terça-feira, 25 de junho de 2019

Michael Jackson e eu

O que seria dos anos oitenta se não houvesse o rubro todo de ouvir a toda a hora o “Rei da Pop”? Eu posso não pertencer a essa década, e mal pertencer à de noventa, mas facilmente consigo imaginá-la, especialmente graças ao meu pai que trabalha na área da música e bem conservou dois vinis do Thriller, sendo que um deles até tem um velho selo que comprova que pertencia a uma discoteca. Ele soube mostrar-me não só o tipo de música mais recente (na altura), como me mostrou os clássicos, de maneira a poder perceber de onde surgiram todos os géneros musicais que por aí andam. Desde Dire Straits a Los Farmlopez, ele mostrou-me de tudo o que lhe dava prazer ouvir enquanto crescia, e não podia faltar o Michael Jackson. 


Ainda me lembro como se fosse ontem: era madrugada de 25 de Junho de 2009, e a minha criança de onze anos estava apenas a ver televisão (se calhar até a ver o Pink Floyd The Wall no antigo canal da MGM, mas não tenho a total certeza desse pormenor). Sei que quando acabou e mudei para outro canal, ou SIC ou TVI, e, pouco tempo depois, pararam seja o que fosse que estavam a transmitir para passar uma notícia de última hora. Eram por volta das duas ou três da manhã, um pequeno espectador não sabia sequer o que esperar, quanto mais um adulto que estava a dormir para ir trabalhar no dia a seguir. Foi então que surgiu o cabeçalho a dizer: “Michael Jackson morreu”. Estupefacto, algo dentro de mim morreu também, e apenas senti vontade de me levantar e acordar o meu pai para lhe dar a trágica notícia. E foi o que fiz. Ele, apesar de rabugento, levantou-se da cama e foi ver o que lhe queria mostrar na televisão. Foi aí que até ele se sentou, calado, a olhar para a televisão, e acho que sentiu exatamente o mesmo que eu. Seria esta uma memória que, dez anos depois, ainda me recordo, lembrando-me sempre a inspiração e o legado que a figura de Michael Jackson tinha deixado. 


Pouco tempo mais tarde foi anunciado um documentário que mostraria o esforço que o cantor e a sua equipa estavam a ter para prepararem uma nova tournée, sendo estas as últimas gravações existentes do cantor, intitulado This is It. Foi um filme que fui ver na semana de estreia ao custo de uma boa nota no teste de Ciências, que era uma disciplina onde não me saía tão bem. Mas valeu bem a pena o esforço para a boa nota, pois mal o vi naquele grande ecrã do CascaisShopping foi como levar um murro no estômago... No bom sentido. Eu não fui sozinho, fui com um amigo que amava o Michael Jackson ainda mais que eu, ao ponto de até tentar dançar Moonwalk como o Rei, mas sempre sem sucesso. Mas, ao vermos todo o esforço e dedicação que um homem é capaz de ter só para agradar a imensidão de fãs a nível mundial, foi devastador. Lágrimas foram derramadas ao perceber que eu nunca iria ter hipótese de o ver ao vivo uma única vez. E sabia perfeitamente que não ia ser o único a ter esta sensação.


Mas o que mais me deixou impacto na figura de Michael Jackson não foi o This is It ou os seus vários álbuns de Platina e Ouro. Por mais estranho que pareça, foi o filme Moonwalker de que o meu pai nunca se calava de ter visto no cinema. Aos olhos de uma criança, aquilo (porque dificilmente se pode chamar filme) é um entretenimento perfeito: desde crianças a recriar o videoclip de Bad a uma perseguição demoníaca em stop motion, a única coisa que havia de aterrorizador eram apenas as aranhas que os maus da fita tinham em todo o lado! O problema é que, ao crescer, percebe-se que aquilo não passa mais do que uma compilação de vários clips e acontecimentos da carreira de Michael Jackson, que se juntam para fazer o tamanho de uma longa. A meio do filme, sim, acaba por ter uma história, onde Michael Jackson é um ser espacial que está a ser procurado por Joe Pesci, enquanto, ao mesmo tempo, tenta proteger um grupo de crianças. É aí que surge o icónico momento em que se vê o clip de “Smooth Criminal” pela primeira vez, tornando-se instantaneamente um favorito para fãs. A história do filme pode ser pequena, mas não é nada de ofensivo. É um filme comercial com o simples propósito de entreter – ou promover o novo álbum do MJ, como preferirem. 


