quinta-feira, 6 de junho de 2019

"O Resgate do Soldado Ryan" (1998) e o Dia D

No dia 6 de Junho de 1944 tivemos uma reviravolta da Segunda Guerra Mundial que mudou a história da humanidade e foi o início de um travão na expansão do domínio nazi. Celebra-se agora o 75º aniversário do Dia D, o dia em que se deu o desembarque das tropas americanas nas praias da Normandia, para enfrentarem uma luta que já não era só da Europa. Como neste espaço se fala de filmes, a melhor maneira de trazer a história deste dia ao de cima é, precisamente, pegando num e não há filme melhor relacionado com isto que O Resgate do Soldado Ryan (1998) de Steven Spielberg. 


O filme conta a história de um grupo de soldados que recebe uma missão: encontrar um soldado chamado James Ryan e levá-lo para casa. Os seus irmãos morreram todos em batalha e imaginar a dor de uma mãe ao perder todos os seus filhos faz com que vários soldados arrisquem a vida para encontrar esta pessoa que para eles é apenas um nome. 

O início do filme passa-se na zona da Normandia, num cenário real. Os primeiros segundos são mesmo filmados no Cemitério e Memorial Americano de Omaha Beach. Esta é, no entanto, a única parte que é realmente filmada em França. Tudo o resto foi gravado em Inglaterra ou na Irlanda, em cenários inspirados nas memórias dos soldados e em imagens antigas. 


Neste filme somos constantemente confrontados com a morte. Existem muitas cenas de bombardeamentos e tiros. Se não suportam ver sangue, este filme não é para vocês. É tudo apresentado de um modo muito real e nada está censurado. Mostra o pior da Guerra de uma maneira que poucos filmes são capazes de fazer. E depois de cada morte, há sempre a revolta contra o inimigo, o que acaba sempre por causar mais mortes. São momentos de puro horror em que presenciamos o pânico, a dor e o sofrimento. 

Quase tudo neste filme pode ser considerado verídico: as batalhas estão muito idênticas ao que realmente aconteceu e os planos também são os mesmos, os barcos usados no início são como os que invadiram Omaha Beach no Dia D, o “mar de sangue” é realista e até mesmo os uniformes são iguais aos dos soldados que lá combateram na vida real. Mas as personagens e muitos dos lugares são fictícios, ainda que inspirados em pessoas e localizações reais. Não existiu nenhum Ranger chamado John Miller, nem nenhum James Francis Ryan. No entanto, esta segunda personagem foi inspirada em Frederick “Fritz” Niland, que foi o único sobrevivente de quatro irmãos e cuja mãe recebeu as notificações da morte dos três ao mesmo tempo - tal como acontece no filme. Também Romelle, o lugar onde acontece a última batalha do filme e onde se encontrava o soldado Ryan, não existe. 


O filme é quase todo composto por cenas de plena guerra, mas por vezes existem momentos mais calmos. É de destacar a sequência em que quatro soldados estão sentados numa escadaria a fumar, a conversar e a ouvir músicas de Edith Piaf, enquanto um dos homens, que percebe francês, vai traduzindo as letras das canções. É um momento belo e até mesmo poético no meio do caos - podem clicar aqui para ver. 

Dotado de uma beleza incrivelmente crua, este filme é, assim como os acontecimentos históricos que o inspiraram, algo que fica para a História e cabe a todos nós manter estas memórias vivas, para evitar que a História se repita.
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações. Vi na criação deste espaço o local ideal para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto.

20 comentários:

  1. Este filme é qualquer coisa de especial, eu não sou grande fã de filmes de guerra, mas gostei bastante deste, está na lista dos filmes que gosto e que me marcaram de alguma forma. =)

    MRS. MARGOT

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É um filme mesmo incrível. Arranca-me sempre uma lágrima...

      Eliminar
  2. Guerra, terror, dor, destruição e morte. Ver tudo isso em filme de ficção. Bom era que nunca tivesse sido nem nunca fosse sentida essa triste realidade. Mas filmes são filmes e o que mais interessa é sua qualidade!!!

    Tenha uma boa tarde, quase de invernia, Joana Grilo.

    ResponderEliminar
  3. Tenho-o em lista de espera há muito tempo! Sinto que está na altura de, finalmente, o conseguir ver

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É um dos meus filmes favoritos, Andreia. Recomendo vivamente!

      Eliminar
  4. Não vi este filme, mas pela excelente descrição, que aqui foi feita, fiquei com imensa vontade em vê-lo, embora filmes de guerra me atormentem.
    É verdade, Joana! Celebra-se, hoje, o 75º aniversário do desembarque das tropas americanas na Normandia. Um pouco do negro da História e que é preciso conhecer para que não se repita.

    Beijos e que o tempo melhore!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada pela visita, Céu! E recomendo vivamente que veja o filme!

      Eliminar
  5. Retificando: "...fiquei com imensa vontade DE vê-lo…" A preposição de, neste caso, é mais correta do que "em".

    ResponderEliminar
  6. Não sou muito fã de filmes de guerra, e quando saiu este filme não tive muita vontade de ver, mas quando soube realmente todo o sentido, e o motivo, fui ver, e percebi que não era de todo só mais filme de guerras!

    ResponderEliminar
  7. Sou fã de filmes sobre a Segunda Guerra.
    Vi este e adorei.
    Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu também sou fã, porque através dos filmes sempre ficamos a conhecer um pouco melhor a História!

      Eliminar
  8. Gosto de filmes inspirados em guerras e não tão reais, como referiste (não sei se me fiz entender) por isso acho que este ainda vai ficar em lista de espera um tempinho! Um que gosto bastante é "Os Caçadores de Tesouros" - achei fantástico!

    https://aritateixeira.blogspot.com/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Entendi o que queres dizer. Por acaso nunca vi "Os Caçadores de Tesouros". Vou tentar ver em breve, então!

      Eliminar
  9. Olá, Joana!
    Gostei demais desta tua postagem, na qual falas sobre a Segunda Guerra Mundial, que inspirou muitos diretores de cinema, principalmente os norte-americanos. Neste teu trabalho mencionas um dos filmes de que gostei mais, sobre esse tema: "O Resgate do Soldado Ryan". Todo este teu trabalho, Joana, está excelente. Parabéns.
    Votos de boa sexta-feira.
    Abraço.
    Pedro

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada, Pedro! Fiquei muito feliz ao ler o seu comentário!

      Eliminar
  10. Sempre quis ver O Resgate do Soldado Ryan, mas ainda não tive oportunidade.
    Parece ser ótimo, eu gosto de filmes assim e com essa temática.
    E com toda certeza esse tipo de filme e lembrança nos serve para jamais repetirmos as coisas ruins do passado.

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Recomendo muito que vejas o filme! É um dos melhores sobre a Segunda Guerra Mundial!

      Eliminar