quarta-feira, 7 de agosto de 2019

"Fotografia" em análise

O realizador indiano Ritesh Batra volta agora a levar-nos diretamente para as ruas de Mumbai com mais um filme que apresenta uma história que vence pela sua simplicidade, naturalidade e beleza. Fotografia segue um homem chamado Rafi que ganha a vida a tirar fotografias a turistas junto a monumentos emblemáticos, mas que se vê metido numa grande alhada quando mente à sua avó, que o pressiona para casar, afirmando que já tem uma namorada e enviando uma fotografia de uma rapariga desconhecida. Miloni é essa rapariga e também é uma pessoa reservada, com uma vida que é o oposto da de Rafi. Ambos vivem em realidades diferentes, mas isso não os impede de se conhecerem.


Esta é uma história como tantas outras, mas assim como acontece em A Lancheira não segue os típicos clichés que a podia tornar previsível. O estilo de narrativa destaca-se por ser diferente e por ter alguns trunfos na manga, nomeadamente a sequência final. 

O filme fala-nos de amor, de cultura e tradições. É bom conhecer o ponto de vista de cada um dos protagonistas, ver como eles veem, conhecer as diferenças dos seus mundos. Se por um lado através de Miloni ficamos a conhecer Mumbai pelos olhos de alguém que faz parte de uma família que vive bem, de classe média, através de Rafi viajamos pelas pequenas ruas onde se vendem comidas que Miloni não pode comer porque certamente lhe farão mal. Ou seja, vemos aquilo que poderia ser considerado o “lado negro”, mais pobre, e ainda assim é apresentado de uma maneira tão bela que nos deixa encantados. 


Nawazuddin Siddiqui e Sanya Malhotra interpretam Rafi e Miloni, respetivamente, e a química existente entre ambos é notável, sendo mesmo capaz de levar a momentos de silêncio que nunca se tornam constrangedores para quem está a ver, pois as suas expressões transmitem o suficiente e não é necessário espaço para palavras. O nervosismo como consequência de um início de uma relação está presente e Batra é capaz de o captar na perfeição, seja através do olhar ou de pequenos sinais. 

A banda sonora é fantástica só por si, mas é de notar também os sons que vão soando ao fundo, desde o ritmo da música que dispara das ruas de Mumbai ao som incessante dos carros ou das pessoas, especialmente nos momentos em que Rafi se encontra a trabalhar em busca de turistas que queiram uma fotografia que os lembrará para sempre daquele momento. Mesmo tendo um pacing lento, o filme nunca perde estes sinais que o tornam vivo.


Parece-me que este é um filme essencial para quem é amante de fotografia e da arte de fotografar em si, pois é a partir desse simples ato que tudo começa. Mas também é essencial para quem gosta de filmes que transmitam uma grande tranquilidade e que saibam contar uma boa história de um modo simples. No final, o espectador não necessitará de palavras, pois a calma que o filme nos deixa será o suficiente para termos um resto de dia excelente.

8/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

3 comentários:

  1. Ainda não tinha ouvido falar desse filme, mas fiquei curiosa! :)
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  2. Fiquei extremamente curiosa quando ouvi falar deste filme pela primeira vez. A história pareceu-me mesmo interessante. E é bom perceber que não segue uma linha mais previsível :)

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