terça-feira, 27 de agosto de 2019

"O Último Amor de Casanova" em análise

Benoît Jacquot está de regresso à realização com o seu novo filme O Último Amor de Casanova, que é baseado no livro de memórias do aventureiro italiano, História da Minha Vida, e protagonizado por Vincent Lindon e Stacy Martin. 


A trama transporta-nos para Londres do séc. XVIII, onde Giacomo Casanova se encontra, depois de ter sido forçado a exilar-se. No entanto, rapidamente é notável que o protagonista desconhece os costumes britânicos e não consegue adaptar-se a esta sociedade tão diferente daquela onde anteriormente se inseria. Até que dá de caras com uma mulher que é conhecida por Charpillon que o atrai ao ponto de este esquecer tudo o resto e começar a viver uma paixão, que não é correspondida. 

A história passa-se em duas décadas diferentes: os tempos em que Casanova andava apaixonada são relatados pelo mesmo já numa fase mais avançada da sua vida, na qual este está claramente muito fatigado. E parece-me que o primeiro problema ocorre aqui, pois este estilo de narração não parece adequado ao filme, parecendo até desnecessário termos este relato por parte de um Casanova mais idoso. Ou seja, parece-me que o filme poderia resultar melhor se tivesse sido centrado apenas nos acontecimentos, sem necessidade de os trazer como uma espécie de flashback


O segundo problema revela-se em vários sentidos: a caracterização. A começar pela caracterização dos protagonistas, demasiado simples em contraste com a dos figurantes. Depois temos também o problema dos cenários, que não parecem ser capazes de nos levar para a capital britânica, limitando-se a ser básicos. Isto a juntar a planos demasiado repetitivos e parados leva a um filme que não consegue arriscar e que se limita a contar uma história, que só por si parece ser vazia de conteúdo.

Vincent Lindon não me parece ter sido uma boa opção para o papel de Casanova, pois as suas reações não transmitem o pretendido. O facto de se tratar de uma fase mais avançada na vida do protagonista não é o problema. O problema é o modo como este parece ficar aquém do que se requer num filme deste género.


O Último Amor de Casanova tinha potencial para contar uma boa história, mas perde-se em olhares que pouco transmitem e traz um estilo de narração que não lhe assenta bem. É pena...

5/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações. Vi na criação deste espaço o local ideal para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto.

8 comentários:

  1. Olá, Joana!
    Depois dessa sua postagem, minha amiga, não vou perder esse filme. Parabéns!
    Uma boa semana, com muita alegria e paz, Joana! Beijo. Pedro

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  2. É sempre um desconsolo quando o filme tem tanto potencial, mas depois não corresponde :/

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  3. Mais um dos tais que desconfio que não passe para o Oriente...

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