sexta-feira, 12 de julho de 2019

"Rastejantes" em análise

Durante esta altura do ano costuma surgir sempre o típico filme pipoca que entretém a sua audiência até ao fim, e pelo meio há filmes que deixam imenso a desejar. Rastejantes é um estranho caso em que fica pelo meio de ambas as categorias. Para começar, o filme tem uma premissa bastante simples: uma família que tem os seus dramas emocionais e pessoais tenta reconciliar-se, mas, invés de ser num ambiente normal onde apenas têm de conversar e resolver os problemas, têm no meio crocodilos (ou aligatores, como os chamam no filme, who cares) que apenas querem uma mãozinha ou perninha… ou até tudo, se lhes agradar assim tanto, o que torna as coisas melhores, assim dizendo. 


Então, com uma premissa tão básica, espera-se que, ao menos, o argumento seja decente. Não. Nem um bocadinho. O diálogo é, possivelmente, um dos piores que já ouvi este ano. É que é tão mau que falas simples acabavam por causar risadas no meio da audiência que estava presente na sala. E não são apenas as falas, mas muitas das ações das personagens também, como tentar fazer uma chamada para a polícia num local completamente aberto onde um crocodilo consegue facilmente aparecer e dizer “olá!”, onde tiram proveito de um possível, mas talvez previsível, jumpscare.

Mesmo assim, apesar de maus diálogos e ações estúpidas, as interpretações do pequeno elenco até são, no mínimo, satisfatórias, mesmo que sejam pouco naturais. 


Os crocodilos pareciam ser uma espécie de mistura entre CG e animatronics. Quando são a primeira, nota-se perfeitamente que o são, e perde-se o medo por completo por se notar que são falsos. Mas quando estão presentes na cena, vê-se uma enorme diferença, pois estes já não estão a sorrir para a câmara. 

Um pequeno aparte: num estado como a Flórida, quem seria o esperto que compraria uma casa com uma cave? É que ninguém no seu perfeito juízo teria cabeça para o fazer, ou muito menos haveria de querer ir lá para baixo no meio de uma tempestade, a não ser que, claro, isto não fosse apenas um filme, o que é. 


Alexandre Aja já trabalhou com vários tipos de medo antes, passando desde a altura extremista de terror francesa a perigos na montanha e espelhos. Até fez um remake 3D da Piranha (mais ou menos) e mostrou ter alguma criatividade até aí. Não é um bom filme per se, mas é entretenimento até mais não. Rastejantes é mais um desses casos. Tem interpretações sólidas mas com um argumento extremamente mau. Tem crocodilos que tanto assustam como apenas aparecem do nada, como acho que seria suposto, mas tornam-nos previsíveis. Mas é, overall, bastante tenso, e até se tira proveito da maior parte do mesmo, mas se se tivesse deixado levar pelo quão absurdo realmente é, talvez o resultado tivesse sido mais apelativo. É um filme que entretém, sem dúvida, mas se a pessoa quiser dar um skip, não perde nada. 

6/10 ⭐
SOBRE O AUTOR

Apreciador, e colecionador, de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man de Sam Raimi.

4 comentários:

  1. Excelente apreciação, mas não me parece o meu género.
    Bom fim de semana
    Beijinhos
    Maria

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    1. Acho que o filme é mais indicado para quem gosta de filmes de suspense com animais... Mas, mesmo eu adorando o Anaconda, não gostei muito deste 😛
      Beijinhos!
      Diogo

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  2. Fui ver o filme esta tarde e, mesmo reconhecendo que não é grandioso, acho que foi a experiência mais intensa que tive este ano nos cinemas. Abraço, Diogo!

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    1. Sim, intenso até foi, nalguns momentos! Mas acho que o argumento tira um pouco a intensidade com aquelas falas hilariantes 🤣
      Abraço, Jaime!

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