quarta-feira, 31 de julho de 2019

"O Boneco Diabólico" em análise

Como todas as famosas franquias de terror dos anos 80, era mais que evidente que iria chegar a vez de Child’s Play ter o seu reboot, mesmo que este tenha sido feito enquanto a série original ainda está a ser produzida, o que é estranho. 


A maior parte do elenco e equipa por de trás desta nova adaptação do boneco diabólico não tem nada a ver com o original. Até mesmo a própria história é diferente, apenas pegando em elementos como o nome da personagem principal e o nome pelo qual ficamos a conhecer o boneco. Isso para mim foi uma boa decisão, pois assim não temos de ver a mesma história outra vez, mas um novo take que torna a sua estadia aceitável. E faz muito mais sentido tornar a história mais moderna do que voltar aos anos 80, onde voodoo e outros tipos de bruxaria/rituais estavam presentes na maior parte dos filmes de terror (por isso é que os filmes modernos que remetem a essa época estão quase sempre relacionados com espíritos).

Tal como disse acima, a maior parte do elenco original não consta nesta nova adaptação. Isso implica que até a voz do famoso Chucky foi alterada. Brad Dourif foi, depois de 30 anos, substituído por Mark Hamill, que já é conhecido muito para além de apenas Star Wars. Este também é considerado um dos melhores dobradores por aí, e há quem diga que é até o melhor Joker de todos, o que é difícil de argumentar. Assim dizendo, ele substitui o ator original muito bem, conseguindo tornar esta nova criação de Chucky sua, com uma voz tanto subtil como serena, mas também arrepiante. 


O resto do elenco também está muito bom, especialmente Gabriel Bateman, o rapaz que faz de Andy, e Aubrey Plaza, que têm uma relação bastante credível, e o Detetive também não está nada mal, apesar de só lá estar a maior parte do filme para dar algumas one liners cómicas que ou fazem rir ou não têm qualquer reação do espectador.

Sendo um filme de terror, é normal que haja personagens que também estão lá de propósito para serem odiadas pela audiência e para desejarmos que morram o mais rápido possível, tendo mortes, um tanto elaboradas, mas bastante satisfatórias. Essas mortes divergem bastante da série original: são mais grotescas e rudes, o que faz mais sentido considerando o lento build up que o filme tem, que acompanha o desenvolvimento e o porquê de Chucky estar a fazer o que faz, tornando-o mais sentimental e mais do que um simples assassino que apenas quer ter um corpo humano. E é bom ver tanto o desenvolvimento de Andy ao longo do filme, que não está no filme original: neste percebemos que ele está sempre a mudar de casa e mal tem amigos, mas é graças a Chucky que este começa a criar amizades, e vão ser essas amizades que, no fim, o irão ajudar a enfrentar o seu melhor amigo. 


Outro aspeto muito destacável é a banda sonora de Bear McCready, que vocaliza e fortalece todas as cenas do filme, indo desde tons infantis a cruéis, provando que este tem uma carreira bastante promissora pela frente. O tema principal do filme é bastante memorável, tal como a música de Buddi que é cantada várias vezes ao longo do filme (e duas nos créditos, no início e no fim, sendo a última um take aterrador, que até parece ser cantada pelo Joker). 

Honestamente não me ocorre nada à cabeça que me faça refletir o que menos gostei do filme, pois achei-o todo bastante competente. Sim, o visual de Chucky pode ser um bocado estranho ao início, talvez um bocadinho falso demais para realmente parecer um brinquedo, mas é algo a que facilmente nos habituamos. Visualmente pode parecer nada demais, mas tem alguns momentos bastante memoráveis, onde utilizam várias cores ambientais a seu favor. 


Concluindo, este novo take do famoso boneco assassino é uma extremamente agradável surpresa. Não se esperava muito pelo filme, especialmente por causa do pequeno marketing à volta dele, e o ódio ao novo look do boneco, mas visto que este não é para ter nada relação com o original, este ser “completamente novo” é capaz de o colocar em vantagem. Não é nenhuma obra prima, de longe, mas é um bom filme de terror. Com personagens com as quais nos podemos relacionar e compreender, o que inclui o próprio Chucky, e uma história pequena mas interessante, realmente vale a pena ver esta nova adaptação, e talvez até possa servir como substituto a série original.

7/10
SOBRE O AUTOR

Apreciador, e colecionador, de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man de Sam Raimi.

4 comentários:

  1. Magnífica postagem, Joana. Li com atenção para ficar atualizado contigo. Parabéns!
    Uma boa semana, Joana!
    Abraço.
    Pedro

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    1. Esta publicação não é minha, Pedro. Temos sempre o nome do autor no final de cada artigo!

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  2. Como te tinha dito, fui ver o filme na semana passada e fiquei surpreendido, especialmente com a soundtrack. Realmente parecia o Joker a cantar: assustador! Foi uma boa surpresa, não ia com grandes expectativas

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    1. Eu ia com algumas expectativas por já ser fã do Chucky, mas, mesmo assim, conseguiu superar!

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