terça-feira, 10 de setembro de 2019

"It: Capítulo 2" em análise

Depois de It em 2017, Andy Muschietti volta a assumir o cargo de realizador na sequela que, tal como o livro de Stephen King, apresenta uma fase adulta do Clube dos Falhados, vinte e sete anos depois dos acontecimentos do antecessor. Ainda que não tenha spoilers concretos, nesta análise refiro-me também ao livro e acabo por fazer algumas comparações, a meu ver necessárias, por isso recomendo a leitura deste artigo apenas a quem já viu o filme ou que conheça a história!


Assim como na vida real, o grupo de amigos separou-se e cada um foi para o seu lado, com a exceção de Mike, que permaneceu em Derry e é quem convoca todos os outros para cumprirem a promessa que tinham feito quando eram novos. Acontece que a Coisa, assumindo a faceta do maquiavélico palhaço Pennywise, está de regresso para mais mortes e desaparecimentos. 

O filme inicia-se logo com um momento que é totalmente retirado da obra literária de Stephen King, deixando rapidamente no ar a promessa de que várias sequências vão seguir o texto original. De facto, é isso que acontece: o peso do livro é bastante notável durante o desenrolar da história, com vários momentos a serem seguidos à risca, o que certamente é delicioso para qualquer fã da obra do mestre do horror. Os momentos de reunião do Clube dos Falhados são incríveis de se ver e do ponto de vista de alguém que leu o livro é quase como se aquilo que imaginámos enquanto estávamos a ler tivesse sido impresso no grande ecrã, tal é a atenção dada a pequenos pormenores que são descritos na escrita de King. 


Tal como no primeiro filme, um dos aspetos positivos é a construção das personagens. A construção aqui torna-se num sinónimo direto de crescimento. Todos os protagonistas cresceram, mas ainda assim temos momentos em que assistimos à evolução de cada um. É curioso perceber, por exemplo, que os medos se foram alterando, pois, claro, um adulto já não pensa como uma criança e isso tem uma grande influência no modo como todos reagem. 

Quando vi o primeiro filme, considerei que, ainda que fosse um filme de terror, ganhava mais pelo seu suspense e não tanto pelo medo propriamente dito. Aqui senti um maior impacto em algumas sequências, mas também não pelo medo, mas sim por saber que o meu corpo, ainda que inconscientemente, ia reagir – a balões a rebentar, por exemplo. No entanto, este filme não tem receio de arriscar e de se soltar um pouco das raízes e por vezes temos momentos de humor que surgem do inusitado e que conseguem resultar bem por serem completamente inesperados. 


Como nem tudo são rosas, admito que para mim este capítulo ficou um pouco aquém do anterior. Por vários motivos, a começar pelo facto de os monstros CGI não conseguirem ser suficientemente assustadores na sua aparência. Penso que no primeiro filme estavam mais convincentes. Aqui não conseguem ter impacto, o que certamente foi um dos motivos pelos quais decidiram colocar um pequeno excerto de uma música numa determinada cena apenas pela graça e para tentar disfarçar uma tentativa meio falhada de assustar...

Depois há um grande problema no pacing… O filme está realmente muito longo com as suas quase três horas e isso sente-se. Se por um lado gostei de ver partes do livro a saltarem diretamente para o ecrã, por outro achei que devia ter havido uma melhor escolha do que realmente era necessário – as partes da Silver, por exemplo, tornam-se descartáveis, tendo em conta que um dos momentos mais icónicos ligados à bicicleta também foi esquecido. 


Penso que devia ter havido um mapeamento melhor, de modo a guardar algum espaço para fechar os arcos das personagens. Já todos sabemos que no final corre quase tudo bem, no entanto o filme não deixa claro o que acontece. Especialmente a Bill e Beverly, pois sequências realmente importantes na obra literária foram ignoradas – hi yo Silver! Para além disso, custa-me que uma personagem importante como Henry Bowers tenha tido tão pouco tempo de antena, tendo em conta que no livro torna-se numa espécie de “aliado” de Pennywise na “luta” contra os falhados. As suas sequências no filme são demasiado rápidas em comparação com o momento em que este aparece pela primeira vez. 

Os problemas de pacing do filme chegam a notar-se no momento do derradeiro confronto com Pennywise, durante o qual sentimos mesmo um certo aborrecimento numa determinada cena que podia ter sido perfeitamente excluída. Acontece que, ainda que o único motivo pelo qual o grupo se reuniu tenha sido esta luta que dura há já vinte e sete anos, parece que o grande momento de clímax do filme perde um certo interesse, talvez porque o melhor da história é o grupo protagonista e não tanto os monstros e a Coisa – infelizmente, penso que isto é algo que se sente também durante a leitura do livro. 


Para terminar é preciso dizer uma coisa: o filme tem um um excelente casting. Antes sequer de os nomes das personagens em fase adulta serem pronunciados é possível perceber quem é quem, tais são as parecenças do elenco. Penso que isto é de louvar, pois nota-se que houve uma enorme preocupação em tornar os miúdos crescidos sem que os espectadores ficassem a pensar que as escolhas eram más. 

Admito que as minhas expectativas para o filme não estavam muito elevadas, pois não sabia quais seriam as escolhas do argumento – se iam de encontro à história original ou não. Ao longo do filme, tive momentos em que, sinceramente, delirei, pois estava a ver tudo o que li à minha frente. No entanto, é um filme que é cansativo por ser tão longo. Não é mau, nem perto de o ser, mas tem coisas em excesso e atos lentos. Podia perfeitamente ter meia hora a menos que o impacto conseguia ser outro. Não me interpretem mal, pois não deixo de o recomendar, especialmente a quem é fã de Stephen King.

7/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

12 comentários:

  1. Que, então, tenha sido divertida,
    a historia do Clube dos falhados
    porque, só nos acontece nesta vida
    onde não gostamos de ser enganados!

    Para si Joana Grilo, desejo uma boa tarde de Terça-feira!

    ResponderEliminar
  2. Não estou muito por dentro da história - só conheço traço muitos gerais -, até porque não é um género que me atraia.
    Excelente análise, como sempre!

    ResponderEliminar
  3. Temos exactamente a mesma opinião que tu e também lhe daríamos um 7/10...

    ResponderEliminar
  4. O Stephen King não é dos meus autores favoritos.
    Quando a sua obra literária está na origem de filmes eu fico desconfiado.

    ResponderEliminar
  5. Não conhecemos a história :S

    Beijinhos,

    http://damselme.blogspot.com/?m=0

    ResponderEliminar
  6. Eu tenho vontade de assistir It, mas ao mesmo tempo tenho receio porque não sou fã de levar sustos e tals haha.
    Quem sabe um dia :)

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

    ResponderEliminar