sábado, 14 de setembro de 2019

"Ma" em análise

O mais recente filme de Tate Taylor (realizador de filmes como As Serviçais e A Rapariga no Comboio) foi aquele que teve a honra de inaugurar mais uma edição do MOTELX na passada terça-feira – ainda que antes da própria sessão de abertura já tivesse sido exibido um outro filme. Ma, protagonizado por Octavia Spencer (com quem Taylor já tinha trabalhado), é uma espécie de filme de terror para adolescentes. 


A história apresenta-nos Sue Ann, uma mulher reservada, que, certo dia, conhece um grupo de amigos e sugere que estes passem a noite na cave da sua casa, onde podem beber álcool, fumar, etc, fazer tudo aquilo que quiserem. Por clara estupidez, o grupo de adolescentes super cool aceita e assim fica meio caminho feito para Sue Ann, também chamada de Ma, começar uma vingança já planeada há muitos anos. 

Algo que comecei a reparar logo desde início foi o facto de os protagonistas adolescentes serem todos extremamente irritantes, ao ponto de eu não me preocupar minimamente com nenhum deles, nem com a “santa” Maggie (que é quem assume um papel de protagonista dentro do grupo). Consequentemente, a parte final do filme não teve um mínimo impacto em mim, pois não me preocupei com o que lhes poderia vir a acontecer. Por outro lado, Ma tem um grande impacto na construção da narrativa, mas não sei até que ponto isso não será apenas devido à performance incrivelmente louca de Octavia Spencer, que foi capaz de se tornar numa mulher alegre, triste, sinistra, cómica e diabólica ao mesmo tempo. 


A narrativa dá-se em tempos alternados, contando com vários flashbacks do passado de Ma, que apenas acabam por nos levar a sentir uma certa empatia com ela – já que todas as personagens restantes são apenas aborrecidas. Durante a sessão do MOTELX em que vi o filme, houve inclusive pessoas a bater palmas cada vez que esta fazia alguma maldade. Sinceramente, eu não senti assim tanta vontade de a apoiar, mas até entendo. 

Infelizmente, a história do filme conduziu-me apenas a um desfecho que me pareceu pouco inovador e deixou-me absolutamente irritada por ir contra a premissa que tinha sido anunciada na sinopse do filme. Pareceu-me tudo demasiado juvenil… E acredito que para quem não esteja muito dentro do género até se torne engraçado, mas para mim resultou em algo apenas saturante e previsível.

5/10
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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