sexta-feira, 21 de junho de 2019

Para o infinito e mais além!

Quantas pessoas por aqui, tal como eu, cresceram a ver as aventuras de Woody, Buzz, Jessie e companhia? O primeiro filme de Toy Story foi lançado em 1995 e foi um grande marco para os avanços tecnológicos nos filmes de animação. Para além disso, foi também o primeiro filme dos estúdios Pixar e por esse motivo tem Steve Jobs como um dos produtores, depois de a companhia ter sido comprada por ele em 1986. Curiosidades à parte, o que é certo é que as histórias dos brinquedos do pequeno Andy foram um sucesso e, por isso, chegamos agora a vésperas da estreia do quarto filme da franquia. Mas antes de apresentar o meu veredicto sobre Toy Story 4, decidi viajar pelos três filmes anteriores e mostrar o porquê de serem tão especiais. Preparados para descolar? Vamos, então, numa viagem “para o infinito e mais além”! 


Realizado por John Lasseter, o primeiro filme, Toy Story: Os Rivais, foi uma apresentação perfeita. O mundo ficou a conhecer o xerife Woody, um boneco que é um cowboy, e o seu novo rival, Buzz Lightyear, um brinquedo muito mais moderno que é oferecido a Andy, a criança de Woody. Ora, bem, os brinquedos servem para brincar, então um brinquedo que já não faz essa sua função deixa de servir seja para o que for; e esse é o maior medo de Woody, quando percebe que Andy começa a ficar mais interessado em Buzz. Por isso, faz de tudo para eliminar o rival. No entanto, percebemos que Woody não é do género de deixar alguém (ou algum brinquedo) para trás, então rapidamente arrepende-se das suas atitudes e decide ajudar Buzz, partindo, então, os dois numa grande aventura, para depois mais tarde conseguirem regressar para Andy e os outros brinquedos. 


Os brinquedos de Andy são um verdadeiro espelho dos brinquedos que todos nós tivemos durante as nossas infâncias e isso torna o filme, de um certo modo, real. Porque qualquer um de nós foi como o Andy. A diversidade de brinquedos é transmitida não só pelas diferenças entre todos eles, mas também pelo modo como falam, levando a vários momentos cómicos durante o filme. Por exemplo, quem não se lembra do Sr. Cara de Batata ou do dinossauro Rex com os seus mini ataques de pânico? Por muito secundária que seja alguma destas personagens, todos eles se tornaram inesquecíveis. Claro que Woody e Buzz são os verdadeiros protagonistas deste filme, mas todos nos lembramos bem de Bo Peep, a namorada de Woody, e das suas ovelhas, ou até mesmo daquele “brinquedo” do menino “terrorista” do filme, Sid, com uma cabeça de Nenuco e umas pernas de arame a lembrar uma aranha. A atenção dada aos detalhes em cada caracterização dos brinquedos é um dos grandes aspetos positivos deste filme e que será sempre um ponto a favor também dos filmes que o sucederam. 


Já em 1999, temos Toy Story 2 – Em Busca de Woody, também realizado por John Lasseter e contando ainda com Ash Brannon e Lee Unkrich (realizador de Coco em 2017) como co-realizadores. Aqui, tal como o nome indica, Woody desaparece depois de ter sido, acidentalmente, levado por um colecionista que viu nele uma grande oportunidade de ganhar um bom dinheiro. Acontece que Woody era um boneco de coleção, mas a coleção da qual ele fazia parte só valia alguma coisa se estivesse completa. Este é o caminho direto para ficarmos a conhecer Jessie, Bala, o fiel cavalo de Woody, e o manhoso Stinky Pete, que, sejamos sinceros, foi capaz de nos enganar (e bem) ao longo do filme. 


Seguindo uma estrutura idêntica à do primeiro filme, penso que aqui é mais acentuada a temática do resgate de uma personagem, que no filme a seguir será retomada. Parece que em Toy Story há sempre alguma personagem que precisa de ser salva, pois, lá está, não se pode deixar nenhum boneco para trás. Desta vez, Woody é esse boneco que se vê longe de casa e vemos bem a angústia de Andy quando começa a achar que o perdeu. Claro que os outros brinquedos não podem deixar o rapaz triste e o grande objetivo deste filme é encontrar Woody e trazê-lo para casa. Só que no final não temos apenas o regresso do xerife, mas também o acrescento de Jessie e Bala à coleção de brinquedos. Stinky Pete, por sua vez, lá ficou pelo caminho, por ser um brinquedo vingativo. 


