quinta-feira, 18 de julho de 2019

"O Rei Leão" em análise

Para muitos, este é um dos reencontros nostálgicos mais esperados do ano, e, para quem leu o último Rebobinar, consegue perceber o porquê. O Rei Leão (1994) é uma das obras cinematográficas mais aclamadas de sempre, seja por miúdos ou graúdos, e é óbvio que ninguém ficaria indiferente ao saber que agora teremos direito a um remake “live-action” do filme. Aliás, de tal modo que houve ou gente que se mostrou interessada e disse, desde o início, que ia ver, a gente que está desde o início com o pé atrás, por saber que o filme é capaz de arruinar uma visão já perfeita de um filme que adoram. 


Eu, por um lado, queria ver o filme por várias razões: seja por Hans Zimmer ou por ter um realizador competente que já mostrou que sabe criar ambientes de CGI com personagens também CGI bastante realistas, mas, acima de tudo, porque é uma história com que cresci e de que sempre gostei, e vê-la no grande ecrã é mais do que uma boa razão, para muitos, de o ir ver ao cinema. 

E, de facto, o filme mantém a estrutura narrativa que tanto revimos vezes e vezes no filme original, tendo até cenas completamente iguais. Claro que não terá as cores vibrantes que um filme de animação é capaz de ter, e o filme sofre um bocado por causa desse tom realista e seco. Esse tom realista impede com que o tom imaginativo que ficou preso nas nossas cabeças seja substituído por cores menos vivas e algumas cenas criativas (como cenas músicas, especialmente) são substituídas por animais apenas a deambular de um lado para o outro, invés de o fazerem parecer um verdadeiro musical. É o problema do efeito realista que o filme traz. Além disso, a maior parte do fator épico que o filme original tinha, seja na cena da debandada ou até na enorme abertura do filme, parece que foi completamente perdida. É como se o mundo do original, com o “upgrade”, tivesse encolhido em favor do tempo para conseguir melhor detalhe na criação das personagens principais. 


E essas sim, a nível de CGI, estão brilhantemente conseguidas, o que deixa a pensar o que já é possível fazer com meros computadores. Os animais, apesar de sabermos que são digitais, parecem reais o suficiente para pensarmos que estão presentes à nossa frente. O único problema é que (os leões) parecem todos iguais e um pouco difíceis de distinguir, senão pela voz, que é a única maneira que estes também têm de conseguirem transmitir algum tipo de sentimento. Levando os animais realistas mesmo à letra, senão fossem pelas pestanas ou trabalho de diálogo, dificilmente saberíamos o que estes estão a tentar expressar. E, no entanto, não achei algumas vozes as mais apropriadas para os papéis. Chiwetel Ejiofor, que substituiu Jeremy Irons como Scar, por acaso foi um destaque para mim, conseguindo ainda fazer uma boa impressão do original, e James Earl Jones é, bem, o Mufasa que já foi há 25 anos, apesar de já parecer um bocado cansado. Seth Rogen e Billy Eishner, como Pumbaa e Timon respetivamente, são os scene-stealers do filme, onde as suas vozes sintonizam-se na perfeição com duas personagens que já achávamos que tinham vozes insubstituíveis. O resto do elenco é que, para mim, com outras exceções, que não vale a pena mencionar, pareceu sair um bocado ao lado, ou foi simplesmente desaproveitado. 


Tal como já disse acima, a história segue todos os pontos que a história que conhecemos também bate, mas este estende alguns, o que faz com que seja ainda mais longo, desnecessariamente. Pode haver alguns locais específicos em que possam ter alterado algo da história, não é nada de frustrante mas também não é justificável tal mudança. Talvez para tentar fazer algo diferente e não ser completamente igual? Mesmo assim, algumas alterações, mais visíveis nos atos de Timon e Pumbaa, são até bem vindas e agradáveis. Enquanto houve outras, como retirarem a Be Prepared do mapa, que vão deixar algumas pessoas chateadas. 

Falando na música com letra, acho que graças à falta de cor e visual, esta perde um bocadinho o seu impacto. Por isso é que presumo que tenham retirado por completo a Be Prepared, por ser algo muito difícil de transmitir da animação para algo “real”. No que toca a Hans Zimmer, compositor esse que ganhou o seu único Óscar da carreira em 1995 por compor para o filme original, volta a brilhar, com alguns novos reajustes e acordes, com uma das suas mais conhecidas bandas sonoras, e as suas músicas prometem trazer alguma emoção ao expectador, apesar de que esta já não me parecer tão épica como outrora foi. 


Eu não desgostei desta nova versão de um filme que aclamo desde criança, mas também sei que não a irei voltar a ver outra vez. Pelo menos não muito cedo. Quando sei que tenho a opção de ver uma versão muito melhor em casa, seja em VHS, DVD ou blu-ray (e até livro) não vejo qual a necessidade de pegar num remake que não tem qualquer charme ou espírito que o filme que adoro tem. E é isso que este filme se faz sentir: desnecessário. É um filme que poderá ser relembrado pelo incrível trabalho técnico que foi colocado em prática, mas para além disso, quando se ouvir falar em O Rei Leão, ninguém se lembrará deste “live-action” incolor e apático, mas sim do filme que realmente é: um filme de animação com que todos sentimos nostalgia e preferimos rever milhares de vezes em família, com atos musicais memoráveis e as personagens que adoramos, num ambiente grande e vivo.

6/10
SOBRE O AUTOR

Apreciador, e colecionador, de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man de Sam Raimi.

6 comentários:

  1. Eu quero muito ver este filme, mas tenho tanto medo de ser mau xD

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    1. Bem... Nessas condições, se calhar mais vale veres em casa! XD

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  2. Fez parte da minha infância e sem dúvida que foi o filme que mais me comoveu. Passados tantos anos ainda me lembro da história - só para veres de como me marcou - mas sinceramente acho que não vou ver ao cinema. Vou esperar por vê-lo em casa. E concordo contigo a 100%, é um filme com muitos sentimentos e nostalgia, e foi isso que tornou o filme tão especial!

    with love, ♡

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    1. Basta estes remakes da Disney começarem a deixar de fazer dinheiro que eles vão perceber a mensagem... Que deviam voltar ao tempo da originalidade. Mas é pena que, infelizmente, "toda a gente" os vai ver...

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