terça-feira, 23 de julho de 2019

"Domino - A Hora da Vingança" em análise

O conhecido realizador Brian De Palma está de regresso à grande tela com Domino – A Hora da Vingança, uma produção dinamarquesa que, de acordo com o próprio, foi difícil de terminar. Na verdade, os problemas durante a sua produção foram complicados, desde pequenos imprevistos a graves acidentes e, acima de tudo, problemas com a própria produtora, que levaram a salários em atraso. Mesmo assim, cá está o resultado e penso que é necessário ter tudo isto em mente quando o vamos ver, pois todos estes problemas são bastante notáveis em vários momentos. 


O filme apresenta-nos uma história com uma certa intriga. Temos um polícia, Christian, que procura justiça depois de o seu parceiro ter sido morto por um membro do Estado Islâmico, Tarzi Ezra. Por sua vez, temos Alex, a colega e amante do falecido parceiro, que também tenta vingar-se do culpado. No entanto, Ezra é capturado por um agente da CIA, que o usa como isco para apanhar os outros membros do Estado Islâmico. 

Não vou negar: ao início estava a conseguir encontrar um certo charme neste filme. A cinematografia estava a lembrar-me os filmes de pequenos orçamentos dos anos oitenta e isso até estava a agradar-me. Mas foi sol de pouca dura, pois o rumo de tudo (história, cinematografia, banda sonora, tudo mesmo) alterou-se de um momento para o outro, perdendo esse tal charme e tornando-se em algo apressado e mal elaborado. Tudo isto comprova na perfeição os tais problemas de produção, pois percebe-se que parece não ter havido um consenso em relação ao que o filme devia transmitir ou como devia ser. 


Relativamente à história, o tema do Estado Islâmico é muito forçado, sendo completamente desnecessário na trama. Era possível ter feito a mesma coisa, mas com outros temas, pois deste modo a história leva-nos apenas a sentir uma certa repulsa e torna-se num filme cheio de ódio e preconceito - na verdade, questiono-me acerca de como um filme pode ter momentos tão preconceituosos, como se todos os donos de restaurantes de kebab fossem jihadistas

Como já disse, até um certo momento até não estava a desgostar do que estava a ver, mas depois comecei a notar alguns problemas. Posso começar por dizer que existem muitos momentos em que a câmara parece tremer e nas aproximações são visíveis muitos tremeliques que são problemáticos. E depois há graves problemas de edição, nomeadamente nos grandes planos em que são colocadas duas personagens em dimensões diferentes lado a lado, ambas focadas. Numa determinada sequência, a meio da tela percebe-se que o fundo da personagem que se encontra no primeiro plano está desfocado, mas encontra-se em confronto com o fundo focado da personagem que se encontra atrás. 


O elenco traz o regresso de dois nomes ligado à Guerra dos Tronos, Nikolaj Coster-Waldau e Carice Van Houten, que se vê aqui acompanhada pelo seu marido na vida real, Guy Pearce. Ora, se Nikolaj e Carice até conseguem entregar uma forte presença às suas personagens, Guy Pearce limita-se a ser uma personagem sorrateira, que pouco aparece em cena e que é quase descartável. O resto do elenco brilha demasiado pouco. 

Nem tudo é mau de todo e tenho de dizer que gostei especialmente da banda sonora. Ainda que não traga acordes totalmente originais, consegue acentuar os momentos de suspense, especialmente nas sequências iniciais. Muitas vezes, a banda sonora reina por completo e quase esquecemos as desgraças que estamos a ver. 


Tendo em conta os problemas pelos quais a produção deste filme passou, não sei até que ponto não será injusto da minha parte dizer que isto é mau. Por outro lado, o próprio Brian De Palma veio dizer que o resultado do filme é “very good”, o que a meu ver é muito questionável.

5/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações. Vi na criação deste espaço o local ideal para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto.

8 comentários:

  1. É sempre aborrecido quando há tantos problemas e entraves que acabam por condicionar o produto final :/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É verdade e neste caso é demasiado notável. É uma pena...

      Eliminar
  2. Olá, Joana!
    Uma bela análise sobre "A Hora da Vingança" , de Brian De Palma. Para os que não viram o filme, dentre os quais me incluo, agora temos o incentivo da Joana. Parabéns pelo trabalho!
    Uma boa semana.
    Um abraço.
    Pedro

    ResponderEliminar
  3. Pois com tantos problemas não é fácil fazer um bom filme...
    --
    O diário da Inês | Facebook | Instagram

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É verdade. Não querendo induzir em erro, penso que atualmente ainda existem alguns atores do elenco que não foram pagos...

      Eliminar
  4. Não conheço o filme, parece ser ótimo. Conheço obras do diretor Brian de Palma, então esse não fica atrás de outros, eu espero! haha.

    O Planeta Alternativo

    ResponderEliminar