terça-feira, 17 de setembro de 2019

"Downton Abbey" em análise

A série britânica Downton Abbey foi um fenómeno mundial, mas, infelizmente, chegou ao final em Dezembro de 2015, para infortúnio dos fãs. No entanto, passado estes anos, chega agora a oportunidade de regressar à mansão da família Crawley e de disfarçar as saudades com um filme, que pode muito bem ser considerado um episódio especial com duração de duas horas. 


A trama começa em vésperas de chegada do rei e da rainha a Downton Abbey, depois de estes se auto-convidarem a passar lá uma noite. Temos, então, todos em pleno alvoroço, de modo a deixar a mansão o mais limpa e organizada possível. Depois começam a chegar os criados da família real antes mesmo de os restantes chegarem, o que gera alguns conflitos pois todos aqueles que trabalham em Downton há anos são, de um certo modo, postos de parte durante os preparativos… Pelo menos até decidirem agir. Ao mesmo tempo, temos ainda Mary a refletir acerca do futuro daquela propriedade e a pensar se com a mudança dos tempos continua a fazer sentido viver ali. 

Sendo muito sincera, e enquanto fã da série, custou-me não me emocionar logo no início assim que o tema musical começou a fazer-se soar num andamento mais lento e com alguns acordes modificados. O simples facto de este filme existir e de estar nos cinemas só por si já me deixou com um certo contentamento. Dito isto, é notável que a sua existência é uma espécie de fan-service, que pretende recordar a série, trazendo de volta todas as suas personagens. 


A história é básica, entregando um q.b. de drama e de comédia, mas focando-se essencialmente naquilo de que todos gostamos: as personagens. O enredo permite que cada ator brilhe e apresente aquilo que esperamos de si, pois cada personagem tem o seu lugar reservado e todos retomam aqui as suas funções. Neste aspeto, é muito complicado um fã não ficar rendido, pois as saudades já não eram poucas e é maravilhoso ver as mudanças pelas quais todos passaram (enquanto pessoas reais), mas perceber que ali naquela história continuam a ser os mesmos. 

O filme está carregado de representações poderosas, como menos não seria de esperar de um elenco tão bom, mas ainda assim há duas atrizes que gostaria de destacar: Maggie Smith, claro, no seu papel da condessa Violet Crawley, e Michelle Dockery, que interpreta a sua neta Mary. Estas duas partilham um dos momentos mais belos do filme, durante o qual as suas prestações vão ao extremo. 


Visualmente, o filme segue muito a série: os cenários são os mesmos, o estilo de fotografia também. Já se conhece o nível de qualidade. Também o guarda-roupa é de louvar, como de costume. É tudo pensado ao pormenor no que toca à visualidade. Mas como aqui a determinado momento surge a ideia de deixar tudo ainda mais limpo, existe um cuidado especial em mostrar algumas mudanças e consequentemente um maior foco em coisas que de outro modo certamente passariam despercebidas ao olhar.

O que menos me agradou foi a existência de um ou outro momento mais “dramático”, relacionado com o irlandês Tom Branson (o viúvo da irmã Crawley mais nova, Sybil), que me pareceu ser completamente fora de contexto e descartável, especialmente tendo em conta todo o background existente. Pareceu-me forçado e demasiado repentino, ainda que a intenção fosse apenas acentuar algo. 


O resultado do filme foi o esperado: serve mais para ativar a nostalgia do que para entregar novos conteúdos. Foi o suficiente para matar as saudades e por isso deu-me uma enorme alegria, ainda que o final seja um tanto agridoce. Acredito que vai emocionar muitos fãs da série. Na verdade, acho que é mesmo esse o objetivo! Levem uns lencinhos…

8/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

12 comentários:

  1. Estes filmes de época sim fazem o meu género.

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  2. Gosto muito deste tipo de filmes. Permitem ver para além do enredo, com os cenários, a cultura, o passado, o trato, um outro mundo

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  3. Um filme que lhe agradou ver. Segundo aqui relata. Quando assim acontece. Não é tempo perdido nem no custo do bilhete é considerado dinheiro mal gasto!

    Um bom dia de Quarta-feira desejo para si Joana Grilo.

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  4. Eu amo essa série, eu chorei muito, teve momentos que senti ódio de quem escreveu hahaha
    Mas amo real e foi uma pena ter chegado ao fim depois de muitas temporadas
    Beijos ♡ Blog | Instagram | Youtube

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  5. Acabei por nunca acompanhar a série, mas continuo a ter imensa curiosidade! Acho que vou ter que me dedicar a vê-la e deixar o filme para outra oportunidade

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  6. Acreditas que nunca vimos esta série?! Temos que tratar disto!

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