segunda-feira, 10 de junho de 2019

"X-Men: Fénix Negra" em análise

Sim, foi bastante evidente que eu cresci, ou passei parte da minha infância, a ver filmes dos X-Men, sejam eles bons ou maus. Por isso, uma parte de mim, mesmo sabendo que o novo filme, Fénix Negra, passou por vários desastres desde o início da sua produção, desde a problemas de lançamento a compras de marcas cinematográficas, e de cortes e refilmagens, queria ter fé de que podia ainda sair algo de jeito dali, mesmo que a outra parte soubesse que ia ser quase impossível. Foram quase dois anos de espera, mas o filme finalmente saiu... Com críticas bastante desagradáveis, ao ponto de, consequentemente, deixar a Joana curiosa para ver o desastre que era conhecido como o fim de uma era (parece que acaba tudo em 2019...). Era mais que inevitável que tal fosse acontecer de qualquer das maneiras, por isso não fiquei preocupado nem espantado, e sabia que, independentemente disso, ia acabar por o ir ver, e tirar as minhas próprias conclusões.


Eu não saí do filme ofendido. Muito menos a sentir ódio completo. Senti-me indiferente. Senti o mesmo que muitos acharam: que devia ter acabado com o Logan (2017), e o fim da série seria mais que perfeito, especialmente tendo em conta que o filme mal quer saber de qualquer storyline já introduzida em filmes anteriores (ou posteriores). Mas pronto, não se pode pedir muito sabendo o stress que foi apenas para o lançar no cinema.


A caracterização vai de oito a oitenta, sendo que ou há atores que se nota que se estão a esforçar para fazer o melhor possível enquanto outros se mostram apenas desinteressados ou demasiado cansados para conseguirem dar algo convincente. Óbvio que Michael Fassbender e James McAvoy continuam a ser o maior destaque na primeira categoria, mas mesmo eles já parecem mostrar, em parte, desinteresse em continuar a interpretar estas personagens que já encarnam há oito anos. Outros apenas estão lá para aparecer numa cena para dizer “Olá!” e depois nunca mais aparecem, ou apenas existem para levar o filme de um local para o outro desnecessariamente. Isso acontece especialmente com Jean Grey, que salta de sítio em sítio convenientemente para levar a narrativa em frente, e mesmo essa, interpretada por Sophie Turner, tem um papel bastante inconsistente e um pouco fora de personagem. Estes às vezes também tomam algumas decisões ou agem de forma muito repentina, o que deixa a questionar o quão cortado o filme acabou por ser.


Isso acabou por afetar imenso a história, pois acabou por ser condensado o material de supostamente dois filmes em apenas um, o que tornou todo o enredo um pouco confuso. Nota-se imenso a amálgama em que o filme se tornou quando tiverem de refilmar cerca de um terço do filme só para poder haver um final conclusivo, e que este foi apenas apressado e mal pensado. Havia inúmeras possibilidades de fazer com que o clímax, e o final em si, funcionassem, mas pareceu-me que foram por uma rota imensamente preguiçosa, e pouco relevante para a consistência (se alguma vez teve alguma para começar) da série, o que é um bocado estúpido pois Simon Kinberg, realizador e escritor da Fénix Negra, esteve envolvido na maior parte dos filmes anteriores, escrevendo-os também (à excepção de, por exemplo, o X-Men e X2, que foram escritos pelo Solid Snake).

Os próprios vilões são tão fracos quanto papel, e nem sequer fazem parte da maioria do filme senão no ato final, principalmente. Antes disso apenas aparecem em minúsculas cenas para os mostrar a reunirem-se ou a procura da Fénix, para apenas fazerem coisas que vilões fazem.


