quarta-feira, 18 de setembro de 2019

"Koko-di Koko-da" em análise

Um nome invulgar e que, no entanto, nos deixa com uma certa curiosidade. Foi esta a primeira sensação que tive relacionada com o filme sueco-dinamarquês Koko-di Koko-da, realizado por Johannes Nyholm, cujo cartaz com um gato branco sinistro também é capaz de despertar um imediato interesse. Este foi um dos filmes que marcou presença no MOTELX, numa sessão à noite e com repetição no dia seguinte à hora de almoço. Certamente, havia muitos curiosos entre o público. Mas, então, que filme estranho é este? 


Koko-di Koko-da apresenta-nos um casal que depois de passar por um grande trauma não consegue voltar a estabilizar a sua relação, surgindo frequentemente conflitos entre ambos. Mesmo assim, decidem ir acampar. Só que aquilo que podia ser apenas uma noite passada no meio da natureza torna-se num pesadelo à partida sem saída. 

Começamos por ter um vislumbre de três figuras meio caricatas e alegóricas a cantar de um modo sinistro no meio da floresta, mas rapidamente somos transportados para uma zona distante e conhecemos uma família de três “coelhinhos”. É importante não perder o rumo à narrativa, pois as pistas para o final estão presentes desde sempre, ainda que seja difícil ao início perceber o objetivo do filme. O final entrega uma explicação interessante que muda rapidamente o modo como vimos tudo o resto, sendo até capaz de se tornar emotivo. 


A história consegue ser cativante no modo como começamos a sentir uma certa preocupação com o casal. Depois existem ainda momentos teatrais que nos levam a entendê-los melhor e que contribuem para que queiramos que consigam sair daquele pesadelo que tende a repetir-se cada vez com mais intensidade. Estes momentos teatrais, que parecem marionetas desenhadas, têm uma forte carga dramática, pois é através deles que assistimos aos momentos mais tristes. 

Ainda que necessário, penso que o único problema aqui é derivado da quantidade de repetições que determinados momentos têm. Ficamos presos num loop sem saída, mas depois da quinta vez a repetir o mesmo começamos a sentir um certo cansaço. Só que no final acontece tudo de outra maneira e aí a nossa esperança regressa e reconhecemos o motivo por ter sido tudo tão repetitivo até então. 


O resultado de Koko-di Koko-da é muito interessante, ainda que tenha vários momentos perturbadores (nomeadamente aqueles relacionados com as três personagens cantarolantes da floresta). Se conseguirmos aguentar todos os momentos com repetições e se não perdermos o rumo à meada, certamente é fácil encontrar o ponto fulcral da narrativa, que tem a sua dose de amor, carinho e tristeza. É um filme sobre ultrapassar os momentos maus na vida e encontrar a paz dentro de nós e de quem nos rodeia.

7/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

2 comentários:

  1. Respostas
    1. É um filme muito diferente. Tem momentos perturbadores, mas no final vale realmente a pena! 😊

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