segunda-feira, 11 de março de 2019

"Na Fronteira" (Gräns) em análise

Muitas vezes sentimo-nos atraídos pelo bizarro e foi isso que senti quando tomei conhecimento deste filme, depois de ser nomeado a uma das categorias dos Óscares, para Melhor Maquilhagem e Cabelo. Não posso negar: fiquei curiosa em saber qual era o tema deste filme, mas ao mesmo tempo senti uma certa vontade de o ver às cegas e de o descobrir sozinha, sem conhecimento prévio. Então, foi o que fiz. E Na Fronteira agarrou-me logo desde início, mas de um modo que não consigo explicar. 

Este é um drama sueco que dificilmente pode ser restringido apenas a essa categoria, pois temos imensos traços de fantasia, romance, suspense e terror, ainda com alguns momentos de humor nórdico à mistura. 


O filme apresenta-nos Tina, uma pessoa com características diferentes, que a tornam única. Esta trabalha como agente de fiscalização na fronteira e recorre ao seu olfato apuradíssimo para detetar ilegalidades. Certo dia, Vore passa pela fiscalização e atrai os olhares de Tina, por ser tão diferente quanto ela. E é aí que tudo começa… 

A trama explora os nossos cinco sentidos de um modo perfeito. A visão, transmitida pelos olhares das personagens, o olfato, mostrado especialmente através de Tina, o tato, derivado do toque entre as personagens e da relação destas com a natureza, a audição, também bastante apurada nos protagonistas, e o paladar são apresentados de um modo excêntrico, mas genuíno, o que nos ajuda a sentir o que as próprias personagens sentem – o que, sem dúvida, é um pouco sinistro. 

A história é apresentada de um modo lento ao início, mas no segundo ato começa a desenrolar-se com uma maior rapidez, para no terceiro ato atingir o seu clímax de estranheza. Tudo aqui é apresentado de um modo coerente, mas não deixa de ser bizarro, muitas vezes tocando no erotismo. O curioso é que um dos temas abordados no filme envolve um assunto tabu e chocante, que parece muito afastado do conceito inicial da trama, mas que acaba por ter todas as conexões necessárias para ficar bem encaixado. 


No final de Gräns, não sabemos bem o que sentir, pois sabemos que todo este filme é arriscado, por tudo o que vai apresentando. É singular, algumas vezes nojento e agressivo para o olhar. Ainda assim, tem também momentos que nos levam a criar uma enorme empatia com a personagem principal. E, para além disso, consegue ainda abordar temas como a solidão e o preconceito. Talvez o único problema tenha sido mesmo o filme querer ser mais do que consegue ser, pois por vezes dá uma sensação de exagero. Mesmo assim, é um daqueles filmes que ficam na memória, seja pela excelente caracterização em conjunto com grandes prestações, ou pela estranheza que provoca.

7/10 ⭐
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

4 comentários:

  1. Confesso que não conhecia mas, pela tua descrição, parece-me ser um filme bem diferente do habitual! Fiquei curiosa pelo caráter bizarro!

    Um beijinho,
    MESSY GAZING

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    1. Se gostas de filmes bizarros, então recomendo-te mesmo este! 😄

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  2. Desconhecia a existência deste filme, mas fiquei mesmo curiosa! A premissa chamou-me à atenção e, atendendo à tua crítica, sinto que tem tudo para me agarrar ao ecrã :)

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    1. Recomendo-te a ires ver sem saberes nada sobre o filme! Tentei não revelar muito aqui na análise precisamente pelo fator-surpresa! 😃

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