sábado, 18 de maio de 2019

Dez filmes anime que aconselhamos!

Bem, ontem decidimos colocar uma lista com dez séries de anime que achamos essenciais verem, pelo menos, uma vez. Hoje faço mais ou menos o mesmo, mas com dez filmes anime. E decidi fazer um desafio: nenhum desses podia ser do Studio Ghibli (ou, atualmente, Ponoc), do Satoshi Kon ou do Mamoru Hosoda, o que torna a coisa muito mais complicada, mas, ao menos, um pouco diversificada! 

Atenção que isto não é nenhum “Top 10 melhores animes de sempre e só nós temos razão”, que acho que foi o que alguns acharam da lista anterior. Muito longe disso! São apenas filmes que aprecio e acho que valem a pena dar uma olhadela, nem que seja apenas por curiosidade. Se, por acaso – e muito provavelmente – algum dos vossos favoritos não aqui estiver, ou foi porque ainda não vi ou apenas não achei que valesse a pena colocar na lista, que é bastante breve. Com o desabafo feito, aqui vão dez filmes anime que acho essenciais para os fãs do género, ou para quem está a entrar na coisa, ver:

Ghost in the Shell (1995)



Pode ter voltado à fama com o “recente” filme com Scarlett Johansson, mas asseguro-vos que quando isto saiu revolucionou o mundo da ficção cientifica, dando caminho a filmes como Matrix, e tendo até recebido palavras de louvor de James Cameron.

Baseado num já aclamado manga, Ghost in the Shell retrata um futuro distante onde os humanos são capazes de substituir grande parte do seu corpo com peças robóticas, aperfeiçoando-os. Entretanto, surge um hacker que consegue aceder a esses humanos, tendo a capacidade de poder fazer o caos, e cabe a Major Kusanagi encontrá-lo, onde esta começa a questionar a sua própria existência. 

Sim, já parece que apenas gosto de animes onde as personagens têm crises existências. E, bem, é muito provável que sim, e Ghost in the Shell não é exceção. Este também é um dos primeiros filmes anime que combina perfeitamente o estilo tradicional de desenho com efeitos especais, tornando-o ainda hoje um exemplo de como o fazer. 


Angel’s Egg (1985)


Angel’s Egg é um enigma que, ainda hoje, está por decifrar. Tencionava falar apenas de um filme por realizador – sendo este do mesmo realizador que Ghost in the Shell -, mas a popularidade deste filme está quase inexistente, por isso tive de aproveitar esta oportunidade para falar dele, e tentar chamar à atenção desta obra de arte - obra de arte pois parece literalmente um quadro surrealista em movimento.

É um filme que é difícil de descrever, mas por razões muito diferentes. O filme mal tem diálogos, e o expectador é obrigado a apanhar todos os detalhes que lhe aparecem à frente, devido a imenso simbolismo escondido, de maneira a, talvez, entender o que está a acontecer, pois em caso contrário odiará por completo a experiência.


Neon Genesis Evangelion: The End of Evangelion (1997)


Antes de mais, aviso que convinha verem o anime por completo antes de saltarem imediatamente para o filme. O filme foi feito pois Hideaki Anno, o criador da série original, recebeu imenso hate mail dos fãs que odiaram o final original da série, por isso, em formato cinematográfico, e com um budget muito maior – pois este tinha literalmente chegado ao fim enquanto estava a ser passado na televisão – ele criou um final definitivo para a série, tornando o quebra cabeças original ainda maior.

Eu nem tentarei dar-me ao trabalho de explicar o que se passa no filme, pois ainda acabo por dar spoilers - dai até a nossa imagem ser muito simples e ambígua. Apenas direi que este é o meu filme favorito de sempre, pois acabou por deixar um grande impacto em mim quando acabou, tal como a série. 

E uma coisa é certa: foi graças a Evangelion que se abriu caminho a um novo mundo anime, onde se começou a arriscar mais em conceitos originais do que em matérias já escritos em mangas.


