quarta-feira, 28 de agosto de 2019

"Tudo Bons Meninos" em análise

Crianças a dizer e fazer obscenidades não é nada de novo, especialmente nos tempos de hoje. Mas Seth Rogen e Evan Goldberg acreditam que é algo completamente novo, ou pelo menos assim parece na maneira como distribuem este seu novo filme: Tudo Bons Meninos, Good Boys no nome original, onde vemos crianças, ainda que quase adolescentes, a fazer “coisas de crescidos”... Como ir ao centro comercial e tal!


Para quem é fã de um pequeno filme que saiu na década passada, chamado Superbad, vai achar que este filme, que tem a mesma equipa por trás, copia algumas coisas que o tornavam cómico e transportaram para esta nova adaptação, mais moderna, que mostra como os adolescentes e as suas mentalidades mudam de década para década, mas sempre com o mesmo fundamento “sexual”.

O filme tem umas quantas boas interpretações, especialmente pela parte do jovem trio que carrega o filme às costas. Há, claro, alguns momentos muito idiotas em que eles podiam ter feito algo simples mas são crianças, é normal pensarem nas desculpas ou maneiras mais absurdas para tentar resolver algo, e este trio consegue vender isso perfeitamente. O restante elenco infantil é que pode ser bastante hit or miss, mas o mais graúdo (mais adolescente, e, de certa forma, alguns adultos, apesar de não aparecerem durante muito tempo) ainda sucedem bastante bem.

O filme tem uma premissa muito simples que é levada a pontos ridículos, o que é normal para um filme produzido por Rogen e Goldberg, mas aqui sente-se um pouco justificado, apesar de embaraçoso às vezes. Na publicidade do filme acentuam o facto de que o filme é para +16 (nos EUA, digo), mas, se não fosse pelas milhares de vezes que dizem asneiras, o filme não se sente por nada como um filme que merece essa classificação. Era como se o filme tentasse ser South Park Live Action-wannabe, mas não se sente nem perto disso. Penso que o filme conseguiu mais uma reação emocional minha quando estes estavam apenas a ser genuínos e a testar os limites da sua amizade, ou a aprender com os seus erros, do que risada quando tentavam ter graça.


Good Boys é, penso, um filme bastante inofensivo de 90 minutos que facilmente se pode ver na televisão à tarde. Talvez seja por eu ainda ser adolescente e já ter visto comédias muito mais obscenas enquanto crescia. A única diferença é que, desta vez, temos mesmo crianças a dizer palavrões, o que não é, honestamente, novidade nenhuma, pois todos sabemos (e os pais também) que eles as dizem carradas de vezes, mas às escondidas (que é exatamente o que fazem no filme). Pode ter uns quantos momentos que deixaram muita gente a rir, mas acho que o filme vale mais pelos momentos mais simples e reflexivos do que realmente na comédia.

6/10
SOBRE O AUTOR

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

4 comentários:

  1. Fui ver este filme no fim de semana passado confiante de que tinha o próprio Seth Rogen no elenco...

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