quarta-feira, 15 de maio de 2019

Entre lutas e cães, eis John Wick

Vou começar por ser muito sincera e dizer que quando ouvi falar do filme John Wick pela primeira vez, não dei nada por ele e achei que era apenas “mais um filme de ação”. Tal foi a minha surpresa quando percebi que de um certo modo tinha razão, mas que este era “mais um filme de ação” brutalmente intenso e bem feito. Vamos, então, dar um pequeno salto no tempo e voltar a 2014, o ano em que fomos apresentados a Jonathan Wick, um assassino reformado, que vê a sua vida a mudar drasticamente depois de uns assaltantes terem roubado o seu carro e terem morto o seu cão. Wick decide, então, ir em busca de vingança, pois estas eram as duas coisas que a sua mulher, recentemente falecida, lhe tinha deixado e, fora isso, pouco mais ele tinha na vida. 


Como dá para perceber, a trama é muito simples, chegando mesmo a ser genérica. No entanto, a execução da mesma ao longo do filme é puramente brilhante. Para começar, o roteiro é capaz de nos levar facilmente a criar empatia por John, talvez pelo facto de sentirmos uma certa tristeza com tudo o que lhe acontece (especialmente com a morte da pobre Daisy, a cachorra). Depois, temos momentos de ação espetaculares ao longo da narrativa, que nos deixam de queixo caído. Cada sequência é perfeita e sem erros. Até os duplos de Keanu Reeves estão perfeitos, entregando uma grande naturalidade às sequências de luta. 

Nota-se que os realizadores do filme, a dupla Chad Stahelski (que realizou também as sequelas) e David Leith, apostaram mais na ação e não tanto na história e pode-se dizer que foram bem-sucedidos. E se há algo que contribui para enaltecer as sequências de ação é a fantástica fotografia do filme, repleta de tons contrastantes, a puxar tanto para as cores frias como para as quentes e com alguns tons neon pelo meio. 


Ao longo do filme temos vários diálogos em russo e queria destacar a originalidade das legendas que os acompanham. Não são legendas normais, mas sim umas com variadas cores que vão aparecendo no ecrã de um modo muito interessante, até mesmo brusco, acentuando a agressividade das falas. 

E depois temos ainda a banda sonora… Potentíssima! Alguns temas apresentam solos de guitarra, dando uns ritmos eletrónicos que encaixam na perfeição com a cinematografia do filme. E há ainda momentos de violência acompanhados de ritmos mais melancólicos, que tornam o filme numa espécie de poesia irónica. 


Já no segundo filme, John Wick: Capítulo 2 (2017) a fórmula mantém-se praticamente a mesma e volta a resultar. O argumento leva mais uma vez Wick para o mundo do crime, apenas para no final ser, de um certo modo, afastado – claramente, para regressar agora no terceiro filme (os minutos finais do filme não enganam ninguém!). 

Gostava de destacar uma sequência que, para mim, é quase perfeita e que nos leva para uma exposição composta por espelhos. O suspense desta sequência aliado depois à “coreografia” das lutas resulta num momento memorável no cinema. Um tanto claustrofóbico, mas mesmo muito interessante, especialmente do ponto de vista cinematográfico.


Por fim, é preciso destacar a performance de Keanu Reeves, que é, sem dúvida, um John Wick perfeito. Parece destinado a este papel. O fato assenta-lhe que nem ginjas.

Estes filmes destacam-se no género por não entregarem apenas ação non-sense. Temos uma história que, claramente, é simples, mas contribuiu o suficiente para dar um sentido a todas as sequências de ação. Depois há uma preocupação estética incrível que, só por si, é uma marca, uma identidade, para John Wick. Agora, o novo filme, John Wick 3 - Implacável, já está a ser louvado pela crítica, por isso estou curiosa para saber de que modo se vai destacar.
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações. Vi na criação deste espaço o local ideal para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto.

22 comentários:

  1. Interessante.
    Não sabia que os assassinos também se reformam!

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  2. Bacana, Joana. Quero ver esse filme. Seu post me fez ter vontade de assisti-lo. Obrigado pela sugestão!

    O Planeta Alternativo

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    Respostas
    1. Vale a pena! Ainda não fui ver o terceiro filme, mas tenho a certeza de que vai ser bom também!

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  3. Entendo :D

    a ver se para a semana, nas minhas férias, consigo ver algum filmito :P

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    InstagramFacebook Official PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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  4. Nunca vimos, mas parece uma boa sugestão...

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  5. Não conhecia o filme e já quero ver. O Keanu já é uma propaganda é tanto rs
    beijos
    http://www.dearlytay.com.br

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  6. Olá, Joana.
    Eu assisti o primeiro filme por causa do Keanu Reeves que amo. E nem sabia que tinha continuação hehe. Vou assistir é claro.

    Prefácio

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  7. Vou adicioná-los à minha lista, fiquei curiosa :)

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  8. Oi Joana, eu não sou muito fã de filmes de ação, mas como você destacou no post que os filmes são mais do que ação... fiquei com vontade de ver! Vou dar uma chance sim! :)

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  9. Adoro estes filmes e vou querer ver este o quanto antes! :)
    --
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  10. Não é só nos filmes de acção,
    que há cenas estrambólicas
    as que mais alegram o coração
    na vida, são as maravilhosas!

    Boa noite e bons sonhos Joana Grilo.

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  11. Tenho na minha lista, mas nunca vi nenhum. Tenho de lhes dar uma oportunidade :)

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