sexta-feira, 5 de julho de 2019

"Segunda Vida" em análise

Quantas vezes ao longo da vossa vida já pararam para pensar naquilo que fazem ou acerca da pessoa que são? Segunda Vida (Un Homme Pressé no nome original, que poderia ser traduzido à letra para “um homem com pressa”), um filme francês realizado por Hervé Mimran, apresenta-nos Alain Wapler, um homem genial que se foca ao máximo na sua carreira, mas que pouca importância dá às outras pessoas, especialmente às que o rodeiam, incapaz de agradecer seja pelo que for. É o típico homem que não pára, vivendo uma vida demasiado dinâmica, ao ponto de este afirmar se só vai parar no dia em que morrer. 


O filme, tal como o protagonista, não perde tempo a ir direto ao seu assunto: a trama é sobre um homem que tem um AVC e que, a partir daí, recebe uma oportunidade de ter uma vida diferente. O modo como o problema é apresentado não é súbito, mostrando que um AVC nem sempre é algo apenas do momento; ou seja, vemos Alain a começar a ter alguns sintomas, que este decide ignorar, até que é levado para o hospital, quando já está num estado crítico. 

Apesar do tema sério, o filme fica a ganhar muitos pontos ao apresentar tudo com um tom irónico. Ao mesmo tempo que apresenta a gravidade da situação, tem também verdadeiros momentos de comic relief, em grande parte derivados do modo como o protagonista está a lidar com as consequências do acidente vascular cerebral (como, por exemplo, trocas de sílabas ou confusões entre palavras). 


O modo de vida do protagonista é apresentado de uma maneira que nos leva a refletir - ainda que não seja muito aprofundado, mantendo-se sempre à superfície. Na verdade, existem mesmo alguns momentos que têm, claramente, essa função, tornando-se quase poéticos. É através dos olhos de um homem que vê as vidas que o rodeiam que ficamos a pensar também no nosso modo de vida. 

O elenco do filme, ainda que os nomes presentes possam dizer pouco a quem não costuma ver cinema francês, brilha. Fabrice Luchini, que interpreta Alain Wapler, consegue entregar um protagonista cheio de carisma e é curioso ver o modo como este se altera, pois o seu papel não é propriamente fácil, tendo momentos em que está a sentir-se muito mal e depois outros em que as suas falas se tornam em comédia. 


A única coisa que não me agradou muito no filme foi o final; não por ser inteiramente mau, mas por me ter parecido que foi feito à pressa, ainda que a ideia fosse interessante. Mesmo assim, não considero que o final prejudique por completo o resto do filme, pois consigo considerá-lo desnecessário na trama. 

Tenho também de dizer que, apesar do bom gosto musical (deixa-nos realmente com vontade de cantar), entristeceu-me um pouco a banda sonora ser tão comercial e, acima de tudo, ser, na maioria, em língua inglesa. Acho que teria encaixado bem no filme algo menos popular e, se possível, mais em francês ou, a determinado momento, até mesmo em espanhol. 


Segunda Vida revelou-se uma agradável surpresa para mim, pois quando tomei conhecimento do tema da história achei que ia ser apenas só mais um drama. Mas o modo como este se desenvolve é agradável, até mesmo divertido, sendo capaz de brincar com algo sério e, ao mesmo tempo, sensibilizar os espectadores. Vale muito a pena ver!

7/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

2 comentários:

  1. A premissa, ainda que pareça simples, parece-me muito pertinente, até porque é o espelho de uma sociedade sempre acelerada.
    Fiquei bastante curiosa, vou acrescentar este filme à minha lista

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