domingo, 2 de junho de 2019

"Nosferatu" (1922) a rebobinar

Amanhã, dia 3 de Junho, vai estrear a série NOS4A2 no canal AMC e quando tomei conhecimento desta nova aposta do canal fiquei com uma enorme vontade de ir rever o clássico de 1922, Nosferatu. À partida, parece-me que a série pouco está relacionada com o filme, para além de ter o mesmo nome. A história é muito distinta, sendo baseada no livro homónimo de Joe Hill, mas voltamos a ter uma criatura imortal que se alimenta do sangue e da alma dos humanos. 


Foquemo-nos agora apenas no filme Nosferatu (cujo nome remete para uma palavra romena que significa “repugnante”), considerado um dos grandes clássicos da era dos filmes silenciosos e que foi também um arranque no género dos filmes de fantasia e de terror. De modo a tornar tudo mais curioso, decidi trazer para aqui também a história real por detrás do filme. O realizador F.W. Murnau queria fazer um filme baseado no Drácula de Bram Stoker, mas, depois de este seu desejo ter sido negado devido aos direitos ligados à obra literária, optou por criar a sua própria personagem e a sua própria história – ainda assim, o resultado pode ser muito bem considerado uma das primeiras adaptações de Drácula. O filme foi produzido pela Prana-Film, uma produtora fundada em 1921 que apenas produziu este mesmo filme e por insistência do diretor Albin Grau, que queria fazer um filme sobre vampiros, pois acreditava que o seu próprio pai tinha sido um. Claro está que o motivo da falência da produtora está relacionado com os direitos de autor de Bram Stoker, pois considerou-se que a sua obra tinha sido usada sem autorização. 

A trama, passada na Alemanha, apresenta-nos Hutter, que é um corretor de imóveis que precisa de vender o castelo onde habita Graf Orlock, um conde que, na verdade, é um vampiro que costuma espalhar o terror naquela região. Hutter tenta convencer Orlock a mudar-se para a casa em frente à sua, mas este só aceita quando começa a interessar-se pela mulher de Hutter, Ellen. É de notar que aqui não temos um vampiro charmoso, mas sim um monstro, que pode ser considerado uma praga, como a peste negra ou a febre bubónica, é algo sujo e nojento que apenas causa medo. 


Apresentando-nos uma cinematografia peculiar, bizarra e criativa, temos um fantástico jogo de sombras e um design de produção que está inteiramente relacionado com o expressionismo alemão, levando à criação de algo imbatível, que é capaz de nos cativar do início ao fim. 

Quase cem anos depois, este filme continua a manter o seu tom sinistro, muito derivado da aparência das personagens, graças a uma grande qualidade nos figurinos e na maquilhagem, capaz de ter transformado o ator Max Schreck numa criatura horrorosa. E ainda que a personagem possa parecer tonta aos olhos atuais, não deixa de ser aterradora. Acontece que os elementos que tornaram o filme num sucesso continuam a ser apelativos atualmente. Mesmo com os grandes avanços tecnológicos que levam cada vez mais a uma melhoria dos efeitos visuais, este filme consegue, de um modo simples, mas bem pensado, deixar-nos desconfortáveis. 


Sendo um filme silencioso, os diálogos são expostos em frases. Ainda assim, nunca temos silêncio, pois o filme é acompanhado de uma fortíssima banda sonora, composta por Hans Erdmann, capaz de acentuar o suspense. É uma verdadeira sinfonia de horrores, capaz de nos arrepiar até às pontinhas dos cabelos. 

Pela criatividade que apresenta, pela excelente imagem e figurinos, pelo impulso que deu ao género, pelo desconforto que nos provoca, Nosferatu é, sem dúvida algum, um dos essenciais da sétima arte!
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

6 comentários:

  1. Acho que nunca tinha ouvido falar deste filme, confesso. Mas também não é um género que me cative

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  2. Excelente apresentação do filme. Obrigada.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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  3. Acreditas que nunca vi? Uma grande falha que tenho que corrigir! :)
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