terça-feira, 14 de maio de 2019

"Mutant Blast" em análise

Numa altura em que só se fala do novo filme “português” realizado por Diogo Morgado - filme esse que parece uma amálgama de muitas outras coisas, como, por exemplo, Battle Royale e The Hunger Games -, recebemos um convite do realizador Fernando Alle para irmos ver o seu novo filme: Mutant Blast, que tanto pelo visual como pela história acaba por ser muito mais intrigante e interessante para nós explorarmos. E este filme, sim, é completamente português – falado em português, principalmente – e algo que é bastante fora do ordinário do cinema do nosso país e, por isso, merece o seu devido respeito.


Realizado por Fernando Alle, Mutant Blast é ainda produzido pela Troma - tornando-o uma produção internacional -, por isso pode-se imaginar mais ou menos que estilo de filme teremos à nossa espera, tanto narrativamente como visualmente, apesar de não alcançar o mesmo nível de grotesco. E, tendo em conta esse género, fico feliz em ver algo diferente a ser feito por cá.

Tendo entranhas por todo o lado, experiências de laboratório que parecem exterminadores implacáveis, lagostas gigantes que falam francês, gente no poder idiota – mas isso não é preciso ser filme para o serem -, ratos que parecem ursos, ou até golfinhos espadachins – este criado por James Gunn, que trabalhou em alguns filmes da Troma nos anos 90, mas é mais conhecido por Os Guardiões da Galáxia -, Mutant Blast certifica-se que tem de tudo para entreter a audiência do inicio ao fim, sempre pronto para trazer coisas inesperadas para a tela.


Acredito que, mesmo se não fosse pela aparente sátira no argumento, o filme ficaria salvo pelos dois protagonistas, interpretados por Pedro Barão Dias e Maria Leite, que agem apenas como pessoas que são apanhadas de surpresa num mundo infetado por seres que definitivamente não são z*****s e tentam fazer os possíveis de maneira a conseguir salvar-se e não serem ainda mais infetadas com radiação nuclear. Isto aplica-se mais à personagem de Pedro, mesmo assim, pois é ele que é salvo a maior parte do tempo por Maria, que estava mais preparada para a situação. E, sendo as duas personagens bastante carismáticas, e tendo interações bastante naturais, que até parecem improvisadas, é um grande conforto segui-las durante a sua aventura.

O elenco secundário é também muito bom, sendo todos bastante memoráveis. Desde o literal “brutamontes” que é o TS-347 ao Jean-Pierre, é um elenco bastante diverso e divertido, todos com personalidades únicas, de maneira a conseguirmos torcer por todos os que vão surgindo na história.


Um dos senãos que tenho com o filme é que acho que o som se tornava muito alto, especialmente em cenas que não devia. Há um momento que nos é demonstrado como está o mundo ao redor da personagem de Pedro, enquanto este se apercebe que deve estar sozinho, e a música invés de se tornar mais melancólica ou ficar mesmo em silêncio atinge notas demasiado altas para o seu bem, podendo até tirar a sensação de solidão que acho que era pretendida.

Entretanto, o trabalho de fotografia, apesar de parecer bastante normal, tem algumas sequências que conseguem distinguir-se facilmente de tudo o resto, especialmente toda a sequência inicial do filme, onde vemos Maria e TS a enfrentar z*****s num local bastante contido.


Mutant Blast é uma escapadela perfeita ao cinema comum português. Claro que, para o estilo de filme que é, não é para toda a gente, mas é certamente um filme no qual toda a gente encontrará alguma diversão enquanto o vê. E, tendo em conta que o filme provavelmente terá uma data de estreia nacional para a altura do Halloween, não vejo outro momento melhor para ser visto e vai levar, de certeza, muita gente a entrar no espírito da época.

8/10
SOBRE O AUTOR

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

5 comentários:

  1. O Fernando Alle não é o realizador da curta do Papá Wrestling? Eu vi quando era pequeno, mas não sabia que tinha um filme novo. Vou querer ver isto se chegar aos cinemas

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    1. É ele mesmo! E, se gostaste desse, aproveita e vê o Banana Motherfucker, que, tal como o Papá Wrestling, também está no YouTube!

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  2. Por um lado não me parece mesmo o meu género de filme, mas por outro a tua descrição despertou-me curiosidade... vou-me tentar lembrar de ver quando sair :)

    MY SUPER SWEET TWENTY - Blog | Canal | Facebook | Instagram
    Segue e não percas nenhuma novidade ♥

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    1. Espero que vejas, filmes como este não se vêm por cá com muita frequência, especialmente no cinema!

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  3. Fui ontem ver Joker.
    A conselho da minha filha Catarina.
    Gostei do filme, adorei o desempenho de Joaquin Phoenix.\
    Boa semana

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