sexta-feira, 26 de julho de 2019

Uma retrospectiva de Chucky

Muito antes de Andy ser a criança que vimos crescer durante mais de dez anos com os brinquedos que tanto amava e com quem brincava, havia um outro Andy que percebeu tudo ao contrário, fugindo de um boneco psicopata que, afinal, estava possuído com a alma do famoso criminoso Charles Lee Ray, também conhecido como Chucky para aqueles que são amigos dele até ao fim! 

Isto passou-se durante várias décadas, e ainda hoje a perseguição entre o gato e o rato continua! Por isso, cá estou eu para fazer uma espécie de resumo e, em parte, uma pequena crítica a cada filme da franquia de Child’s Play. E depois, quem sabe, pode ser que alguém ainda fique entusiasmado para ver um filme em que um boneco faz realmente alguma coisa para além de estar sentado dentro de uma vitrine…


Child’s Play (1988)

Foi aqui onde tudo começou e onde o tema do voodoo até fazia algum sentido, tendo em conta a altura em que se passava (não, nos anos 80 já não se queimavam pessoas por casos de bruxaria), e foi aqui que Toy Story foi buscar inspiração, de certeza! 

O filme é bastante simples e até faz um bom trabalho de esconder e deixar a pergunta: quem está realmente a matar as pessoas - se é mesmo o boneco ou o Andy. Era uma temática que podia ter sido melhor explorada, sinceramente, mas visto que o título diz logo tudo… De que adiantava? 

É possivelmente o filme mais competente da franquia toda, onde não havia muita coisa absurda. As interpretações estão, em parte, bem conseguidas, mas o destaque vai para Andy e para o infame Chucky, onde a voz de Brad Dourif acabou por se tornar um ícone do mundo do terror. 


Child’s Play 2 (1990)

Estão a ver aquelas quedas a pique que todas as montanhas russas têm? A partir daqui, a franquia de Chucky começa a descer por completo. 

O argumento aqui é mais fraquinho e circunstancial e as interpretações também variam bastante. O que o safa é o facto de conter muitos dos momentos mais lembrados da série, como o Chucky a andar de carrinho, ou a matar uma professora à reguada. Tem um final bastante satisfatório, mas acaba por deixar um bocado a desejar. 


Child’s Play 3 (1991)

E foi aqui que a montanha russa alcançou o ponto mais baixo da atração, sendo possivelmente o pior filme de todos os sete que saíram até hoje (da série principal). Neste filme percebe-se desde o início que não há razão nenhuma para existir, especialmente tendo em conta que o Andy já está crescido, está numa escola militar, e o Chucky já devia ter seguido em frente com a sua vida (ou morte). 

A maior parte das interpretações são más ao ponto de até meterem piada e Brad Dourif é provavelmente a única excepção a matéria. As personagens são também idiotas e não fazem muito sentido ao longo do filme, tornando-se um pouco ridículas. 

O filme também conta com muito poucos sustos, o que mostra a rapidez com que queriam fazer dinheiro com Chucky. E foi há custa disso que Chucky não viu a luz do dia durante quase uma década, regressando com… 


Bride of Chucky (1998)

Sim, o Chucky sempre teve one liners, aqui e ali, que sempre tiveram alguma piada. Mas e que tal acrescentar mesmo alguma piada à série? Foi essa absurdidade, espertamente utilizada, que Bride of Chucky fez, título esse que remete à era de ouro dos filmes de terror de monstros da Universal

Como o título diz, Chucky desta vez não veio sozinho, mas acompanhado por Tiffany, interpretada por Jennifer Tilly no auge da sua carreira (se é que ela alguma vez teve auge…), e está é tão macabra, senão mais, como o próprio Chucky. 

Este é um dos favoritos da maior parte dos fãs, e é fácil de ver porquê. Consegue revitalizar a energia que faltava nos últimos filmes, e traz algumas surpresas novas e agradáveis à mesa.


Seed of Chucky (2004)

É aqui que as coisas se tornam… confusas. Confusas tanto para nós, audiência, que não sabe como reagir ao filme, como até para o próprio filme. 

