo e se transforma no Saiyan mais poderoso que os fãs de Dragon Ball já viram, um simples olhar é o suficiente para deixar alguém encolhido. Na personagem de Paragus temos um certo oposto a Broly no que diz respeito a força e motivo, pois, apesar de não vermos nele um espetáculo e demonstração de poder, nele sentimos o seu ódio e vontade de vingança pelo que aconteceu a ele e à sua única família, o seu filho, de maneira a podermos simpatizar com ele, compreendendo-o acima de tudo. Fico alegre que, apesar de nada deste filme ser canon para a história, elementos da mesma tenham sido reutilizados e explorados no novo filme do Broly pelo Toriyama, o que demonstra o quão tão bem criadas foram estas duas personagens. 

A animação continua a ser a suja e crua, tal como a que nos habituamos desde o início das aventuras de Son Goku, apesar de estar visivelmente um pouco mais retocada devido a ter um orçamento maior que um mero episódio da série, e a banda sonora consegue facilmente transmitir tanto desespero como paz e tranquilidade, apesar de que entre transições de cenas não parecem soar bem por serem muito repentinas. Também penso que o filme sofra um bocadinho com a sua duração. Apesar de ter apenas cerca de setenta minutos, o filme sente-se apenas como um longo episódio, e ver os nossos heróis repetidamente a levar porrada do Broly, enquanto este continua imune, começa a ser um bocado cansativo, o que faz com que não deixe com muito vontade de voltar a ver o filme ocasionalmente. 


Broly merece por completo todo o respeito e conhecimento que tem tido ao longo dos anos, e a prova como este filme o mitificou é prova disso. Seja pelas suas grandes cenas de ação bem coreografadas ou pelos seus carismáticos vilões, Uma Batalha Ardente tem de tudo o que um verdadeiro fã de Dragon Ball sabe apreciar. De certa forma pessoas que nunca viram nada da série até são bem vindas a ver o filme pois poderá servir como uma espécie de motivação impulsionadora que as levará possivelmente a começar a seguir a série desde o princípio, de maneira a que percebam melhor de onde vêm estas personagens que já são adotadas universalmente há mais de trinta anos.
SOBRE O AUTOR

Apreciador, e colecionador, de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man de Sam Raimi.

6 comentários:

  1. Diogo, gostei bastante de ler esta tua análise repleta de nostalgia e de conhecer melhor esta personagem de DragonBall. Sinceramente, achava que a sua apresentação ia ser no filme que estreia esta semana, então já fiquei a aprender um pouco hoje. Vou passar a visitar este espaço com mais frequência, pois gostei do que li. Continuem com o bom trabalho!

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    1. Wow, até me emocionei a ler este elogio! Obrigado, e tentarei fazer conteúdo como este mais vezes!

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  2. É rose Gold!!! é lindo, lindo :3

    heissssh! parece que recuei no tempo. Que saudades!

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    InstagramFacebook Official PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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  3. O que eu adorava ver a Heidi e o Marco...já o Dragon Ball nem por isso.





    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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    1. São gostos! Eu cá via de tudo, inclusive todos aqueles que mencionei!

      Diogo Correia

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