segunda-feira, 1 de abril de 2019

"Capitão Morten e a Rainha das Aranhas" em análise

Sábado foi um dia forte de competições na MONSTRA, que se iniciou com Tito e os Pássaros e que à tarde apresentou Capitão Morten e a Rainha das Aranhas, de Kaspar Jancis, um filme que já tinha sido falado na edição do festival do ano passado - inclusive foram mostrados quinze minutos em primeira mão. 


Este foi um filme que me chamou logo à atenção por recorrer à técnica de marionetas e do stop motion. No entanto, logo desde início foi notável a existência de vários problemas, a começar, precisamente, pelo movimento das personagens. O stop motion requer uma certa rapidez e o máximo de naturalidade nos movimentos, mas neste filme era tudo muito lento e com gestos pouco equilibrados. Para piorar, muitas sequências estão desfocadas nas personagens, o que é um erro grave. 

A história é muito básica: a trama apresenta-nos Morten, um rapaz que faz algumas engenhocas e cria um barco onde coloca insetos. Certo dia, Morten fica pequeno e conhece os insetos que tinha no barco e percebe que alguns são maus. Basicamente, é isso e o filme deita fora as oportunidades que tinha de fazer algo diferente. Aliás, os melhores momentos do filme são aqueles de interação entre Morten e o pai e duram pouquíssimo tempo, porque por algum motivo decidiram que os insetos eram mais interessantes, apesar de aparecerem completamente fora de contexto e de um modo demasiado forçado. 


Vou ser sincera, fiquei rapidamente sem vontade de continuar a ver este filme, pois muita coisa estava a parecer-me mal, a começar pelos diálogos péssimos (como, por exemplo, personagens a gritar que outra personagem é má quando isso já era demasiado óbvio). Mas algo que me chateou (mesmo muito!) foi a aparência das personagens… Ora, vejamos, o filme é claramente criado para as crianças, pois tem conteúdo demasiado infantil para entreter os adultos. No entanto, as personagens são horríveis e assustadoras, especialmente a Rainha das Aranhas, que é tão feia que até dói. É suposto os maus parecerem maus, eu sei, mas aqui foi demasiado e tudo ficou apenas creepy

No final, o filme não transmite nenhuma mensagem e ficamos a sentir que foi apenas um filme que alguém decidiu fazer para tentar explorar as técnicas de stop motion. É uma pena…

5/10 ⭐
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações. Vi na criação deste espaço o local ideal para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto.

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