quarta-feira, 21 de agosto de 2019

"Em Boas Mãos" em análise

Engane-se quem associa os filmes franceses apenas a comédia. A verdade é que lá de vez em quando também há espaço para coisas sérias. Ora, se ainda recentemente tivemos duas comédias francesas a chegar aos cinemas, O Perfeito Gigolô e Ibiza, agora temos Em Boas Mãos, realizado por Jeanne Herry, um filme que trata de um tema pouco falado na sétima arte e que é capaz de entregar uma história na qual certamente muitas pessoas vão ser capazes de se rever. 


O filme começa por nos apresentar uma jovem rapariga que está prestes a dar à luz mas que já tem a sua mente mais do que decidida: não quer ficar com o bebé, até porque durante a gravidez nunca se interessou minimamente por ele, ao ponto de nem ter sido acompanhada durante esse período. Assim sendo, dá à luz em anonimato e a partir daí é um grande caminho até o bebé encontrar uma família que o ame. 

A narrativa começa por apresentar-se de um modo linear, mas passado pouco tempo passa a ser alternada, de modo a apresentar as várias personagens que vão estar associadas ao processo de adoção do bebé Théo. Parece-me que talvez a maior falha do filme seja a maneira como apresenta a mãe adotiva, interpretada por Élodie Bouchez, introduzindo-a com uma situação insólita causada pelo desleixo de um vizinho, que não parece bem encaixada no filme, tornando-se apenas estranha de se ver e levando-nos a criar uma ideia errada da personagem. Por sua vez, a personagem da assistente social Karine (Sandrine Kiberlain) também nos deixa com algumas questões, nomeadamente relacionadas com alguns dos seus vícios. Já Jean (Gilles Lellouche), também um assistente social que se torna família de acolhimento, é uma personagem muito equilibrada que parece transmitir com muita naturalidade o que muitas pessoas na sua situação sentem. 


O pequeno protagonista do filme, o bebé Théo, é uma verdadeira estrela e leva-nos realmente a ficar interessados em saber o que lhe vai acontecer, o que nos permite seguir o processo da sua adoção com uma maior atenção, pois este pequenote é capaz de nos conquistar logo desde a sua primeira cena com as suas reações abstratas e capazes de transmitir tantos sentimentos. O modo como o bebé e os seus pequenos detalhes são apresentados torna o filme muito especial. 

Para além de não me ter agradado o modo como a mãe adotiva foi apresentada, admito que também achei alguns sub-plots desnecessários, pois não acrescentam nada à história. Num filme deste género, o que interessa é apenas a estrada principal (o processo de adoção e todas as complicações envolvidas) e não os pequenos caminhos que com ela se cruzam. 


No geral, este é um filme muito ternurento e repleto de lições que devem ser levadas por todos nós. Acredito que se torne num filme muito interessante para quem está numa situação como a que é apresentada, seja essa pessoa a mãe que decide não ficar com o filho, um assistente social que tem de decidir a quem atribuir a criança, um pai ou uma mãe adotiva ou apenas aquela pessoa que durante anos esperou para ter um filho.

7/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

14 comentários:

  1. É raro ver filmes franceses, mas fiquei muito curiosa com este!

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    1. É um filme muito interessante e com um tema pouco abordado no cinema!

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  2. Oi Joana, tudo bem?
    Achei a trama muito interessante, especialmente por tratar da adoção por uma perspectiva diferente.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  3. Este é dos tais que muito dificilmente passará aqui em Macau...

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  4. Os filmes franceses são extraordinários, os melhores, atingiram um patamar de qualidade e considero que não ficam em nada atrás do realizado em qualquer canto do mundo.

    Beijinhos

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    1. É verdade! Ultimamente tenho visto imensos filmes franceses e fico quase sempre agradavelmente surpreendida!

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  5. Eu adoro filmes que nos passam lições e nos fazem refletir.
    Gostei da análise e fiquei curiosa em assistir :)

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

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  6. Anotado, eu não gosto de comédias mas amo cinema francês, eles efetivamente sabem como apresentar um produto!

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  7. Fiquei curiosa, apesar das coisas menos boas que apontas vou tentar ver o filme!

    MY SUPER SWEET TWENTY

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