quinta-feira, 1 de agosto de 2019

"Uglydolls" em análise

No mês passado tivemos a chegada de Toy Story 4 aos cinemas, um filme que, como todos sabem, é sobre brinquedos. Ora, agora temos um novo filme sobre brinquedos, mas que é completamente diferente. UglyDolls é realizado por Kelly Asbury e traz uma animação totalmente feita em computador. Para além disso, é uma espécie de musical que na sua versão original reúne várias estrelas ligadas à música Pop, como é o caso de Kelly Clarkson, Nick Jonas e Janelle Monaé. 


UglyDolls, assim como o próprio nome indica, reúne um grupo de brinquedos feios, pois foram criados com defeito. Estes bonecos vivem felizes em Ugly Ville, mas Moxy, uma verdadeira sonhadora, tem vontade de sair daquele lugar e de viver a verdadeira funcionalidade de um brinquedo: pertencer a uma criança. Então, juntamente com os seus amigos partem para o Instituto da Perfeição, onde poderão ser selecionados para viver a vida ao lado de uma criança. No entanto, nem tudo é assim tão fácil e Lou, um boneco perfeito que tem poder de escolha em tudo o que acontece no Instituto da Perfeição, vai complicar-lhes a vida ao máximo. 

A mensagem que o filme quer transmitir é muito simples, mas não é por isso que deixa de ser importante: ninguém é perfeito, mas são os nossos defeitos que nos tornam especiais. A meu ver, o problema do filme é que passa demasiado tempo a acentuar o facto de os protagonistas serem considerados “feios”, apenas para depois ser demasiado rápido quando acentua que todos temos defeitos. A determinado momento estava a questionar-me se o filme não estaria a transmitir uma ideia errada a determinado momento. Enquanto pessoa adulta, entendi perfeitamente o que o filme queria transmitir, mas segundos depois tive a resposta ao meu pensamento, quando ouvi uma criança sentada atrás de mim a perguntar à mãe: “mas faz mal eu usar os meus óculos?”, relativamente ao facto de uma personagem passar mais de metade do filme a tentar esconder que usava óculos e que via mal, o que a tornava imperfeita. Não me entendam mal, atenção. O filme no final deixa tudo explicito, mas preocupa-me o desequilíbrio da narrativa no que toca a apresentar que ninguém é totalmente perfeito, pois a personagem de Lou, o antagonista, é demasiado forte a mostrar que os defeitos são coisas más. 


No que toca ao estilo de animação, lamento que não seja muito criativo, parecendo tudo muito simples, especialmente os cenários. O filme é muito colorido, mas isso deve-se especialmente às personagens, especialmente os Ugly Dolls, que são de cores muito vivas, como rosa choque, amarelo, azul… Já os brinquedos perfeitos tornam-se mais monótonos, para não dizer que se são todos iguais – o que me parece ser, na verdade, o objetivo. 

Sendo este filme um musical, é claro que está cheio de músicas. Se por um lado temos algumas que ficaram incrivelmente bem, temos também outras que me parece que se prolongam durante demasiado tempo, tornando-se repetitivas e com pouco conteúdo para acrescentar à trama. 


Um pequeno pormenor que gostei neste filme foi o facto de conseguir transmitir uma pequena crítica social. A determinado momento, no Instituto da Perfeição cada brinquedo Perfeito recebe um rótulo (um é engenheiro, outro é modelo, e por assim adiante) e isto pareceu-me curioso, especialmente quando chega a vez de Moxy e esta recebe apenas uma voz a dizer “tu não és modelo”. Neste aspeto, pareceu-me que o filme transmitiu bem a mensagem de que não devemos deixar que alguém nos coloque um rótulo, devemos ser nós mesmos e seguir os nossos sonhos, como a Moxy faz. 

Sendo um filme de animação, como é óbvio em Portugal temos uma dobragem especial. Por esta altura, considero que as dobragens portuguesas já têm uma grande qualidade e neste filme isso não falha. Destaco um momento musical entre Soraia Tavares, no papel de Mandy, e Sissi Martins, na voz de Moxy, no qual as vozes de ambas casam muito bem, tornando a melodia bela. Claro, tenho de destacar também a prestação de Fernando Fernandes, que torna a personagem Lou em alguém terrível, mas com uma voz angelical, o que parece torná-lo ainda mais matreiro. 


No geral, não posso afirmar que o filme é bom ou mau, pois considero que faltou aqui um pouco mais de equilíbrio, seja na transmissão da mensagem ou na escrita da narrativa, mas também no que toca à duração das canções. Ainda que o resultado não me tenha agradado por completo, sinto que há determinados momentos que são de louvar, como alguns dos que referi anteriormente. Acontece apenas que o filme não consegue ser criativo o suficiente em nenhum aspeto e isso torna-o menos especial e pouco memorável, até porque outros tantos filmes já se centraram no mesmo tema e foram capazes de fazer algo melhor (é mesmo o caso de Toy Story 4, com a apresentação da personagem Gabby-Gabby, que também tem um defeito).

5/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

10 comentários:

  1. really nice post dear :) I like to read your blog :)

    https://bubasworld.blogspot.com/

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  2. [...]não devemos deixar que alguém nos coloque um rótulo, devemos ser nós mesmos e seguir os nossos sonhos" Um pouco na sequência de um comentário que fiz anteriormente, há uma preocupação na "industria" de passar mensagens e de moldar, ou melhor, guiar as futuras gerações por um caminho baseado em valores.

    Quanto ao descritivo, já sou fã da escrita e da qualidade da análise. Gostei mesmo muito.

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    1. Pois, isso é verdade. Raros são os filmes destinados a crianças que não tentam transmitir valores. É pena que nem sempre os consigam transmitir do melhor modo...

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  3. Eu gostava muito de filmes de animações quando era criança hehe, mas atualmente (confesso) que não sou muito fã. Bom... mas sempre tem aquelas que realmente vale a pena de acompanhar. Ainda não assisti esse filme, mas vou da uma chance quando tiver a oportunidade de conferir. ;)

    O Planeta Alternativo

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    1. Talvez haja outros filmes de animação melhores para ver... 😛

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  4. A mensagem e a ideia são, de facto, de máxima importância, mas quando falta esse equilíbrio pode ser perigoso, porque a interpretação fica logo condicionada. É uma pena :/

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    1. De facto, alguns dos protagonistas têm muita graça. 😛

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