sexta-feira, 30 de agosto de 2019

"Blinded by the Light" em análise

Já tivemos inúmeros filmes que mostram o modo como a música de um artista ou uma banda podem afetar a vida de um pequeno ser humano, ou onde se usam músicas ou álbuns inteiros de forma a construir uma narrativa inteira à volta de um filme, mas o Boss tinha ficado sempre de lado deste género. No entanto, agora chega-nos um reconto da vida de um simples rapaz indiano que apenas sonhava em libertar-se das correntes com que viveu a vida toda, e Bruce Springsteen foi a chave do cadeado.


O filme é extremamente rico e colorido, especialmente no que diz respeito ao elenco, este cheio de expressão e emoção. Qualquer tipo de interação entre eles parece natural e nada encenado, tornando toda a sua química visível no ecrã. Viveik Kalra, que interpreta Javed, o jovem protagonista, tem a maior parte do cargo às costas, pois este tem de conseguir vender um leque variado de emoções que vão escalando conforme a narrativa, e faz genuinamente um excelente trabalho, um que nos faz conectar com ele e sentir tudo o que este sente. É tão fácil gostar desta personagem tal como é fácil odiar as figuras que o afetam, principalmente a paternal, mas ao mesmo tempo não conseguimos porque sabemos como funciona a vida e como os nossos pais sempre nos viram e as responsabilidades que com isso vêm, e o filme percebe perfeitamente essa dinâmica familiar.

O filme começa um bocadinho lento, mas não é o lento de aborrecido; é um lento de antecipar as músicas do Boss mesmo. O filme ainda consta de uma mão cheia de outras músicas dos anos 80 que deixarão alguns com um sorriso na cara, como músicas dos A-ha, mas é apenas quando o Boss começa a implementar-se na narrativa que nós começamos a mudar em conjunto com a personagem e começamos a sentir a vontade de bater os pés ao ritmo do crescimento de Javed, criando um maior impacto emocional na audiência.


O filme não tem muito que se diga a respeito de visual, sendo o mais natural e genuíno possível, para além dos momentos em que as letras das músicas saltam dos walkman e começam a ondular pelo ecrã fora, mas destaca-se, quando pode, no som, dando utilidade máxima ao surround da sala de cinema, fazendo com que a música esteja completamente em nosso redor.

Este é o perfeito feel good movie que estava a faltar neste verão, com uma mensagem que é pouco abordada atualmente mas que ainda tem bastante sentido nos dias de hoje. É muito difícil não nos deixarmos levar pelo seu ritmo e pelas suas personagens pelas quais simpatizamos, ou com que nos identificamos até. Uma das experiências mais agradáveis que tive este ano no cinema.

8/10 ⭐
SOBRE O AUTOR

Apreciador, e colecionador, de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man de Sam Raimi.

4 comentários:

  1. Amei a análise, nem sabia da existência dele e agora estou desejando ver
    Beijos
    www.dearlytay.com.br

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  2. A minha rotina diária acaba por vezes por ser tão exigente que tenho preferência por coisas ligeiras, seja leitura seja um filme.

    Como sempre, a análise é de grande qualidade e vou sempre acrescentando mais um nome à vista.

    Tinha pensado dar um salto hoje ao cinema mas já começo a ver que só muito dificilmente vou encontrar tempo...

    Bom fim-de-semana

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    1. Quando há falta de tempo e se quer apenas ver um filme, ou livro, é difícil de escolher...
      Abraço

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