sábado, 6 de julho de 2019

A terceira temporada de "Stranger Things"

Depois de uma pausa de quase dois anos, uma das séries mais famosas da Netflix regressou agora para a terceira temporada. Stranger Things é um sucesso desde que foi apresentada e agora já pode ser considerada uma referência da cultura geek e também uma reunião dos maiores ícones a ela ligados, entregando, assim, um verdadeiro espetáculo nostálgico. Ora, a espera terminou, e se, tal como eu, aguardavam ansiosamente pela estreia, é bem possível que também já tenham visto a temporada de uma ponta à outra, numa verdadeira maratona, apenas com curtas pausas para ir à casa de banho. Agora chegou o meu momento de vir aqui expor a minha opinião sobre os oito episódios que compõem este novo ciclo. Tentarei evitar spoilers, mas, mesmo assim, recomendo que não leiam este artigo, caso ainda não tenham visto tudo. 


Tenho de admitir que gosto demasiado quando séries ou filmes tomam lugar em ambientes como feiras populares ou cenários repletos de luzes com cores néon. É o meu ponto fraco, pois acho sinceramente que este género de cenários e iluminações nunca falham. Especialmente quando a ideia é levar-nos a recuar ou avançar, dependendo do modo como tudo é apresentado, no tempo. Por este motivo, fiquei logo encantada quando vi os trailers e posters da nova temporada e percebi que grande parte da trama se ia passar num centro comercial, o Starcourt, onde reinam os logótipos luminosos das lojas, e numa feira popular, pois a história passa-se em plenas celebrações do 4 de Julho, pelo que a adicionar a tudo isto temos ainda verdadeiros estouros de fogo-de-artificio. 

Visualmente, tenho de admitir que acho que esta temporada foi capaz de superar as duas anteriores, não apenas pela decoração pormenorizada de todos os cenários, mas também pela atenção dada ao guarda-roupa, adequado ao momento em que tudo acontece. Temos roupas com cores fluorescentes, calções de ginástica curtos e, claro, alguns penteados cheios de cachos, daqueles que todas as mulheres usavam quando iam aos casamentos. 


Outra coisa que sempre me agradou em Stranger Things foi a banda sonora, repleta de grandes êxitos. Nesta temporada, a escolha dos temas foi ainda mais esmerada, não só trazendo uma grande diversidade de estilos, mas também sendo ainda mais capaz de introduzir as músicas nos momentos certos. Admito que apenas houve uma sequência musical que não me agradou tanto, já no último episódio, por achar que não encaixava bem naquele momento, mas mesmo assim achei adorável o porquê da coisa. 

Se o plot da segunda temporada pode ter parecido apenas uma repetição do da primeira, penso que desta vez temos a essência de Stranger Things a ser mais aprofundada. Trazendo mais novidades acerca dos monstros, lembrando um pouco o recente Nós de Jordan Peele no que toca à história, mas indo buscar uma forte inspiração visual aos filmes de John Carpenter e de Steven Spielberg. Algumas sequências tornam-se verdadeiras homenagens, especialmente a Carpenter. 


Desta vez, os monstros assumem um maior protagonismo, pois desenvolvem umas capacidades que afetam e prejudicam mais os seres humanos. Isto levou ao aproveitamento de uma personagem que já conhecíamos e que, à partida, não teria grande função, que consegue ter aqui um momento heroico, que até ficou bem a finalizar um ciclo. 

Os protagonistas de Stranger Things continuam a ser os miúdos. Admito que ao início fiquei com medo de que tudo se fosse centrar demasiado na relação entre Mike e Eleven, mas, felizmente, a série seguiu outros caminhos que foram capazes de enaltecer a amizade entre todos. A nível de prestações, eu acho que estes atores jovens fazem um excelente trabalho desde a primeira temporada. Se na segunda achei que Noah Schnapp era quem mais se tinha destacado no papel de Will, devido à sua grande credibilidade num papel tão difícil de interpretar, desta vez acho que Millie Bobbie Brown foi quem mais se destacou, especialmente no episódio final, durante o qual esta têm algumas sequências com uma grande carga dramática. 


Esta nova temporada trouxe também a chegada de algumas caras novas ao elenco, ou também um maior realce a algumas que já lá estavam, mas que até então tinham merecido pouca atenção. 

Se há uma personagem que me agradou em particular nesta temporada foi Robin, interpretada por Maya Hawke (que, caso não saibam, é a filha de Ethan Hawke e Uma Thurman), a colega de trabalho de Steve na geladaria, que se revela uma grande ajuda. Gostei da garra da miúda e também do facto de não ter apenas caído ali de paraquedas! Por sua vez, tivemos também mais tempo de antena para a irmã de Lucas, Erica, até porque sem ela não há América, não é verdade? Ambas foram essenciais para aumentar o tom cómico desta temporada, que é capaz de ter sido a mais engraçada até agora, levando a várias gargalhadas (que não são nada forçadas, pois tudo o que acontece com o objetivo de levar ao riso está absolutamente natural).


Penso que pouco mais é necessário dizer. Sei que os fãs de Stranger Things vão delirar com esta temporada. A construção do plot foi pensada ao pormenor, convergindo tudo num episódio final grandioso, com cerca de 1h15min de duração, mas que parece passar a voar, tal é o modo como somos agarrados - não por um Demogorgon, mas sim por todas as outras personagens que tanto adoramos desde início. 
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações. Vi na criação deste espaço o local ideal para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto.

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