Há quem ache que este é o pior de todos, e há quem ache que o filme não é assim tão mau. Eu sou um desses últimos. O filme tem certamente vários momentos maus, mas mantém sempre a piada. Também achei piada quando este decidia partir a fourth wall e criticar as próprias pessoas que estes são, ou até mesmo Hollywood e a fama em si. 

Gostei da adição de Shitface ao lure da história. Pode ser um bocado irritante por vezes, mas este acaba por se tornar a personagem por quem a audiência mais de agarra. 

É um filme absurdo. Muito absurdo. E, para quem gosta disso, decerto que vão tirar algum proveito do filme. Mas fica o aviso que este não é para todos, sendo o mais dividido pelos fãs! 


Curse of Chucky (2013)

Quase dez anos após o último filme de Chucky, Don Mancini, escritor do primeiro filme e criador da personagem, decidiu fazer o papel de realizador, voltando a recriar uma atmosfera de terror que faltava nos últimos dois filmes, fazendo até com que a personagem volte a ter a sua aparência original. 

Nota-se logo no início que este filme não é como os outros. Sente-se o quão deprimente este é pela maneira que é filmado, pela iluminação, e narrativa. A personagem principal é agora interpretada por Fiona Dourif, filha de Brad Dourif, que voltou para fazer a voz de Chucky, e ambos estão muito bem no filme. 

O maior problema que vejo no filme é o CGI nalgumas cenas, pois estas parecem demasiado falsas. Deve ser o problema de este ter sido lançado diretamente para vídeo invés de cinema, o que faz com que o seu orçamento seja muito mais baixo, mas… Efeitos práticos são mais baratos que CGI… Certo? Porque não investir apenas nisso? 

Anyway, o filme, muito melhor do que se esperava, acaba com um cliffhanger, mostrando que Jennifer Tilly e Alex Vincent estão também de volta, chegando finalmente ao fim da série original com o filme…


Cult of Chucky (2017)

Este filme é o sétimo e o último que saiu na série original de filmes de Child’s Play, e é provavelmente a melhor sequela desde Bride of Chucky. Este utiliza o mesmo estilo deprimente que o filme anterior tinha, e também utiliza algum CGI bastante manhoso, mas é completamente salvo pela história. 

O filme segue várias notas básicas a que Chucky já nos habituou, mas afinal acaba por ser muito mais que isso. E, infelizmente, não posso explicar o porquê pois seria como estragar a surpresa dentro do ovo Kinder

É bom voltar a ter a “família” toda dos filmes originais de volta, e ver como esta história se concluiu para elas foi uma delícia que apenas deixou a desejar mais, pois este volta a acabar com um cliffhanger, ainda mais louco que o anterior. 


É pena que possivelmente esta parte da franquia não tenha uma conclusão definitiva, até porque está a ter um novo reboot que promete recontar e remodelar a maior parte do que sabemos sobre Chucky. Mas, se um dia voltarem a pegar nestas bases já criadas, de certeza que haverá muito com que delirar! 
SOBRE O AUTOR

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

4 comentários:

  1. Gostei de ler este teu artigo, Diogo. Para ser sincero, acho que houve alguns filmes destes que eu não vi e nem sabia que existiam, mas acho muita piada ao próprio Chucky. Vou ver o novo filme este final de semana! Bom fim de semana para vocês!

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    1. Eu já vi o novo, e gostei das mudanças que fizeram!
      Mas falarei mais em "detalhe" na análise, que deve ainda sair este fim de semana!
      Abraço, Jaime!

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  2. Estou de acordo com a crítica, penso que o primeiro da série foi o melhor, lembro quando o assisti na infância, e os outros foram sendo, na minha opinião, mais filme de comédia do que qualquer outra coisa. O filme de 2017 eu não vi!

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    1. Eu lembro-me dos meus pais alugaram o DVD do filme de 2004 e verem com uns vizinhos, eles nem sequer me deixavam entrar na sala para ver o que eles estavam a ver na tv!
      Eu aconselhou a veres o de 2017, apesar de haver quem não goste.
      Bom fim de semana!

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