domingo, 5 de maio de 2019

Supercalifragilisticoexpialidoso!

No sábado passado, a Cinemateca Júnior passou o filme Mary Poppins e, então, decidi aproveitar a deixa para falar sobre este grande clássico da Disney (que teve a mão do próprio Walt Disney). O filme teve tal sucesso que ainda hoje continua popular, ao ponto de ter tido recentemente uma sequela, para além de também ter merecido uma espécie de filme dos bastidores em 2014, Ao Encontro de Mr. Banks - que mostra o modo como a autora dos livros de Mary Poppins, P. L. Travers, foi convencida a dar os direitos de autor da sua personagem à Disney, depois de Walt ter prometido aos filhos que ia levar Poppins para o ecrã.


Supercalifragilisticoexpialidoso! Quem conhece esta mega-palavra desde criança é porque, de um certo modo, também teve a famosa Mary Poppins como ama. Mary Poppins é uma mulher com poderes mágicos que ajuda famílias nas quais as crianças são mimadas ao ponto de serem mal-educadas. No caso da família Banks, temos duas crianças, Michael e Jane, cujos pais pouca atenção lhes dão e, por esse motivo, fazem travessuras que levam todas as amas até então a despedirem-se. Mary é uma espécie de salvação, que não só leva as crianças a seguir um bom caminho como também alerta os pais de que estes devem dar uma maior atenção aos filhos. 

O filme data de 1964 e é curioso ver que todos os efeitos utilizados são ainda muito atuais, ao ponto de a sequela seguir o mesmo estilo. Este foi o primeiro filme a unir a realidade com a animação, unindo os atores com mundos fictícios de desenhos animados. Depois, mais tarde, Quem Tramou Roger Rabbit? (1988) repetiu a façanha. 


Este é possivelmente um dos filmes mais especiais da Disney, não só por ser visualmente deslumbrante e por ter uma trama interessante, mas também por ser um grande avanço nos musicais, contendo músicas que ficam no ouvido, com letras fantásticas, e também com coreografias com passos bastante rítmicos que combinam com cada verso e som das canções. Destaco duas músicas, de entre tantas: “A Spoonful of Sugar”, que é aquela que, com muito otimismo, mostra que com apenas uma colher de açúcar somos capazes de tornar tudo melhor, mostrando que às vezes não é difícil alegrar as cosias, e “Chim Chimney”, a canção dos limpa-chaminés, cantada por Bert, fiel amigo de Mary. Esta segunda chegou mesmo a ser vencedora de um Óscar de Melhor Canção Original, o que foi bastante merecido, tendo em conta a excelente sequência na qual é cantada, com os limpa-chaminés a efetuarem uma coreografia encantadora nos telhados de Londres na escuridão da noite. 

E por falar em Óscares, o filme não se saiu vencedor em apenas uma categoria. Na verdade, arrecadou cinco prémios: o de Melhor Atriz para a fantástica Julie Andrews (que se estreou no papel de Mary Poppins, mas mais tarde protagonizou Música no Coração), Melhor Edição, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Banda Sonora.


Mary Poppins consegue ainda, de um modo cómico, mostrar críticas à sociedade. Por exemplo, reparemos na mãe das crianças, uma sufragista que pouco quer saber dos filhos e que apenas luta pelo direito ao voto das mulheres. E depois temos também o pai, que só se interessa pelo trabalho e vive enganado com isso, para além de ter uma vida extremamente monótona (como se percebe pelo facto de ter uma rotina que nunca sai do sítio, tendo horas certas para tudo). No final, e com a ajuda da ama, ambos percebem o que realmente importa na vida e começam a dedicar mais tempo à família e a tudo aquilo que os rodeia.


Como referi em cima, e provavelmente vocês já sabiam, o filme ganhou recentemente uma sequela: O Regresso de Mary Poppins, desta vez com Emily Blunt e Lin-Manuel Miranda nos papéis principais. É interessante, de facto, ver que a a construção deste novo filme é bastante semelhante, sendo que apenas varia o modo como se dão os acontecimentos. Ainda bem que o filme se afirma como sequela (apresentado as crianças do primeiro já em adultos) e não como remake, pois assim entende-se como uma espécie de homenagem e não tanto como uma tentativa de querer melhorar - o que os recentes remakes de outros filmes dão a entender que querem fazer. 

Em comparação com o primeiro, perde um pouco da magia pelo facto de não acrescentar nada de novo e ainda por as canções não serem tão boas. No entanto, é de notar que consegue dar um gosto especial a algumas sequências. Por exemplo, é encantador ver o modo como tratam o Almirante da Cherry Lane, que já no primeiro filme era uma personagem enigmática, mas carismática. 


Desta vez, também temos momentos musicais interessantes, mas é notável que apenas pretendem enaltecer o valor do primeiro. Enquanto que no filme de 1964 tivemos a tal canção dos limpa-chaminés, aqui fica a cargo dos homens que acendem os candeeiros das ruas ter um momento mágico, ao som de uma música chamada “Trip a Little Light Fantastic”, que é acompanhada de uma coreografia também bastante semelhante à de “Chim Chimney”, na escuridão da noite.

No final do filme, temos um momento bastante especial, que é o regresso de Dick Van Dike, que interpretou Bert no primeiro filme, desta vez no papel de um dos donos do banco. Nos poucos minutos que aparece, consegue levar-nos a viajar pelas memórias que tínhamos da sua fantástica personagem no anterior, mostrando que ainda consegue dar alguns passos de dança.


Como é visível, o mundo mágico de Mary Poppins continua sempre interessante e especial, mais de cinquenta anos depois de ter sido lançado nos cinemas. Curiosamente, na sessão na Cinemateca havia pessoas dos oito aos oitenta anos. Alguns dos presentes, viram o filme na altura em que estreou e recordaram-no agora. Outros, crianças muito pequenas, foram introduzidos ao filme pela primeira vez. É bom manter este género de filmes na memória de todos... E continuar a viver um pouco da magia!
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações. Vi na criação deste espaço o local ideal para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto.

16 comentários:

  1. Tenho que rever o primeiro!
    De facto, a existência destes filmes, que abraçam várias gerações, é um legado maravilhoso *-*

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    1. É verdade! Tens mesmo de rever, porque é fantástico!

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  2. boa :D

    sou tão fã de filmes de época +.+

    NEW OUTFIT POST | FRIDAYS ARE OK. MONDAYS ARE NOT!!
    InstagramFacebook Official PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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    1. Não sei se este pode ser considerado um filme de época, mas ainda assim recomendo que vejas!

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  3. Não conhecia :)
    r: Eu tenho de fazer o relatório como trabalho de final de curso. Obrigada minha linda, boa sorte para ti também 😊

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  4. Nunca vi o filme. Ao contrário de Música no coração, que vi várias vezes.
    Boa semana

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  5. Já vi o filme da Mary Poppins várias vezes e nunca me canso, é um filme espectacular.
    Beijinhos
    Maria
    Divagar Sobre Tudo um Pouco

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  6. Que legal esse post!!
    Nunca assisti nada sobre Mary Poppins, inclusive quando falam de Mary Poppins me vem a cabeça um episódio do Eu, a Patroa e as Crianças onde eles fazem uma referência á ela.
    Achei bem interessante :)

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

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    1. Então, parece que está na hora de ir ver o filme! Recomendo, pois é mesmo fantástico! Um clássico intemporal! 😛

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  7. Nunca vi Mary Poppins, mas acho que vou ter mesmo mesmo de ver :)

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