sábado, 10 de agosto de 2019

"Histórias Assustadoras para Contar no Escuro" em análise

Devo admitir que nunca li estes livros enquanto criança, apesar de ter lido um conto ou dois da série Arrepios, e mesmo na altura eu nem sabia que era uma longa coleção de livros. Mas havia algo aqui que me chamou logo à atenção. Claro que o nome de Guilhermo del Toro é bastante apelativo no que diz respeito a terror, mas penso que não foi propriamente isso que me deixou com interesse em ver o filme. É possível que seja pelo facto de me lembrar dos livros que mencionei acima, dos Arrepios, mas um pouco mais maduro e não tão direcionado a crianças (não que ambos sejam mesmo para crianças…), ou talvez porque ultimamente os filmes de terror que contém crianças têm sido genuinamente bons (IT, por exemplo, que parece até ter dado alguma inspiração a este filme). 


Foi mais tarde que percebi que o filme era realizado por André Øvredal, o mesmo realizador de Troll Hunter e The Autopsy of Jane Doe, dois filmes que vi com zero expectativas e acabaram por ser boas surpresas. E neste filme André volta a surpreender-me, pegando num conceito mítico e tornando-o sobrenatural, utilizando ao máximo a classificação que foi atribuída ao filme nos EUA (equivalente a +12 anos cá). O filme é esperto o suficiente para ser assustador e arrepiante, mas não ao ponto de o tornar um filme de terror a sério. É como o Insidious, filme esse que contém a mesma classificação que Scary Stories. Este, apesar de ter uns quantos jumpscares – o que é normal num filme do género – não exagera nos mesmos em favor de tentar criar uma tensão real que resulta a maior parte das vezes, seja graças a um longo silêncio ou a uma cinematografia bastante distorcida e dreamlike

As interpretações no filme também são bastante agradáveis. São muito credíveis tendo em conta o tempo em que se passa a narrativa, e, tal como disse, o grupo de amigos é um pouco parecido com os Losers na maneira como se tratam uns aos outros, mas nada que seja demasiado igual. Mas, realmente, não há assim nada de memorável neles que me vá fazer revisitar o filme, ou lembrar-me até dos nomes de cada um. 


Os efeitos especiais é que, de facto, podiam estar um bocado melhores, especialmente quando têm o nome de del Toro no meio do poster – e na maior parte do marketing do filme. Ele é um suposto mestre dos efeitos especiais práticos, esses visto em prática em vários filmes como Hellboy e O Labirinto do Fauno, mas nada dessa praticidade é visível aqui, sendo substituída maioritariamente por efeitos especiais digitais, que são um bocado distrativos mas passáveis. 

A história é também simples mas emblemática o suficiente para deixar o espectador curioso com o que vai acontecendo. Esta tem uma narrativa própria onde, ao longo da mesma, começam a surgir vários contos que os fãs da série de livros vão poder reconhecer, e ajudam a progredir na história. É quase que o mesmo conceito que os filmes de Arrepios que saíram a pouco tempo.


Não há muito mais que se diga deste filme, sendo honesto. É um bom filme, realmente, mas temo que, tendo em conta o catálogo de terror que está para vir ainda este ano, este ficará esquecido pelo meio, o que é uma pena, considerando que este acaba numa espécie de cliffhanger que anseia uma continuação. Talvez se este filme tivesse saído mais tarde, mais perto da altura do Halloween – época em que, por acaso, este filme se passa -, tivesse um maior propósito do que quase no fim do verão, especialmente graças à classificação etária que o filme tem nos cinemas. Se estiverem à procura de ligeiros sustos e bons momentos de suspense, não posso deixar de o recomendar. 

7/10
SOBRE O AUTOR

Apreciador, e colecionador, de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man de Sam Raimi.

4 comentários:

  1. Vai parecer burrice da minha parte, mas até há uns dias achei que o filme era realizado pelo próprio Del Toro, porque só o nome dele é que aparece em tudo o que está relacionado. Eu gostei de ver o Autopsy Of Jane Doe, portanto quero ver este também. Parece-me que a realização será minimamente competente. Mais uma boa crítica, Diogo. Abraço!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Este sofre o mesmo síndrome que Alita: Anjo de Combate e Engenhos Mortíferos, tanto dizem que é da mente de James Cameron ou Peter Jackson, respetivamente, que começam logo a pensar que foram eles que realizaram os filmes!

      Abraço, Jaime!

      Eliminar