sexta-feira, 31 de maio de 2019

"Godzilla II: Rei dos Monstros" em análise

Todos os anos sai um blockbuster que divide as audiências e os críticos. E o novo Godzilla está a ir nesse caminho, seguindo, possivelmente, o mesmo rumo que Batman v Superman – estando, neste momento, com 41% no Tomatometer e 90% de Audience Score no Rotten Tomatoes. E, tal como esse filme, de certeza que se verá mais pessoas a apreciá-lo com o tempo, especialmente tendo em conta tudo o que ele tem para oferecer. 


O filme continua a narrativa do filme anterior de 2014, desta vez tendo em conta que o Kong existe no mesmo mundo que Godzilla, e agora, cinco anos após a destruição de São Francisco, vemos todos os progressos da Monarch à posteriori. E é continuando com o balanço natural das coisas que a narrativa do filme avança. Sim, é uma narrativa bastante contida, mesmo que tenha alguns subplots pequenos, apesar de mais interessantes que no Godzilla (2014), mas é de relembrar que estamos a ver um filme de Godzilla, onde é mais do que habitual isto acontecer, daí o meu espanto ao ver imensa gente a reclamar disso. Este até mostra que foram ouvidas as críticas dos fãs pelo facto de Godzilla no filme anterior ter estado no filme uns meros 11 minutos num filme de 122 minutos, dando-nos logo, desde o primeiro momento, uma imagem gigantesca do Godzilla, fazendo-nos perceber que, desta vez, nada irá esconder o monstro, muito menos a má iluminação. Desta vez, usaram todos os visuais possíveis de maneira a demonstrar a brutalidade das ações, combinadas com uma excelente cinematografia, o que leva a umas das melhores cenas visuais que possivelmente serão vistas num blockbuster este ano, com um excelente contraste entre inúmeras cores ou flashes rápidos de luz que deixam os pêlos em pé. As cenas todas com a Mothra são um bom exemplo. 


Também se queixaram imenso de que os humanos ocupavam muito tempo da duração do filme a falar e a falar e a deambular, mas não traziam nada de relevante para a história. Aqui, mais uma vez, mostram que ouviram as pessoas, e, basicamente, conseguiram partilhar o ecrã com os monstros em simultâneo. Óbvio que sempre que Godzilla ou King Ghidorah aparecem no ecrã estes roubam o espetáculo por completo, mas os humanos conseguem, mesmo assim, ter alguns momentos, seja para rir ou para chorar. O Dr. Serizawa, interpretado por Ken Watanabe, continua a ser um bom destaque nesses momentos. 


As personagens principais é que podem ficar um pouco aquém das expectativas. Enquanto Vera Farmiga está lá para ser a pessoa esperta que sabe usar um engenho em específico, Millie Bobbie Brown é a personagem chorona (felizmente, não sempre, e faz algumas coisas decentes), e Kyle Chandler serve como a pessoa mais esperta das reuniões, sabendo sempre o que podem ou devem fazer, estando sempre certo. Ou seja, são um pouco unidimensionais, e só as suas ligações os safam de não as tornarem personagens aborrecidas. E o argumento, por vezes, faz as personagens dizerem coisas que parecem bastante fora do contexto, e isto acontece em cenas mais orientadas para a comédia. 


Mas, lá está, os humanos apenas estão na história de maneira a haver maneira de levar a narrativa de um ponto a outro do filme. Um apreciador assíduo dos filmes de Godzilla já consegue antecipar esse tipo de narrativa, mas um expetador normal não vai querer ver essas cenas, vai querer ver o Godzilla no seu esplendor a lutar contra os seus maiores rivais.
Pode não ter as cenas mais memoráveis do Godzilla em si, pois Shin Godzilla continua no topo da cadeia, mas o filme soube brilhantemente apresentar todos os novos monstros que o Monsterverse terá de sustentar – falando especificamente de Rodan, que literalmente sorri para a câmara, King Ghidorah, que entra logo a matar, e Mothra, que é sempre um deslumbre luminoso de se ver, pois os outros acabam por ter pequenos cameos, o que seria de esperar.


Todos também são acompanhados com um pequeno tema musical, tornando a imensidade visual mais tormenta, graças à épica e incrível banda sonora do subvalorizado Bear McCreary. Misturando percussão com coros rápidos e crus, algo que se assemelha um pouco ao God of War (2018) – que ele também compôs. Felicito-o também por modernizar, mas não estragar, o tema original de Godzilla, composto originalmente por Akira Ifukube, que ainda é efetivo tal como presumo que foi em 1954: tornar a presença do Rei dos Monstros mais ameaçadora e, agora, divina. 


Pensem um bocadinho comigo: as pessoas veem Velocidade Furiosa porquê? As pessoas veem Transformers porquê? É por causa dos humanos? Deve ser definitivamente porque a história em todos os filmes deve ser excelente e boa o suficiente para continuarem as lançar um por ano, presumo! I think not! As pessoas vão ver esse tipo de filme para se esquecerem seja de que problemas forem, ou para apenas terem um bom tempo no cinema, ou apenas porque é fixe de se ver nesta época. Uma pessoa que vá comprar um bilhete para ver o novo filme do Godzilla vai apenas por uma simples razão: ver monstros a chacinarem-se uns aos outros, espetacularmente. E é especificamente nisso que Godzilla II: King of The Monsters tem o seu grande esplendor. É nas lutas entre monstros, é nos incríveis visuais que se podiam julgar impossíveis de ver num filmes de monstros, sendo até mais incrível de se ver do que qualquer filme da DC, e a banda sonora está lá para elevar tudo a 110%. Pode conter uma história um pouco minimalista e personagens (humanas) pouco desenvolvidas, mas o argumento, ao menos, continua com os temas a que fomos introduzidos no primeiro filme, e que é remanescente aos temas originais de Godzilla: é preciso haver um equilíbrio natural das coisas, e os monstros estão aqui para restaurar esse equilíbrio, tornando-os como força metafórica da própria mãe da natureza a recriar o mundo. 


Godzilla II é um filme que, na minha opinião, seja como crítico de cinema ou como fanboy do monstro, está a ser injustamente mal classificado, e que merece mais louvor do que está a receber. É, certamente, um filme que os fãs de longa data irão apreciar muito mais do que um casual expetador, mas esse terá na mesma um excelente tempo no cinema, pois esta é uma das melhores experiências visuais e sonoras que poderão ter na sala de cinema este ano. Long live the King!

8/10 ⭐
SOBRE O AUTOR

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

4 comentários:

  1. Vou só ver amanhã, mas agora depois de ter lido a tua crítica fiquei com altas expectativas! Abraço, Diogo, e bom fim de semana!

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    1. Eu espero que gostes honestamente. Ando a ficar decepcionado com tanta crítica negativa que o filme anda a receber...

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    2. Já fui ver e gostei, mas penso que não tanto quanto tu! É um bom filme! Abraço, Diogo!

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    3. Eu penso que gostei pois o filme deu-me exatamente o que queria... Daí mal ter desculpa para falar mal dele!

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