Your Name (2016)


Makoto Shinkai é conhecido por vários filmes, muitos dos quais ele até fez o trabalho todo sozinho, e facilmente podia colocar qualquer um deles aqui: seja Children Who Chase Lost Voices, Five Centimeters Per Second ou Garden of Words. Mas nenhum deles conseguiu gerar tanta popularidade como o seu último sucesso. 

Sendo bastante diferente dos outros filmes que já mencionei, Your Name segue um rapaz e uma rapariga que, vezes e vezes sem conta, veem as suas consciências a trocarem de corpo um com o outro. 

É dos filmes animados mais bonitos que alguma vez vi, e provavelmente assim se manterá durante muito tempo. Desde a catchy banda sonora, a excelente fotografia e colorização ao genial e inteligente argumento, Your Name merece ter a fama que teve assim que saiu nos cinemas, dando finalmente a Makoto Shinkai o respeito que ele merece.


Ninja Scroll (1993)


É perturbadora a falta de violência nesta lista… Até agora! Após ter sido envenenado por um velho misterioso, um mercenário é obrigado pelo homem a enfrentar vários guerreiros que ameaçam as terras japonesas se ele pretende ter o antídoto para o que o está a matar.

Apesar da curta duração, a história consegue facilmente mostrar cada personagem e torná-la convincente e alguém que devemos apoiar ou recear. Basta poucos instantes com cada vilão, por exemplo, para percebermos como cada um trabalha ou luta, ou até como é suposto agir ou ser derrotado, e, ao mesmo tempo, apoiamos e suportamos o herói que está a ser forçosamente usado para lutar contra forças do mal das quais, por acaso e sem saber, este fugia. 

A animação é da Madhouse, por isso já se pode esperar o melhor tipo de animação disponível no momento na industria, e este filme, também serviu de influência para o Matrix, sendo, também com Ghost in the Shell e um filme que mais tarde falarei, um dos pioneiros do anime orientado a gente mais velha fora do Japão. 


Barefoot Gen (1983)


A maior parte de nós “cresceu” com O Túmulo dos Pirilampos, onde apenas o mero título é capaz de trazer um pequeno ataque de emoção por ser tão triste. Mas pouca gente conhece que há um filme bastante semelhante a Pirilampos, retratando ainda mais a fundo o que aconteceu assim que a bomba atómica atingiu Hiroshima, pois este é até baseado na vida do próprio autor do manga que sobreviveu milagrosamente à explosão, apesar desta ter, logo a seguir, efeitos secundários na vida dele.

Não preciso de dizer mais acerca do filme, pois com essa pequena descrição percebe-se logo do que estão à espera. Pode não ser constantemente depressivo como Pirilampos, começando por contar uma história feliz, fazendo-nos conhecer o protagonista que ainda é uma pequena criança, mas a partir do momento em que a bomba cai, o filme fica completamente sombrio, e com imagens incrivelmente chocantes para este tipo de animação, deixando o expectador em choque e com um grande ataque emocional.


A Silent Voice (2016)


Se há coisa que eu odeio é o bullying, e tendo sido vítima de tal na infância este filme fala para mim de várias maneiras, chegando ao ponto de me emocionar até pela pessoa por detrás da trama toda. 

Assim dizendo, o filme segue um bully que acaba por tratar mal uma colega nova, que é surda e muda, o que acaba por não cair nada bem na vida dele após ganhar consciência dos seus atos. Por isso, após vários anos, ele tenta redimir-se por completo, procurando toda a gente a quem fez mal, especialmente àquela rapariga por quem ele acaba por se apaixonar.

Não é dos filmes mais tocantes nesta lista, mas que não seja por isso que ele não dê os seus murros no estômago. Pode ser um momento bastante terno e querido, como no outro pode tornar-se num culminar de emoções que abrangem risadas a choros. É um filme que deixa a história falar por si, deixando o expetador sentir as personagens. 


