terça-feira, 16 de julho de 2019

"O Rei Leão" (1994) a rebobinar

No meio de tantas adaptações literárias de contos majestosos e fantásticos que adorávamos ouvir antes de ir dormir, quem diria que um dos filmes mais aclamados da Disney acabaria por ser um dos seus mais “originais”? Ninguém na Disney havia antecipado seja qual fosse o sucesso que O Rei Leão iria ter, aliás, a maior parte esperava que fosse um flop! No entanto, durante esta Disney Renaissance, este foi o filme que mais lucrou na bilheteira.


Para quem não percebeu o “original”, o filme é quase uma adaptação de uma obra de Shakespeare, especificamente Hamlet, e ainda há quem ache que os criadores chegaram a plagiar uma outra série de animação que já existia há alguns anos, chamada Kimba: The White Lion. Lendo o título entende-se bem o porquê de tal especulação, mas penso que nada foi confirmado em relação a isso, por isso vamos apenas pensar que foi uma mera coincidência.

Seria insignificante da minha parte sequer resumir a história do filme, ou escrever a sinopse, pois para um filme como este, com tantos relançamentos no cinema e home-video, duvido que tal seja preciso. É o típico filme que passa rapidamente de geração em geração, seja em VHS ou DVD, ou até blu-ray (e até em cinema, pois já foi relançado várias vezes, a mais recente em 3D em 2011), pois marcou, tal como vários outros filmes da Disney que saíram na época, a década de 90, tornando-se um símbolo de nostalgia até para quem tinha nascido muito antes de o filme sair. Só para não dizer que foi, também, o primeiro filme da Disney a ser totalmente dobrado em português de Portugal, enquanto todos os que o antecediam tinham saído apenas em português do Brasil, sendo redobrados na nossa língua muito mais tarde (apesar de ainda haver maneira de os encontrar em brasileiro nas VHS).


Parece que me estou a desviar um bocadinho da análise ao filme e a falar invés do legado que o filme deixou após ser lançado em 1994. É normal, penso eu, visto que a maior parte do que vou dizer em seguida já foi dito mais de milhões de vezes por outras pessoas, por isso acho que mais vale falar primeiro de um pouco de background.

Penso que qualquer um de nós, ao ouvir o nome do filme, consegue lembrar-se facilmente de um momento ou excerto específico do filme, ou até de um frame. Ou ainda das personagens únicas, que dão one liners e lições de vida a torto e a direito (e puns, para quem viu a ver inglesa).


A banda sonora é, também, uma das mais fortes da Disney, tendo ganho o Óscar tanto de Melhor Banda Sonora Original para Hans Zimmer, a única na sua carreira toda (nem se sabe como, honestamente), e de Melhor Canção Original para Elton John, pela música “Can You Feel The Love Tonight”. Apesar de ser a “musica titular” do filme, este contém muitos outros clássicos, desde o maior lema de vida musical “Hakuna Matata” a “Preparados”, a única música vilanesca da Disney comparável a “Fogo do Inferno” de Corcunda de Notre Dame.


A animação é a típica 2D a que nos acostumamos da distribuidora na década de 90, sendo esta reconhecível em qualquer lado. E, tal como nos outros filmes, este tem a vantagem de ser num local diferente, realista e, ao mesmo tempo, imaginário e épico, cheio de cores vibrantes e puras, que deixa qualquer um boquiaberto. As personagens têm todas personalidades diferentes, o que facilita ligarmo-nos a elas e torcemos pelas mesmas, de maneira a que todos os momentos tenham o maior sentimento possível. Aplaude-se ainda a cena da debandada no desfiladeiro, uma das primeiras vezes em que Disney se esforçou ao máximo para conseguir fazer animação CGI em movimento (enquanto que na Bela e o Monstro aproveitaram apenas para movimentos de câmara), e está tão bem conseguida que mal se nota alguma diferença da animação 2D.


Foi aclamado pela crítica na altura, e ainda hoje o é, e continuará por muitas e muitas gerações, graças às personagens memoráveis, ambientes criativos e naturais, músicas desde divertidas a românticas, e épicas até mais não, e ainda pelos temas que ainda agora são relevantes e que facilmente servem de lição a muitos. Assim percebe-se, de longe, como é que um filme como O Rei Leão teve tanto sucesso, apesar de toda a gente achar que não teria nenhum. É normal que, quando se vai ver algo com mínimas expectativas, acabamos por ficar deslumbrados (algumas vezes) com o resultado final, e O Rei Leão é, sem dúvida, um desses casos.
SOBRE O AUTOR

Apreciador, e colecionador, de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man de Sam Raimi.

2 comentários:

  1. Hakuna matata, hakuna matata! Este filme é um verdadeiro clássico, mas já o novo não me parece. Em princípio até vou deixar passar!

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