Por gosto pessoal, tenho de destacar uma sequência fantástica neste filme que é aquela em que Woody é restaurado. É uma sequência que sempre me trouxe uma certa admiração devido a um enorme perfecionismo na sua composição. Mais uma vez, a atenção ao detalhe é extraordinária e aqui já se nota um pouco da tal evolução no estilo da animação, com grandes planos, seja nos pequenos pormenores de Woody ou até na tentativa de enfiar uma linha numa agulha.


Vários anos depois, talvez inesperadamente, em 2010, chega Toy Story 3, já com uma grande diferença a nível visual e já, claro, sem lançamento em VHS. Realizado por Lee Unkrich, este filme é um verdadeiro tiro no coração, começando logo por deixar clara a tristeza de Woody perante o facto de Bo Peep ter sido doada (apenas para regressar agora no quarto filme). Tal como todos nós, Andy cresceu e começou a deixar os seus brinquedos para trás, fazendo com que estes se sentissem abandonados. É, então, que todos são levados para Sunnyside, uma espécie de creche. A doação dos brinquedos é, basicamente, feita por acidente, pois o verdadeiro destino deles era o sótão, e ainda que alguns deles encontrem naquele espaço uma nova vida, Woody apenas quer voltar para Andy e tenta sair dali. Pelo meio, no entanto, aparece um urso de peluche chamado Lotso, que depois de ter tido um momento traumático na sua vida passa a sentir um certo ódio pelas crianças e por outros brinquedos, tentando, assim, “aniquilar” os brinquedos de Andy. Claro que no final tudo corre bem e todos voltam para casa, apenas para depois termos um dos momentos mais tristes do franchise: a despedida de Andy. 


Ao perceber que, de facto, já não vai brincar mais, Andy decide doar os seus brinquedos a Bonnie, uma criança tímida e com uma grande imaginação que estava em Sunnyside (a sua mãe trabalhava lá, na verdade). Só que Andy tinha decidido levar Woody consigo para a faculdade. Assim sendo, é com uma grande surpresa que o jovem percebe que Woody (que não podia deixar os amigos) estava no fundo da caixa de brinquedos. Ainda que ao início fique apreensivo sobre a ideia de oferecer Woody, Andy vê em Bonnie alguém que realmente vai brincar com o seu fiel companheiro. Quem tiver visto os outros dois filmes durante a infância e chegar a este final sem deitar uma única lágrima é porque certamente não tem coração! 


Tal como referi, resgatar outros brinquedos e desaparecimentos já são o plot habitual em Toy Story, mas é algo que continua a resultar pois os filmes não se resumem só a isso. Os próprios brinquedos são a alma do filme, seja pelas suas histórias (com destaque para a de Jessie e também para a de Lotso, que são personagens com passados tristes) ou pelas suas personalidades. Sentimos que os brinquedos são, tal como Andy, como nós. E neste Toy Story 3 vemos mesmo que estes também têm a ideia de morte, seja por serem esquecidos ou até mesmo mortes duras como morrer queimado – a sério, os brinquedos deram as mãos perante a ideia de morrerem todos juntos! 


O que mais há a dizer? Toy Story atingiu um nível de perfeição na animação ao longo de vários anos. Se quando o primeiro filme foi lançado passou por uma espécie de teste no que toca à sua aceitação (a animação 3D certamente não foi vista com bons olhos por todos), os outros dois filmes foram logo sucessos garantidos, tal como agora o quarto também vai ser. Talvez pela história, pelas personagens, ou mesmo pela nostalgia que estes filmes trazem a pessoas que cresceram a vê-los.
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações. Vi na criação deste espaço o local ideal para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto.

12 comentários:

  1. Faz mesmo parte da minha infância, tanto os filmes em cacetes como os jogos para a Play1 !
    Sem dúvida que marcou a minha infância :)

    with love, <3

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  2. Que viagem maravilhosa. Obrigada por isso, Joana *-*
    Toy Story fará sempre parte da minha vida

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    1. E da minha também! Cresci a ver os filmes! Obrigada, Andreia! 😄

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  3. Sem dúvida alguma de que são "o" óculo :D

    Dos meus filmes preferidos e dos que melhor me lembra a infância +.+

    NEW WISHLIST POST | CAME THE TIME OF "I DON'T NEED ANYTHING, BUT ...
    InstagramFacebook Official PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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  4. Amo demais esse filme *-*

    Beijos,
    www.thalitamaia.com

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  5. Do que me foste lembrar! Já vi este filme tantas vezes :)

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