sexta-feira, 3 de maio de 2019

"Seduz-me, se és capaz" em análise

Aparências iludem com o novo filme de Seth Rogen e Charlize Theron! Admito que eu próprio fui ver o filme naquela de “é mais um típico filme do Rogen, mas desta vez com a Charlize Theron… deve ser, muito provavelmente, tão mau que é bom, pelo menos”. É que nem o título eu sabia de cor antes de ver o filme, trocando sempre as palavras, e muito menos conhecia a história! E pronto, acabei por sair do filme a pensar que tinha visto mais um típico filme de Seth Rogen, mas com a Charlize Theron, e que surpreende, afinal, pela positiva!


A história é, por acaso, bastante down to earth, muito normal, o que foge um pouco à comédia exagerada onde costumamos ver Seth Rogen. Digamos que é algo como Knocked Up, uma comédia romântica com bastante drama real pelo meio. Sendo que as diferenças são que, invés de se exporem cenas de nudez na internet por parte de Rogen, este é um jornalista que pretende apenas expor a realidade do mundo nos jornais, não deixando a verdade ser censurada, e invés de perseguir uma grávida, ele segue uma possível candidata à presidência dos EUA em 2020. Não é um filme onde diria que ia ver estes dois a contracenar, visto parecerem dois opostos extremos a nível de encenação, mas afinal existe uma orgânica química entre os dois, deixando-nos ficar investidos nas suas interações e momentos de drama.


A comédia ou é muito on the nose ou pode passar ao lado de muita gente na audiência. Por exemplo: enquanto a maior parte das referências recentes a pop culture, ou aos exagerados momentos de comédia física, que já são típicas nos argumentos de Seth Rogen, são fáceis de apanhar pela maioria dos expectadores, apenas eu me ri quando uma jornalista disse que Brett Ratner iria aparecer na televisão em direto para falar sobre feminismo. Assim dizendo, muitos graúdos que não estão a par das situações presidências ou dos escândalos feministas que andam à volta do mundo podem perder algumas oportunidades de risada, mas certamente irão apanhar aquelas pequenas referências musicais a Pretty Woman, ou de outras músicas destacáveis da década de 90.


Seduz-me, se és Capaz, é uma comédia romântica que esconde brilhantemente os seus comentários políticos, atacando assuntos bastante atuais. Pode ter momentos bastante previsíveis para o género, mas também não perde a oportunidade de ter outros momentos de boa e esperta comédia. É, também, graças ao seu elenco que consegue manter a sua estrutura em conjunto, deixando-nos mais investidos na narrativa, pois fazem um bom trabalho de encenação, mostrando também ótima química.

O único lado infeliz da história é que não vejo o poder de rewatchability, ou seja, não me vejo, e muito menos a outros membros da audiência, a rever o filme tão cedo, senão alguma vez, pois é apenas um filme do momento que pouco ganhará com eventuais revisitas.


O filme foi, tal como já disse, uma boa surpresa. Se estiverem à procura de um filme para passarem um bom bocado, este irá dar genuinamente isso. Não esperem, claramente, que seja a comédia do ano, pois está muito longe disso, estando também longe de ser um filme que será recordado daqui a uns anos para a frente, mas, para algo do momento, serve perfeitamente.

7/10 ⭐
SOBRE O AUTOR

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

6 comentários:

  1. Ainda não tinha ouvido falar deste filme, mas será um filme que quando tiver oportunidade verei! :)
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  2. Não sou fã deste género de filme, mas quem sabe, ainda vejo.

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    1. Se não gostas muito dos filmes de Seth Rogen, sim, aconselho a deixares passar!

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  3. Oi Diogo, tudo bem?
    Nem sabia que esse filme estava passando.
    Gostei do review sincero, mas acho que no cinema eu não assistiria, só em casa mesmo.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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    1. Boas!
      Sim, confesso que me sinto da mesma maneira em relação a mais de 70% das comédias que saem no cinema. Se for para ver sozinho, prefiro ficar no sofá a ver o filme. E este filme seria mais um a acrescentar a essa lista...

      Beijos!

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