Este filme marca a primeira realização de um filme para o escritor Simon Kinberg, e este mostra que ainda tem muito para aprender, pois o filme não sabe como apresentar um bom pacing, muito graças aos vários cortes, desnecessários, entre conversas ou lutas, o que apenas torna tudo uma confusão e difícil de seguir. Percebe-se que o objetivo era para tornar as coisas mais dinâmicas, mas acabou por ficar muito ao lado. Acrescenta-se ainda que o filme está genericamente filmado, quando havia sempre espaço para fazerem algo visualmente diferente.


Os efeitos especiais, tendo em conta o tempo que demorou para acabar de produzir o filme, ficaram muito aquém do esperado para o género. Pode haver momentos em que, sim, mostram empenho e alguma credibilidade, mas há outros em que apenas fazem o filme parecer um spuff de um filme que passou no Syfy. Não são, de todo, distrativos, e alguns até passam despercebidos, mas quando não passam, é difícil de esquecer.

Em contraste, a qualidade sonora do filme está excelente, e a acompanhar está a banda sonora de Hans Zimmer, que tinha prometido nunca mais fazer uma banda sonora para um filme de super heróis depois do Batman v. Superman. Esta, infelizmente, é um pouco minimalista, e toca as mesmas notas várias vezes. Foi como um amigo comentou “é uma versão mais melódica de Supermarine a tocar constantemente, mas que até funciona e acompanha bem o filme”.


No fim de contas, Fénix Negra dificilmente consegue ser um filme mediano. Já não se esperava que fosse algo grandioso e que ficasse, sequer, a par com a banda desenhada original (nada alguma vez fará, a não ser que alguém faça o mesmo desenvolvimento que a MCU, com calma), mas esperava-se que fosse, ao menos, visível. E, por acaso, é. Não é nenhuma atrocidade, mas também não é um filme que viria muita gente a ver, mesmo que alguém as persuadisse, com ou sem opinião concreta, senão mesmo alguns fãs que já seguem os X-Men desde 2000. Não digo para evitarem o filme a todo o custo, mas acho que deviam ver e formular a vossa opinião e não apenas seguir a carruagem, pois já vi um bom número de pessoas com a mesma opinião medíocre. Mas, no final, acabamos por concordar que é uma conclusão bastante amarga para esta série de longa data.

5/10 
SOBRE O AUTOR

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

10 comentários:

  1. Agora há de tudo um pouco. Na minha infância ainda não havia televisão. Na aldeia não haviam casas de cinema. Jogava ao pião e berlinde. Depois de cumprir o serviço militar. Fugi da aldeia para a cidade, onde não faltavam as casas de cinema. Em Lisboa, no Parque Mayer, e não só. Hoje quase não existem. Gostei de ver a Pantera Cor de Rosa, o Popey com a Olivia Palito e outras mais!
    Quanto ao filme em questão ainda o não vi. Portanto, não poderei comentar, nem elogiar nem criticar!

    Tenha uma boa noite Joana Grilo.

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    1. É uma pena que essas casas de cinema tenham deixado de existir. Pessoalmente, sinto um enorme gosto cada vez que vou à Cinemateca em Lisboa, que deve ser das salas mais antigas (das que ainda existem)!

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  2. Boas, Diogo! Apesar de dizeres para irmos ver o filme na mesma, acho que vou deixar passar, tendo em conta que este mês teremos mais grandes estreias no cinema e talvez ir ver este seja deitar dinheiro ao lixo. Abraço!

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    1. Sempre podes ver em casa, que de espetacular o filme não tem assim muito! Abraço!

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  3. Artigo interessante esta que acabei de ler aqui em seu blog, estou acompanhando seus artigos alguns dias e são muitas informações interessante gostei.

    Super vale ao vivo

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  4. Não vi nenhum dos filmes, também não tenho curiosidade em ver este.

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    1. Se não viste nenhum, se calhar mais vale mesmo continuar a evitar...

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  5. Por acaso já tivemos mesmo para ir ver ao cinema, mas à última da hora trocámos de filme e, pelos vistos, ainda bem que o fizemos...

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