quinta-feira, 12 de setembro de 2019

"O Terramoto" em análise

Depois do tsunami, surge agora o terramoto. Em 2015, foi lançado o filme The Wave, realizado por Roar Uthaug, que nos apresentou Kristian (interpretado por Kristoffer Joner) e a sua família a tentar sobreviver. Agora, chega The Quake, a sequela, realizada por John Andreas Andersen, que esteve ontem presente na antestreia do filme no MOTELX


No seguimento das consequências do filme anterior, Kristian tornou-se num homem isolado e com um trauma, que tem noção de que a qualquer momento pode acontecer novamente uma desgraça na capital norueguesa. É depois da morte de um dos seus colegas que Kristian descobre que este tinha percebido algo que ainda estava longe de ser compreendido pelos responsáveis, que assumiam que vários tremores de terra eram apenas derivados de certos impactos provenientes do homem (como obras, por exemplo) e não de origem natural. No entanto, com a certeza de que algo vai acontecer, Kristian começa uma luta contra a natureza para salvar novamente a sua família. 

O filme inicia-se com um pacing lento que dura cerca de uma hora. Temos uma espécie de apresentação do que está a acontecer na vida de Kristian e vemos o modo como o tsunami o afetou, a ele e à sua família que vive afastada. Estes momentos iniciais são extremamente genuínos e humanos. Muitas vezes, nestes filmes do género “terror de catástrofe” não temos acesso ao lado humano das personagens e é como se estes recuperassem logo após os momentos de grande tensão. Aqui não. Vemos um homem traumatizado, que não se contenta apenas com o facto de ter conseguido salvar a sua família. 


A ação começa apenas a partir da primeira metade do filme, quando começamos a ter sinais reais da existência de um terramoto. É a partir daí que começamos a ter momentos que mal nos deixam respirar. E se deixam é apenas por breves instantes, pois é como se estivéssemos a viver o mesmo que os protagonistas: sentimos o pânico e a dor de todos eles, pois a construção das personagens foi feita ao longo de toda a primeira parte, levando-nos a sentir uma certa preocupação com cada um deles. 

Ao contrário de outros filmes que seguem esta fórmula, e recordo-me agora um pouco do 2012, a situação apresentada parece real. Não temos limusines a passar por dentro de prédios, por exemplo. Neste aspeto, é preciso enaltecer o excelente trabalho feito por parte dos atores, capazes de transmitir a dose certa de carga dramática em cada sequência (sem exageros). 


Uma das sequências com mais ação no filme decorre num cenário real que faz toda a diferença. O recurso a efeitos gerados em computador foi apenas em quantidade necessária (nas paisagens de destruição) e o facto de termos um cenário no qual tudo o que os atores fazem é real é notável no resultado. 

O Terramoto resulta num filme muito bom no género em que se insere. Penso que não é necessário ver o antecessor, pois este funciona muito bem por si só, sendo capaz de transmitir tudo aquilo que pretende e de deixar muito clara a sua mensagem.

8/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

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