sábado, 22 de junho de 2019

Mais de seis décadas de "A Dama e o Vagabundo"

Neste mesmo dia, mas em 1955, nos Estados Unidos (em Portugal foi apenas uns meses mais tarde), foi lançado o filme A Dama e o Vagabundo, realizado por Clyde Geronimi, Wilfred Jackson e Hamilton Luske, a décima quinta longa-metragem de animação da Disney e a primeira a ser apresentada em widescreen pela CinemaScope. A trama centra-se em Dama, uma cadela da raça Cocker Spaniel, e acompanha-a desde tenra idade, a partir do momento em que esta ganha uma família, depois de ser oferecida como um presente de Natal. Logo no princípio, temos um momento com uma pequena dose de humor que, certamente, representa muitos donos de cães. Vemos Dama a querer dormir na cama dos donos e estes a recusarem, até que lá aceitam que ela durma com eles por apenas uma noite; o resultado é que logo de seguida temos um avanço no tempo e vemos Dama já com cerca de seis meses a acordar na cama deles. 


É já nesta fase mais adulta de Dama que conhecemos dois cães veteranos que são seus vizinhos: o Joca e o Trufas (ou Fiel; já o vi a ser chamado das duas maneiras em português), que supostamente perdeu o faro. A vida de Dama corre às mil maravilhas e esta sente-se feliz, até perceber que os seus donos começam a tratá-la de um modo diferente: acontece que um bebé vem a caminho e os futuros pais não andam assim com muita paciência para ela. Certo dia, quando os três cães estão reunidos à conversa aparece um cão vadio, o Vagabundo, que alerta Dama de que quando o bebé nascer ela vai ser mandada embora – pois, segundo ele, é isso que acontece sempre. Claro que a pequena Cocker Spaniel fica assustada, mas, quando o bebé nasce, os seus donos reconhecem que a cadela se apaixonou automaticamente pela criança e voltam a dar-lhe todo o amor que recebia anteriormente, levando Dama a tornar-se numa cadela protetora do bebé. 

Novamente tudo corre bem, até os donos terem de ir embora e deixarem a casa aos tomados de uma tia, que traz os seus dois gatos siameses. Os felinos eram manhosos e arranjam modo de afastar a cadela, que mais tarde acaba por se ver meio perdida… Até encontrar Vagabundo e com ele descobrir um mundo completamente novo, bastante distante da zona rica à qual ela estava habitual. 


Não sei se este será um daqueles filmes da Disney que envelheceram muito bem, mas certamente é um clássico inesquecível e que transmite algumas mensagens importantes. Gosto especialmente de duas coisas aqui: o modo como presta uma grande atenção aos detalhes e a maneira como facilmente representa a realidade, ainda que seja apresentado do ponto de vista de um cão.

Relativamente ao primeiro fator, penso que basta alguém ver o filme para notar nos vários pormenores de cenários, que acentuam a grande qualidade visual, especialmente tendo em conta que foi feito nos anos cinquenta. Já em relação ao segundo aspeto, tal como já referi, acho que muitas pessoas se vão rever neste filme, seja por terem recebido cães no Natal, ou por sentirem que não têm tempo para eles, ou, pior de tudo, terem-nos abandonado. Há uma sequência neste filme que gosto em particular que é aquele em que Dama é levada para o canil (ou, como os cães dizem, a prisão) e antes da sua chegada vemos os cães que lá estão num grande lamento. A uma primeira vista este momento é triste e é uma grande realidade nos canis e penso que esta sequência é o suficiente para servir de alerta, ainda que depois a trama dê a volta e mostre que a choradeira é apenas um esquema dos cães para evitar que se ouça um deles a escavar um buraco para escapar daquele lugar.


Na verdade, sinto que o filme tem alguns momentos destes que nos enganam um pouco. Mais perto do final temos outro, que nos faz pensar que o velho Trufas morreu, depois de um grande momento de glória em que o seu faro começa a funcionar novamente, mas afinal apenas magoou uma pata e reaparece já mesmo no fim, juntamente com Joca, que usa uma roupinha quentinha, pois é novamente Natal. É, neste momento, também, que recebemos a “notícia” de que Vagabundo foi adotado pela família de Dama e já aparecem com vários cachorrinhos – que serão o centro das atenções na sequela de 2001, A Dama e o Vagabundo II – As Aventuras de Banzé

Não sei quanto a vocês, mas este filme é um dos presentes na minha coleção em VHS e de vez em quando gosto de o rever, por vários dos motivos que referi aqui em cima e já para nem deixar aqui um claro destaque ao facto de duas das personagens humanas servirem um esparguete à bolonhesa perfeito a dois cães!
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações. Vi na criação deste espaço o local ideal para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto.

8 comentários:

  1. É um dos meus filmes favoritos! Adoro a história e abordagem. E sei que é daqueles argumentos ao qual, passe o tempo que passar, vou gostar sempre de regressar. A Dama e o Vagabundo tem sabor a infância, a casa e a amor. Adoro *-*

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E também tem sabor a esparguete à bolonhesa (ou com almondegas)? 😜

      Eliminar
  2. Gosto tanto deste filme! Agora estou com vontade de o ver novamente ahah
    r: Obrigada querida ♥

    ResponderEliminar
  3. Este filme é tão especial, que vontade de o rever :)
    Beijinho

    ResponderEliminar