domingo, 26 de maio de 2019

"Kim Possible" em análise

As pessoas da minha geração, aquelas que viram o Disney Channel nascer, devem lembrar-se muito bem de uma das personagens mais carismáticas do canal (e da série homónima): Kim Possible. A rapariga ruiva que era capaz de tudo e que estava sempre acompanhada pelo seu fiel amigo Ron Stoppable e do seu rato careca, Rufus! Pessoalmente, esta era uma das minhas séries de animação favoritas, pois todos os episódios me deixavam interessada, sempre com missões diferentes e interessantes. Assim sendo, quando soube que um filme em live-action tinha sido anunciado e estava a ser produzido, fiquei com um certo entusiasmo… Que esmoreceu por completo assim que foi anunciado o elenco, a sinopse e as primeiras imagens do filme, em trailers e cartazes. Ainda assim, decidi dar uma oportunidade ao filme, agora que, este sábado, teve o seu lançamento nacional no Disney Channel. Só que, para piorar um pouco, vi a versão dobrada… 


O filme começa por apresentar Kim Possible e Ron numa missão para salvar um cientista capaz de criar um slime super poderoso, mas logo de seguida decide seguir outros caminhos que nos levam até Dr. Drakken e Shego (que eram personagens importantes na série animada). Drakken estava preso e é libertado por Shego e ambos decidem vingar-se de Kim Possible, que, por sua vez, está a começar a ter aulas numa escola secundária. É num determinado dia que Kim e Ron veem uma rapariga chamada Athena a ser maltratada e decidem ajudá-la, mas esta rapidamente se torna melhor que Kim em tudo o que faz, o que não agrada propriamente à protagonista, levando-a a enfraquecer. E, sem querer revelar muito mais, tudo o que aqui escrevi vai acabar por se unir e ter algum significado. 

Ora, basicamente a Kim Possible fantástica da série animada deu lugar, neste filme, a uma rapariga mimada que está sempre a dizer que “salvou o mundo” e que fica triste quando percebe que há alguém melhor que ela. A personalidade da personagem foi completamente alterada, tornando-se infantil e irritante. Já Ron, mantém-se idêntico ao da série, mas lamento que tenha tido tão poucos momentos de interação com o seu amigo Rufus. Por sua vez, os vilões interessantes, Shego e Drakken, foram de tal modo alterados que apenas não resultam, sendo os principais motivos de humor no filme - humor esse que é muito fraco.


A trama é superficial e acaba por ter pouca ação – e a que tem é mal feita -, com um argumento no qual vemos quase sempre a protagonista a lamentar-se. E depois a personagem de Athena tem um destino previsível e não tem um mínimo de impacto. Ainda assim, os seus momentos finais lembram um pouco Alita: Anjo de Combate, mas não sei se terá sido uma semelhança propositada ou apenas uma coincidência. 

Este filme foi claramente feito para as crianças de hoje em dia e não para aqueles que viram a verdadeira Kim Possible e que já se encontram na casa dos vinte ou mais. Algo que tornou a série animada intemporal foi o facto de apresentar personagens carismáticas aliadas a um género de ação cómica que resultava na perfeição. Aqui ficaram a faltar momentos de ação, pois a determinada altura o argumento foca-se mais na própria Athena do que em Kim, não lhe dando tempo suficiente para brilhar.


Os atores são muito jovens e tornaram as personagens infantis, tornando difícil dar alguma credibilidade ao que estão a fazer. Por outro lado, parece-me claro que se divertiram imenso a fazer este filme e talvez a culpa do seu fracasso também não seja apenas deles.

Dito isto, termino dizendo que o filme não é bom, mas porque está longe de mostrar a personagem que a malta da minha geração conhece. Reconheço que talvez anime as crianças. Que ao menos sirva para trazer o nome Kim Possible de novo aos nossos ouvidos!

4/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

11 comentários:

  1. Não acompanhei Kim Possible com a máxima regularidade, mas fui espreitando alguns episódios e, de facto, havia uma dinâmica muito coesa e especial. Que pena que neste filme isso não se tenha verificado :/

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    1. Penso que o público-alvo do filme não é bem o mesmo da série e isso nota-se demasiado! 😛

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  2. Quase sempre é assim. Quando uma série passa a filme perde interesse…
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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  3. Eu adorava ver a Kim Possible! Não fazia ideia que agora havia um filme, mas depois do que escreveste nem sei se veja :/

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    1. Podes sempre experimentar ver, talvez até gostes, mas não vás com grandes expectativas... 😛

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  4. Lembro-me bem da série, via-a com a minha filha mais nova.

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  5. Tenho muito de ver este filme..
    Quando era mais nova era louca pela Kim Possible!

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  6. Lembro-me tão bem da Kim Possible e aquela música que eu cantava a plenos pulmões eheh
    Adorava a série :p
    Desconhecia a existência do filme e é uma pena que não esteja assim tão bom, pelo que dizes. Mas talvez lhe dê uma oportunidade quando tiver mais tempo :)
    Beijinho

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