Belladonna of Sadness (1973)


Gostam de imagens psicadélicas? Ou de imagens que parecem saídas de sonhos que pensam já ter tido, mas não se lembram? Ou até de histórias bastante eróticas? Belladonna of Sadness é para vocês – especialmente se tiverem mais de 18 anos (não é um hentai)!

Para quem conhece os outros trabalhos deste realizador, sabe perfeitamente em que tipo de filme está a entrar. É uma história bastante trágica, e por vezes acabamos por nos perder nela graças às rápidas animações que se alteram constantemente aos nossos olhos, mas é essa animação que torna Belladonna um enorme destaque do género, e tendo em conta o grande restauro que a película teve recentemente, nota-se o impacto, apesar de pequeno, que este teve na época em que saiu.

Admito que é o filme que acho que, desta lista, iriam gostar menos, especialmente por ser algo muito diferente daquilo a que já estamos habituados no género, mas é uma viagem ácida que acho valer a pena.


Cowboy Bebop: The Movie (2001)


Se gostaram do anime, este não podem, sem dúvida, deixar passar, pois tem muitos dos momentos favoritos dos fãs, especialmente a personagem Vincent, que se tornou uma das melhores personagens secundárias da série. 

Apesar de ter saído algum tempo depois do anime ter acabado, o filme passa-se entre os episódios 22 e 23 da narrativa original, onde vemos a crew do Bebop à procura de mais um bounty, e esta acaba por se tornar numa luta mais pessoal do que eles pensavam.

Continuando com o mesmo estilo de animação fluente, com inspirações de film noir, e a banda sonora de Yoko Kanno, Knockin’ On Heavens Door – já o melhor episódio de Evangelion tinha este nome – é uma inclusão à série bastante merecedora, conseguindo até ser vista sendo apenas um mero apreciador de cinema e sem saber o que antecede na série, passando despercebido como um longo episódio que o anime nunca teve, e com uma narrativa bastante consistente.


Akira (1988)


Para terminar o artigo com um BANG, deixámos o filme que Spielberg e George Lucas disseram que era impossível comercializar nos EUA: Akira, o outro elo que popularizou o género para além de Dragon Ball, especialmente para gente de faixa etária mais velha, devido à rude e cruel realidade que o filme nos mostra.

Passando-se em Neo Tokyo em 2019 (uhh, no agora!) e buscando várias influências artísticas a Blade Runner, Akira vê Kaneda à procura de Tetsuo, o seu melhor amigo, que acaba por ser levado pelo governo por acharem que ele tem capacidades superiores às do próprio ser humano, tornando-se numa cobaia de experiências, acabando por criar poderes psíquicos que ele próprio desconhecia ter, levando-o à loucura.

Este filme saiu em 1988, e foi, na altura, uma das maiores produções do género já feitas, e ainda hoje se sente a qualidade da animação, sendo superior a muitas das coisas que ainda hoje saem. O filme é ainda bastante intenso, e a banda sonora de Geinoh Yamashirogumi estará sempre presente para ter a certeza que nos deixa ainda mais impulsionados na adrenalina. E, apesar de ter tido a fama de ser impossível de comercializar, acabou por ser um dos filmes mais importantes na história anime, pois foi o primeiro a abrir os olhos às audiências de que anime não é apenas para crianças, que pode ser visto também por gente mais adulta, levando-o a ser comercializado mundialmente e a ser falado ainda hoje.

Já viram algum dos filmes desta lista? 😃
SOBRE O AUTOR

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

4 comentários:

  1. O único que vi desta lista foi o Ghost in The Shell. Eu gostei da nova versão com a Scarlett também, mas prefiro o anime.

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    1. O da Scarlett até não é mau de todo, especialmente tendo em conta a fama que as adaptações de anime para filme live action têm...

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  2. Ainda não vi nenhum, não faz muito o meu género!
    r: Deve ser um dia incrível mesmo, estou ansiosa que chegue o meu eheh. Gostava muito de ver o teu bolo siim, deixo aqui o meu mail: orefugiodasimplegirl@gmail.com
    Obrigada linda ❤️

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