terça-feira, 25 de junho de 2019

"Toy Story 4" em análise

Nove anos depois de termos visto os brinquedos mais famosos do mundo pela última vez nos cinemas, chega agora um novo capítulo, que de um certo modo era inesperado, depois do final do filme anterior que parecia fechar um franchise. No entanto, agora mais do que nunca é visível que esse final se limitou a fechar um ciclo e ainda que talvez poucas pessoas tenham pedido um quarto filme, este é mais do que bem recebido. Toy Story 4 continua a ter grande parte da equipa que os outros filmes anteriores tiveram, mas desta vez a realização fica a cargo de Josh Cooley, que se destaca aqui na sua primeira realização de uma longa-metragem. Este quarto capítulo traz de volta todas as personagens que já conhecemos, mas parece-me que deixa claro desde início o seu objetivo: ora, se o terceiro filme se focava em fechar o ciclo da cumplicidade entre Andy e Woody, este deixa bastante explícita a intenção de fechar o arco de Woody apenas e, para isso, vai pegar em algumas pontas que, ainda que não estivessem propriamente soltas, estavam certamente mal atadas. 


Se há algo que se destaca logo na sequência inicial do filme é o modo como parece real, mesmo sendo um filme de animação. Seja nos movimentos, nos cenários ou até mesmo nas próprias personagens, é de notar a atenção dada ao estilo da animação. Chega a ser assustador o modo como este filme parece realista, quando comparado com o primeiro filme ou até mesmo com o terceiro. Neste notam-se até as texturas das roupas e percebe-se melhor os materiais dos quais cada brinquedo é feito. Bo Peep, por exemplo, parece, mais do que nunca, uma boneca de porcelana e, ainda que a tenham tornado numa personagem dinâmica e até mesmo atlética, o facto de ela ser feita de um material frágil nunca é esquecido, estando essa ideia sempre presente através de pequenos sinais. 

A trama segue a fórmula dos filmes anteriores e existe a possibilidade de algumas pessoas virem a achá-la repetitiva, mas não foi o meu caso. É verdade que voltamos a ter uma espécie de resgate, tal como já aconteceu anteriormente, mas pareceu-me que isso foi apenas um fio condutor destinado a cumprir um desfecho merecido e que sabemos que é algo que até era necessário, ainda que possa parecer agridoce (pelo facto de, claro está, nos partir novamente o coração de um modo quase tão cruel como Toy Story 3 fez). 


O tom de humor a que Toy Story já nos habituou continua presente e parece-me que está mais atual, mais moderno. Neste aspeto, é preciso destacar duas personagens que, para mim, foram capazes de transmitir grandes momentos cómicos: Ducky e Bunny, dois peluches de feira popular que são uns verdadeiros compinchas. Apenas lamento que com a chegada de novas personagens, o grupo antigo tenha tido menos destaque, mas, ainda assim, reconheço que isso tenha sido propositado (por exemplo, o Sr. Cabeça de Batata pouco aparece, mas penso que poderá ter sido devido ao facto de o ator que lhe dava voz na versão original, Don Rickles, ter falecido em 2017) e, por muito cru que isto possa soar, também não se notou assim muito a falta dessas personagens mais antigas, devido à riqueza das novas caras. 

Claro que as personagens que mais se destacam no filme são Woody e Bo Peep, que regressa agora depois da ausência no terceiro filme. Woody continua a ter a mesma personalidade que sempre teve, mas as suas reações transmitem bem as suas incertezas em relação à partida de Andy e o acolhimento por parte de Bonnie. Já Bo Peep, que no primeiro e segundo filme foi apenas uma personagem secundária, torna-se aqui numa personagem muito mais complexa e capaz de centrar todas as atenções em si cada vez que aparece em cena. Aqui tenho também de referir a nova antagonista da história, Gabby-Gabby, que, ainda que pareça um pouco malvada ao início, é uma personagem bem construída e capaz de nos conquistar com as suas ações finais. Por sua vez, temos ainda Garfy, que é uma personagem essencial neste filme e que levanta a grande questão: “o que é ser um brinquedo?”, levando todos os outros também a tentar descobrir que tipo de brinquedo querem ser afinal. 


Tal como disse no início, eu nunca pedi por um Toy Story 4 e penso que existe muita gente nesta situação. Mas fico feliz que tenham feito este filme, pois sinto que agora, sim, temos um final que precisávamos de ter, ainda que não soubéssemos. Temos um filme capaz de trazer de volta toda a nostalgia, mas também com uma enorme capacidade de modernizá-la. Penso que estamos perante mais um clássico instantâneo.

9/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

16 comentários:

  1. Estou muitoooo curiosa pra assistir esse filme e lendo seu post deu mais vontade ainda de ir correndo no cinema ver!!
    Achei bem interessante essa questão de pensar "o que de fato é ser um brinquedo" lembrei de mim quando criança, que qualquer objeto pode ser um brinquedo. Muito bem pensado!

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Acho que este filme vai muito ao encontro dessa ideia, de qualquer objeto ser capaz de ser um brinquedo! 😊

      Eliminar
  2. Muito, muito, muito curiosa com este quarto filme! Mal posso esperar para o ver *-*

    ResponderEliminar
  3. Oi Joana, tudo bem?
    Adorei ler sua opinião, apesar de discordar dela.
    Meu review sobre o filme sai domingo, mas adiantando um pouco: achei o filme cansativo e, infelizmente, o final não me convenceu por completo. Pra mim, deveriam ter finalizado no 3 mesmo. :(
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Oh, lamento imenso saber. É uma tristeza enorme quando isso acontece, especialmente quando é com sequelas de filmes que realmente gostamos e que marcaram a nossa infância. Senti exatamente o mesmo com "Os Incríveis 2"...

      Eliminar
  4. Agora fiquei curiosa para ver esse final ahah

    ResponderEliminar
  5. Não vi. E talvez não veja, porque não gosto do género.
    Joana, continuação de boa semana.
    Beijo.

    ResponderEliminar
  6. Nós achamos que já estão a puxar demasiado por esta história, mas é só a nossa opinião...

    ResponderEliminar