domingo, 16 de junho de 2019

"MIB: Força Internacional" em análise

Já se podia achar que a mítica série produzida por Spielberg já estivesse colocada a descansar nas prateleiras da Sony, visto ser uma que já tem uma trilogia satisfatória, mesmo que tenha os seus altos e baixos. Mas, parece que, do nada, aperceberam-se de que têm vários materiais a seu dispor (desde que não sejam originais, para variar da Sony) e a que podem dar uso, de maneira a poder fazer um bocadinho do dinheiro anual que as distribuidoras gostam de fazer, e agora temos, digamos, um “spin-off” que tenta ao máximo para conseguir ter o mesmo carisma que a dupla anterior, ou o charme/ambiente cómico que os filmes sabiam trazer, mas falha na maior parte das tentativas. 


Para maior dos meus espantos, o que eu achava que ia salvar o filme foi aquilo que mais me decepcionou, que foram ambos os protagonistas, interpretados por Chris Hemsworth e Tessa Thompson. Estes tiveram excelentes a contracenar um com o outro em Thor: Ragnarok (e algumas cenas de Avengers Endgame), mas aqui apenas parece faltar um bom bocado dessa química. Talvez não seja tanto culpa deles, mas mais direcionada ao argumento aborrecido que utilizava todos os pontos já utilizados na trilogia anterior, ou tornando-o extremamente previsível.

Gostava de falar de outros membros do elenco, mas a maior parte acaba por ser desperdiçado. Seja Liam Neeson ou Emma Thompson, estes não têm sequer tempo suficiente no ecrã para terem algum tipo de mérito ou interpretação merecedora de menção, o que é pena. 


A história pode ter ficado muito aquém, mas ao menos todo o lado técnico do filme, como efeitos e sonoridade, está top… certo? Nem por isso. Os efeitos especiais estão, na maior parte, feios, e a maneira como tudo é filmado acaba por piorar. Por exemplo, a cena, que até está no trailer, em que os protagonistas vão numa mota para o céu tem um dos piores CGI que vi este ano, sendo até pior que o filme que saiu a semana passada dos X-Men. A banda sonora, para além de trazer o tema da série original que o pessoal adora, não tem nada de extraordinário ou destacável, tornando-a quase que nula durante o filme. 

Sim, o filme pode ter alguns momentos em que pode fazer o expectador rir, ou dar uma simples risada interior, mas não é nada genial. Apenas tem alguns momentos em que Chris Hemsworth consegue improvisar enquanto Tessa tem a mesma cara sem expressão que tem a maior parte do filme, o que ocupa a maior parte da duração, e isso acaba por se tornar chato e aborrecido. Pelo menos a personagem de Pawny (ou Peãozito em português) já contém alguns momentos mais hilariantes, mas só aparece quase a meio do filme, e mesmo que esteja na última metade, o filme parece esquecer-se várias vezes que a personagem existe, tornando-a desnecessária para a maioria da narrativa.


O que torna isto mais estranho é o facto de o filme ser realizador por F. Gary Gray, que já realizou vários clássicos nos anos 90, e ainda o aclamado Straight Outra Compton que foi lançado mais recentemente. Ele já mostrou, mais do que uma vez, que é um realizador bastante competente e que sabe o que está a fazer. Mas desde o momento em que pisou o território hollywoodesco em 2017 com Fate of the Furious, parece que o seu olho para a coisa mudou, e agora é como se a sua carreira estivesse a cair aos poucos. Não sei se a culpa do filme estar assim é completamente dele ou não, mas espero que este volte a tomar rédeas e o rumo que este estava a seguir em 2015.

Para um filme que eu nem sequer antecipava, MIB foi uma desilusão ainda maior que X-Men. Desinteressante e apoquentado, acho que este acaba por ser a maior desilusão que irá sair durante o resto do verão, que “ainda agora” começou. Sendo este um filme sci-fi, onde há lugar para inúmeras originalidades, é apenas um filme preguiçoso e banal que só mostra desinteresse em querer algum tipo de inovação, transmitindo esse mesmo desinteresse ao espectador.

4/10
SOBRE O AUTOR

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

8 comentários:

  1. Oi Diogo, tudo bem?
    Gostei da crítica sincera.
    Eu não era fã nem do filme original, portanto não fiquei muito curiosa pra este. Sabendo que os protagonistas não tem química, desanima mais ainda.
    Beijos,

    Priih
    http://infinitasvidas.wordpress.com

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    1. É logo no aspeto principal que o filme mais falha...

      Beijos!

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  2. Não conheço o original e também não estou curiosa em relação a este.

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    1. Acho que devias dar uma vista de olhos ao original, pelo menos. É um bom filme. Não precisas de ver mais nada depois disso!

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  3. Acredito que o filme seja bom, mas não faz o género de filmes que gosto de ver...
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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  4. Gostei da análise. Ainda naõ vi o filme, mas faz meu gênero! :)

    O Planeta Alternativo

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