Faz então, hoje, 10 anos desde que ele partiu, destroçando imensos corações. Foram vários os canais televisivos e estações de rádio que passavam vezes e vezes sem conta as canções que ele nos deixou, e ainda foram várias as canções lançadas após a sua morte, de maneira a tentarem mostrar que ele ainda não morreu – não, não é nenhuma teoria macabra de que ele ainda está vivo. Mas, com o passar do tempo, parece que o Rei foi esquecido. Até mesmo hoje, esta notícia mal parece surgir seja no feed de notícias ou outro local qualquer. Infelizmente as pessoas estão mais interessadas em difamar a carreira do cantor, mesmo após a sua morte, intensificando os problemas que já tinham sido deixados no passado. Estou, obviamente, a referir-me ao controverso documentário Leaving Neverland, que voltou a trazer ao de cima os problemas de que Michael Jackson era vítima, contra ele próprio. Não vou dizer que tudo o que foi dito foi mentira, e provavelmente nunca iremos saber o que foi ou não ficção, mas tendo em conta que após o lançamento a maior parte das pessoas que dizem ser vítimas do cantor foram desmentidas, e até o facto de que já seja muito difícil de ver o próprio documentário na HBO, deixa muito que pensar. 


Sejam quais forem as razões pelas quais a pessoas estão contra uma das maiores figuras da música a nível mundial, toda a gente é incapaz de negar todo o seu legado e tudo o que ele deixou para trás na indústria musical. E, dez anos após a sua morte, escrevo esta “carta de amor” ao cantor, que eu nunca tive coragem de escrever. Talvez, finalmente, sirva como uma despedida final à figura que acompanhei durante maior parte da minha vida. Ou uma maneira para eu recordar todo o tempo que passei a ver os seus videoclips, ou a abanar o capacete com a batida do “Beat It” ou cheio de medo do “Thriller”. De qualquer forma, Michael Jackson será sempre um ídolo para mim, e para muitos de milhares de pessoas, mesmo que este já não seja mais relembrado como quando era vivo...  

Let us dream of tomorrow where we can truly love from the soul, and know love as the ultimate truth at the heart of all creation.
Michael Jackson
SOBRE O AUTOR

Apreciador, e colecionador, de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man de Sam Raimi.

13 comentários:

  1. Cresci a ouvir as músicas dele. O dia da sua morte foi muito triste para mim também. Perdeu-se uma grande voz...

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  2. Nos anos 80 frequentei uma discoteca que abria sempre com o Thriller, era épico.
    Também vi o This is us e fiquei chocada com a condição física dele.

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    1. O meu pai disse-me exatamente o mesmo sobre a discoteca de onde lhe deram o vinil!

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  3. Meu Deus, que preciosidade deve ser, ter dois vinis dele.
    Há acontecimentos que, mesmo sendo alheios à nossa vida e muito longe de nós, nos marcam sempre. Também me lembro onde estava quando soube que o Rei da Pop morreu. Não soube de madrugada, soube de manhã, quando estava a fazer compras na Zara.
    Infelizmente, para muitos é difícil separar a obra do artista, e este é um grande exemplo. Não sei distinguir o que é verdade da mentira acerca do Michael Jackson, mas não deixo de admirar o grande artistas que foi.
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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    1. Ter dois vinis do Thriller não é nada de extraordinário, especialmente tendo em conta que ainda hoje é o disco mais vendido de todos os tempos...
      Obrigado pelo comentário!
      Beijinhos

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  4. Vi recentemente o documentário e sinceramente não sei o que pensar, é de certa forma controverso. O que sei é que o talento deste senhor é inegável, um verdadeiro artista :)

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    1. Eu ainda não vi o documentário, honestamente. Nem sei se algum dia irei ver...

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  5. Ainda não vi o documentário, mas sempre gostei e continuo a gostar das músicas dele.

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    1. Difícil deixar de gostar das músicas dele, sejam elas pop ou mais lentinhas!

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  6. Diogo obrigado pelas palavras que escreveste, porque eu só fiz o meu trabalho de te mostrar os estilos de musica existem no mundo não muitas mas sim aquelas que conheço e escuto como promotor de musica não foi no intuito de seguires os meus estilos mas sim tu poderes escolher o teu próprio estilo.

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