domingo, 7 de abril de 2019

"Diamantino" em análise

Em semana de grandes estreias, foi um filme português que mais nos chamou à atenção para uma sessão a um sábado à tarde. Diamantino! Logo na primeira vez que lemos este nome em publicidades ficámos com a pulguita atrás da orelha e lá caímos na tentação de ir descobrir quem é este jogador de futebol de brinco na orelha. 

Realizado por Gabriel Abrantes (realizador que já conhecíamos por termos apanhado uma curta-metragem sua intitulada Freud Und Friends a passar uma vez na televisão – e nunca esqueceremos essa curta!) e Daniel Schmidt, esta é a primeira longa-metragem com mão desta dupla. Apresentam-nos Diamantino, um verdadeiro deus do futebol que, certo dia, percebe que existe muito mais para além dos relvados. 


Este filme é um verdadeiro diamante em bruto, cheio de humor e muito nonsense. E é no meio de tantas coisas absurdas que aborda temas como a homossexualidade, a crise dos refugiados, a história de Portugal, política, experiências genéticas, sempre com espaço para muitos "cachorrinhos felpudinhos". 

Numa altura de Brexit no Reino Unido, este filme soube pegar nesse fenómeno e trazê-lo para Portugal, indo buscar a figura de D. Sebastião (a salvação nacional que ainda está por voltar!) e tornando-o num defensor da criação de uma muralha para separar Portugal do resto do mundo. Ao longo do filme temos imagens completamente absurdas, mas percebe-se perfeitamente que tudo foi pensado ao pormenor e muitas cenas pretendem “desmitificar” ícones da cultura portuguesa. 


Claro que o centro de todas as atenções do filme é Diamantino, interpretado por Carloto Cotta, o jogador de futebol que em tudo se assemelha a Cristiano Ronaldo, que tem um forte sotaque das ilhas (o mais engraçado é que o seu pai não tem), mas que não é muito dotado da cabeça, sendo até demasiado infantil e muito inocente, ao ponto de as irmãs lhe roubarem todo o dinheiro sem ele dar por isso. Grande parte do humor do filme é devido às atitudes de Diamantino, à sua ingenuidade e às narrações hilariantes que este vai fazendo. De um certo modo, e por estranho que isso possa parecer, este Diamantino transpira carisma e ternura e consegue logo conquistar-nos a partir do momento em que diz que só vê cachorrinhos felpudos em campo.

Por sua vez, as suas irmãs, Natasha e Sónia (interpretadas por Anabela e Margarida Moreira) também têm qualquer coisa que nos conquista, mas não sei ao certo o que é - bondade não é de certeza. Transmitem na perfeição muitos estereótipos ligados aos gémeos, como a falta de individualidade ou até mesmo de personalidade. 


Apesar de ser um filme que pouco se leva a sério e que, por isso mesmo, consegue ser um perfeito entretenimento e gerar resultados positivos, é preciso notar que nem tudo é alegre. Claramente o filme foi filmado com uma película cheia de grão e existem muitos tremeliques de câmara e desfoques, o que às vezes se torna um pouco irritante e isso é notável logo desde início. Por outro lado, o design do filme está fantástico, aprofundado o tal nonsense e dando ainda mais uma ideia de fantasia e de sonho a tudo o que vai acontecendo. 

Bem, Diamantino certamente não agradará a muita gente por ser algo diferente e muito experimental. Mas para aqueles que estão dispostos a dar-lhe uma oportunidade, este filme é uma verdadeira surpresa e realmente promete muito bom entretenimento!

8/10 ⭐
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

12 comentários:

  1. Fiquei com sensações mistas, mas acho que vou dar uma oportunidade a este filme :)

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    1. Se fores ver, depois partilha connosco a tua opinião! 😝

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  2. Muito obrigado, Joana :D

    Achei bastante interessante!!!

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    InstagramFacebook Official PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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  3. É muito bom vermos que o cinema está a evoluir muito em Portugal. Não vimos este filme, mas estamos com curiosidade.

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  4. Voltei, JOANA, agora para me desculpar por ter te chamado de Rosana. Perdão, querida amiga Joana!
    Beijo

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  5. Olá, Joana!
    Desta tua ótima postagem, minha amiga, "Dez curiosidades sobre "Cemitério Vivo" (1989), tomei conhecimento de mais algumas coisas do cinema, que não sabia. Parabéns!
    Uma boa continuação da semana, Joana.
    Beijo.
    Pedro

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