sábado, 3 de agosto de 2019

"Adeus, Professor" em análise

Adeus, Professor traz o regresso de Johnny Depp aos cinemas durante um período que posso considerar negro na sua carreira, ainda consequência das acusações que lhe foram feitas por parte da ex-mulher, Amber Heard. A verdade é que já não o víamos no grande ecrã desde que vestiu a pele de Grindelwald pela última vez no segundo filme da franquia Monstros Fantásticos, que chegou cá em Novembro do ano passado. Mas, enfim, talvez esse período negro já esteja em fase final e agora cá o temos, como protagonista deste novo filme, realizado por Wayne Roberts. Só que este é um filme que chega com mais críticas negativas que positivas, especialmente derivadas das tais acusações a Depp, o que me parece, no mínimo, tonto. 


A trama apresenta-nos Richard, um homem que é professor de Inglês e a quem é diagnosticado um cancro em fase terminal. Vendo a sua vida a dar uma volta gigante, Richard decide aproveitar o que lhe resta ao máximo, quebrando todas as regras, seja na escola ou no própria casamento, que, verdade seja dita, já não ia por bons caminhos. 

O filme gira todo à volta de Richard, ou, a bem dizer, de Johnny Depp, pois é este que carrega o peso da existência de outras personagens mal criadas e que parecem existir apenas para lhe dar um certo apoio e, assim, permitir que o ator brilhe num papel que por si só não é capaz de entregar um grande carisma, mas que Depp sabe adaptar muito ao seu estilo, ao ponto de, como quase sempre acontece, termos características próprias da sua representação, como o famoso andar saltitante de Jack Sparrow. 


A história pretende brincar com algo que é sério, mas não brinca a um ponto absurdo que seja capaz de levar ao riso, até porque está repleta de clichés. Sendo este filme apresentado como “uma comédia de Verão”, penso que é demasiado sério para ser sequer considerado uma comédia. A não ser que alguém ache extremamente cómico ver um professor a fumar charros com os seus alunos. 

Na verdade, considero que nem humor negro aqui temos. Apenas há um homem que decide aproveitar os seus últimos dias a fumar, a beber e a fazer sexo com empregadas de bares que acabou de conhecer. Só isso… Mas talvez isso seja suficiente para transmitir um grito de liberdade, que parece-me ser o verdadeiro objetivo do filme. Acontece que o protagonista é um homem que vê a sua vida ficar repleta de problemas pessoais e por esse motivo olha para a morte de frente, sendo capaz de a enfrentar, mas não sem antes despedir-se da vida e de fazer tudo aquilo que ainda não fez. 


O filme certamente não é genial, em grande parte devido a uma quantia mínima de originalidade e ao facto de as personagens não serem boas ao ponto de querermos saber delas, mas também por visualmente não ter nada que mereça ser destacado. Epá, mas a culpa de o filme ser, digamos, fraquinho também não é do Johnny Depp, pois este até consegue entregar uma prestação convincente!

5/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações. Vi na criação deste espaço o local ideal para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto.

6 comentários:

  1. Estava mesmo curiosa com este filme, mas já fiquei de pé atrás :/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Mesmo assim, aconselho que vejas, podes vir a ter uma opinião diferente! 😛

      Eliminar
  2. O que não agrada a uns poderá agradar a outros? O professor encontra-se numa situação complicada, sabendo que vai morrer, tenta desfrutar o máximo que pode até ao fim da vida. Talvez seja o desespero que o obriga a fazer aquilo que alguns espectadores não vêem com bons olhos?

    Tenha um bom dia de Domingo Joana Grilo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Claro que sim, caro Eduardo! Não podemos gostar todos do mesmo. Acredito que este filme, assim como tantos outros, possa ter efeitos diferentes nas pessoas! No meu caso, não vi as atitudes do professor com maus olhos, mas acho que falta uma certa essência no modo como tudo é apresentado!

      Eliminar