terça-feira, 7 de maio de 2019

"Pokémon: O Filme" a rebobinar

Sempre que me perguntam o que fazia quando era miúdo a minha resposta era simples: via e revia o Homem-Aranha de Sam Raimi cinquenta vezes por dia, numa VHS alugada do Videorama. Isto é uma maneira mais ligeira de passar vergonhas quando se fala da nossa infância, pois, lá bem no fundo, sabemos que fazíamos outras coisas muito mais embaraçosas (pelo menos, aos nossos olhos “adultos”). Por isso, algo que deixo na obscuridade é que eu fazia a mesma coisa com a mítica série de desenhos animados que, provavelmente, todos vimos: Pokémon.


Ou em cartas ou em tazos (sim, tazos, aqueles que vinham nos pacotes de batatas fritas da Ruffles, ou nos Chipicao, lembram-se?), Pokémon esteve sempre presente no dia-a-dia da minha alegre criança – sim, infelizmente, apesar de ter tido um Gameboy na altura, foi apenas quando descobri emuladores que comecei a pegar nos jogos... Mas, acima de tudo, esteve presente nas VHS que ainda hoje me dão ataques críticos de nostalgia ao olhar para eles ao passar o longo corredor da casa, pois passei por muito com elas (ou passaram elas muito comigo…). Foram elas revistas mil e uma vezes, e ainda hoje o podem fazer por estarem muito bem estimadas, e porque a partir de certa altura era impossível encontrar Pokémon seja qual fosse o formato media. Milagrosamente, quando foi lançado o jogo popular que ficou conhecido por tirar muitos de dentro de casa, Pokémon GO, vários dos clássicos (apenas dois, na verdade) voltaram às prateleiras das lojas, dando a oportunidade de fazer um update às VHS.


Mas não é para uma aula de história sobre o formato físico e Pokémon que cá estou hoje, pois isso daria um longo artigo que teriam de ler, o que seria mais chato que curioso. Estou aqui é para rebobinar uma cassete em específico do Pokémon, sendo ela a do primeiro filme, que viria a dar origem a mais de vinte entradas até à data de filmes de Pokémon. Pokémon: O Filme - Mewtwo contra Mew – como diz na capa do filme – ou Mewtwo Contra Ataca, como diz o Professor Oak exclusivamente na VHS que narra a introdução da cassete (confusões!). O filme pode ter sido o que começou esta extravaganza cinematográfica toda, mas, admiravelmente, nem é, sequer, o melhor filme deles, e, pode-se também dizer, não é um bom filme por si só. Mas, aos olhos de uma criança, a história era outra…


Aos olhos de uma criança, era um filme perfeito de se ver: era a primeira longa da grande série de jogos, com uma qualidade muito superior à da série animada, e contava com aparições de não só dois dos primeiros lendários que muitos de nós sonhávamos ter nos jogos (pois era um desafio que, ainda hoje, é do catano), como muitos dos outros nossos Pokémon preferidos, e no grande ecrã – onde invejo quem o tenha feito na altura.

A história, por outro lado, ao crescer, começa a ter menos e menos sentido, pois começa, em certos pontos, a ser contraditória até para a temática que todos nós conhecemos de Pokémon, pois é até a essência dos próprios jogos. É aquele filme típico onde parece ser suposto desligar o cérebro a meio e apenas ir com o que está a ser demonstrado. Mewtwo, pelo menos, provou ser um bom antagonista, ao ponto de ter direito a uma sequela direta, chamada Mewtow Returns, que nunca saiu pelas nossas terras, e agora a um remake CGI, onde recontarão a sua memorável história de como foi criado para o mundo.


O que deixará muitos a rir enquanto graúdos é a banda sonora (da versão americana, ou a nossa dobrada) pois está cheíssima de puros clássicos dos anos 90, o que era bastante habitual fazerem em filmes vindos do Japão na altura. ‘N Sync, Britney Spears, 98º, Vitamin C, são apenas alguns dos nomes de muitas das bandas que marcaram a altura e que estão presentes, pelo menos, na banda sonora oficial do filme, tornando-a bastante datada e, atualmente, ridícula. Mas, em contraste, a banda sonora (composta) por Ralph Schuckett, é um dos maiores destaques que o filme tem para dar, sendo bastante tocante e, talvez, até melhor que a banda sonora da versão original japonesa.


Mewtwo Contra Ataca é certamente um filme que deixa a pensar demasiado no que diz respeito à lógica da sua história, e que nos deixa a arranhar a cabeça se formos a pensar a fundo na maior parte da matéria. Por outro lado, é um filme que, à parte disso, traz bastante nostalgia sempre que é revisto pela minha parte, pois relembra os tempos mais simples e mais “originais” de Pokémon, conseguindo tornar-se, também, tocante, graças a uma banda sonora bastante memorável, seja pelo próprio tema cantado por Billy Crawford – que todos conseguimos cantar, independentemente da versão -, ou a emocionante "Tears of Life", que toca num dos momentos mais chocantes do filme.

Seja, também, pela bela animação conseguida, onde utilizam um excelente trabalho de contraste entre as cores e o cenário, ou apenas pelo puro prazer de ver uma longa (mas até curta, pois, o filme em si, só tem 72 minutos, a não ser que vejam pelo DVD ou VHS pois torna o filme ligeiramente maior, 92 a 94 minutos dependendo do formato, graças a vários conteúdos extra) aventura dos heróis de infância, há sempre algo que se possa recorrer ao filme e que se possa apreciar, mesmo que seja preciso ter a mente de uma criança para poder não ficar ofendido com a história contraditória do filme.
SOBRE O AUTOR

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

4 comentários:

  1. Agora senti-me nostálgico. Via imenso este filme também e cheguei a ter a cassete, mas estragou-se (ficou com chuva). Estou desejoso de ver o novo Detective Pikachu, mas admito que tenho algum receio.

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    1. É essa mesmo a função do rebobinar, dar nostalgia! 😛
      A minha, felizmente, ainda está intacta, pois tive de a rever para escrever este artigo!

      Espera pela crítica do Detective Pikachu, amanhã na cá estará no blog 😉

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