quinta-feira, 19 de setembro de 2019

"Lords Of Chaos" em análise

Infelizmente, não foi com críticas muito positivas que Lords Of Chaos chegou e teve a sua estreia em solo nacional e talvez tenha sido este o principal motivo que levou poucas pessoas à sessão no MOTELX. Verdade seja dita, o filme realizado pelo sueco Jonas Åkerlund tem sido bastante criticado por onde passa, mas por um simples motivo: aquilo que apresenta difere da realidade. E parece que isso é o suficiente para criar uma onda de ódio, que é também a base deste filme. 


A trama transporta-nos para o início dos anos noventa e assistimos ao nascimento da banda Mayhem e, consequentemente, à inauguração do Black Metal norueguês e a uma violência extrema associada ao estilo musical. Desconhecendo a história verídica, é-me difícil criticar o filme pelo modo como a retrata. No entanto, nada me impede de o avaliar por si só. 

O protagonista Euronymous, interpretado por Rory Culkin (que não vos enganem os vossos olhos, as parecenças são claras, mas este não é o rapaz do Sozinho em Casa, mas sim o seu irmão), consegue, de um certo modo, ganhar a nossa empatia desde início, por muitas asneiras que cometa ao longo da narrativa. É a personagem que melhor é aprofundada e tem um crescimento notável, o que faz com que os seus minutos finais se tornem agridoces ao olhar do público que adorou vê-lo em ação durante o filme. De todas as personagens, este é aquele que, apesar de tudo, tem os pés mais assentes na terra, se assim podemos dizer… Já o antagonista, interpretado por Emory Cohen, parece ser um pouco mais vazio e não está tão bem inserido no contexto, sendo uma personagem que vai do zero ao oitenta nas suas atitudes. Teve uma mudança tão drástica que é quase impossível darmos sequer por ela, pois no final do filme ninguém se vai recordar de como este era no início. Depois existem ainda outras personagens com menos destaque que vão e vêm e é só isso. Até o interesse amoroso de Euronymous, Ann-Marit (interpretada por Sky Ferreira), parece estar apenas presente para mostrar alguma reação relacionada com o que vai acontecendo. 


O filme torna-se numa clara sátira, com momentos extremamente violentos que, por estranho que pareça, se tornam cómicos. É verdade, há sequências que de tão ridículas que são até têm uma certa piada. No entanto, depois há outros momentos que parecem já ser demasiado exagerados e apenas dão uma sensação de estranhamento e levam-nos a questionar porque estamos a ver um grupo de moços a fazer tanta porcaria ao mesmo tempo. 

A história é contada pelo protagonista, que ao início assume-se como um narrador a contar a sua própria vida e a falar sobre a sua banda. Mas rapidamente este estilo é esquecido e o narrador só regressa no final, recordando que tinha avisado logo no início de que as coisas não iam correr bem – sinceramente, nesta altura já nem me lembrava do que ele tinha dito, pois senti que mudou muita coisa desde o início. À medida que as coisas vão acontecendo, maioritariamente numa ordem linear, vão surgindo alguns flashbacks estranhos que parecem ter a intenção de causar jumpscares no público, tal é a rispidez com que são inseridos. Isto pareceu-me desnecessário, pois o filme está longe de ser do género de terror e por isso não há necessidade alguma de querer provocar essa reação em quem o está a ver. 


Este é um filme que certamente não é para todos os gostos. Sinceramente, não fui capaz de o desfrutar em pleno, pois achei muito material desnecessário. Ainda assim, foi capaz de me deixar com uma certa curiosidade em relação ao que iria acontecer em determinados momentos e também conseguiu levar-me a dar algumas gargalhadas. Vê-se bem...

6/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

8 comentários:

  1. Talvez lhe dê uma oportunidade, a ver vamos :p
    Excelente crítica!

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  2. E não é a arte em geral (e o cinema em particular) um processo de transformar a realidade em ficção?
    Joana, um bom fim de semana.
    Beijo.

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    1. Essa é uma boa observação! Um bom fim de semana para si também, caro Jaime!

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  3. Admitimos que não nos suscitou interesse...

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  4. Pelos vistos esse filme, não terá agradado a alguns dos espectadores?

    Boa noite, bons sonhos e bom fim de semana Joana Grilo.

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    1. É verdade, foi muito criticado! Um bom fim de semana para si, caro Eduardo!

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