sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Dupla sessão com Jamie Bell

Na próxima semana chega aos cinemas o filme Skin, protagonizado por Jamie Bell, que parece-me ser um daqueles atores que merece muito mais reconhecimento do que tem neste momento. Assim sendo, surgiu-me a ideia de trazer para aqui uma dupla sessão de filmes por ele protagonizados. As minhas sugestões neste artigo estão longe de ser os seus filmes mais conhecidos. Para isso poderia sugerir Billy Elliot (2000), Rocketman (2019) ou até mesmo As Aventuras de Tintin – O Segredo de Licorne (2011). Pensei, no entanto, em trazer dois filmes muito distintos que mostram na perfeição o enorme talento de Bell. 


Começo por sugerir um filme que para mim foi uma agradável surpresa. As Estrelas Não Morrem em Liverpool, realizado por Paul McGuigan, que para além de Jamie Bell conta ainda com Annette Bening nos papéis dos protagonistas. Baseado numa história real e na autobiografia de Peter Turner, o filme mostra-nos o romance que existiu entre este e a atriz Gloria Grahame e conta como foram os últimos anos de vida da atriz. Através de uma narrativa alternada entre presente e passado, ficamos a conhecer como começou o romance entre Grahame e Turner e também como este “terminou”. Somos levados para os anos 70, altura em que estes se conheceram, e também para os anos 80, momento em que estes se reencontram. A certa altura do filme, são-nos mostrados dois pontos de vista que nos ajudam a compreender certas atitudes das personagens, o que faz com que consigamos estabelecer uma certa empatia com ambos. 

Um dos grandes pontos positivos deste filme são as interpretações de Bening e de Bell. Annette Bening interpreta aqui Gloria Grahame, a atriz excêntrica e cheia de vida que foi vencedora de um Óscar em 1953. Jamie Bell é o jovem Turner que mostra que a idade não importa quando estamos a falar de amor. Enquanto dupla de atores, fazem aqui um par incrível, especialmente nas cenas do filme que retratam momentos do passado e também no final. Curiosamente, no filme é dito que “Gloria was a big name in black and white film” e é irónico pensar que esta atriz dos filmes a preto e branco foi quem trouxe alguma cor à vida de Turner. As Estrelas Não Morrem em Liverpool mostra-nos este amor intemporal, com um certo toque de glamour, típico de Hollywood


O segundo filme que sugiro chama-se 6 Dias e é realizado por Toa Fraser. A trama leva-nos para Abril de 1980, quando um grupo de terroristas tomou a Embaixada Iraniana em Londres e vinte e seis pessoas ficaram reféns. O filme apresenta três pontos de vista: o do negociador da polícia, o da brigada do SAS (Serviço Aéreo Nacional) e também o dos jornalistas, encarregues de mostrar tudo o que estava a acontecer. 

Max Vernon (interpretado por Mark Strong) tenta manter a paz, através de negociações com os terroristas. Max é capaz de se manter calmo nesta situação, revelando o seu lado humano, e esforça-se por encontrar um desfecho pacífico. Ao mesmo tempo, a brigada do SAS treina várias opções para uma possível investida contra a embaixada. À medida que a tensão entre os negociadores e os terroristas vai aumentado, os militares vêem-se cada vez mais próximos do momento em que vão ter de agir. No exterior da embaixada, uma grande equipa de jornalistas vai informado o publico sobre todos os acontecimentos. Kate Adie (interpretada por Abbie Cornish) é uma jornalista da BBC que se destaca porque foi uma das responsáveis pela primeira reportagem em direto na televisão. 


O filme não tem ficção e apresenta tudo por ordem linear. É bastante dramático, porém a ação não é muito dinâmica. Lamento que os reféns sejam pouco apresentados, pois penso que estes são bastante importantes, para mostrar o medo que as pessoas que estavam presas dentro da Embaixada estavam a sentir. Aqui posso dar destaque à banda sonora, que, tal como aconteceu no filme Dunkirk de Christopher Nolan, mostra que o tempo está a passar e que existe a necessidade de agir rapidamente, mas de um modo consciente. 

Jamie Bell e Mark Strong interpretam as personagens principais, que são muito diferentes. Enquanto um tenta manter a paz, o outro está treinado para agir e matar se for preciso. Deste modo, coloca-se a questão: como devemos combater o terrorismo? Através da força ou com negociações pacíficas? E este era um tema que estava a ser realmente falado quando o filme foi lançado em 2017. Apesar de ser um filme como tantos outros baseados em histórias verídicas, 6 Dias merece destaque por relembrar um momento da História que parece ter sido esquecido.
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

2 comentários:

  1. Fiquei muito curiosa com As Estrelas Não Morrem em Liverpool.
    Há atores absolutamente extraordinários. E é uma pena quando não têm o devido reconhecimento

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