quarta-feira, 25 de setembro de 2019

"Ousadas e Golpistas" em análise

Certamente já vos aconteceu dezenas de vezes irem ver um filme sem grandes expetativas, nomeadamente quando o tema não vai sequer de encontro aos vossos interesses no que toca à sétima arte. Ora, a primeira vez que ouvi falar de Ousadas e Golpistas (ou simplesmente Hustlers no nome original) não me despertou minimamente o interesse e, sendo honesta, achei que seria apenas um filme sobre mulheres strippers a tentar ganhar dinheiro de fomas desonestas – uma espécie de Magic Mike, talvez, mas com muito girl power pelo meio. No entanto, começaram a chegar de fora crítica muito positivas a elogiar não só a performance das protagonistas mas também o modo como a narrativa é apresentada. Assim sendo, coloquei os preconceitos de parte e fui ver este filme de mente aberta. 


Começamos por ser apresentados a Destiny (interpretada por Constance Wu), uma jovem rapariga que vê num club de striptease uma oportunidade excelente de conseguir ganhar dinheiro, mas que rapidamente percebe que não tem muito jeito para a coisa. Pelo menos até conhecer Ramona (Jennifer Lopez), uma autêntica profissional na área, capaz de levar os homens à loucura, mas sem que estes alguma vez lhe faltem ao respeito, sendo sempre ela a assumir o controlo sobre si mesma e conseguindo, assim, lucrar imenso todos os dias. Ao início começam por ser apenas colegas, mas rapidamente tornam-se numa dupla de dois furacões capazes de conquistar tudo aquilo que querem. 

Não posso negar o que é óbvio e que sei que pode não agradar a muita gente: existem muitas sequências no clube de striptease, mas a verdade é que o negócio fica-se por aí, sendo que nem sequer existem cenas de sexo pois o filme mostra precisamente que aquelas mulheres não precisam nem devem ir para além das danças e da exibição do corpo, sendo, deste modo, capaz de transmitir também uma ideia talvez um pouco oposta daquela que muitas pessoas relacionam a este género de espaços. Dito isto, é basicamente a partir daqui que começamos a ter um maior desenvolvimento de cada personagem, com pequenas luzes de tudo o que as rodeia e do modo como vivem. Neste aspeto, o filme ganha logo uns bons pontos, pois não se trata apenas de um grupo de strippers, mas sim de mulheres que têm vidas próprias e que apenas trabalham de um modo “justo” para se conseguirem sustentar. Temos vários momentos que são mesmo para destruir preconceitos por completo, apresentados em formato de metáforas muito explícitas. 


Penso que este é um daqueles casos em que grande parte do peso que pode conduzir a um bom ou mau resultado fica assente nos ombros das protagonistas. Jennifer Lopez e Constance Wu formam uma dupla talvez pouco previsível, mas que se complementa na perfeição com todas as diferenças que ambas apresentam, enquanto atrizes e também como personagens. Ora, se Jennifer apresenta, como sempre, uma energia inquietante, Constance é mais calma e mais assente na terra, pois a sua personagem não deixa de ser uma novata no clube, assim como ela também o é em filmes deste género. Depois temos ainda três personagens secundárias (interpretadas por Julia Stiles, Keke Palmer e Lili Reinhart) que também são interessantes e não deixam de ter um certo destaque. Do restante elenco há pouco a dizer, pois até mesmo Cardi B, cujo nome aparece em letras grandes nos cartazes do filme, aparece por apenas uns meros minutos, apenas para deixar algumas frases no ar que até têm a sua graça nos contextos em que se inserem. 

A construção do argumento foi claramente bem pensada, sem momentos que pareçam desnecessários ou mal encaixados. O plot é justificado e não apenas ríspido, pois é o resultado da união de diferentes fatores que são apresentados ao longo da trama. O modo como a narrativa é apresentada é também muito interessante, intercalando-se entre um momento de entrevista e as memórias do que realmente aconteceu. Se em alguns casos este estilo não é capaz de levar a um bom resultado, aqui mostra que foi realmente bem planeado, levando-nos a ficar cativados com tudo o que vai acontecendo e deixando-nos curiosos com as consequências finais. 


Para terminar, é também de referir algo interessante que foi a escolha da banda sonora. A trama passa-se em vários anos e a escolha das músicas foi feita de modo a levar-nos a viajar um pouco no tempo, trazendo de volta grandes hits que na altura foram moda. Na verdade, aqui até nos levam a pensar: mas já passou assim tanto tempo desde que esta música não parava de tocar nas rádios? E, aproveitando isso, o filme deu-se ainda ao luxo de ter um cameo engraçado. 

Se as expectativas eram poucas, a verdade é que no final fiquei muito satisfeita ao perceber que este não era só mais um filme cliché a tentar ter piada. Apresenta uma história (que é verídica) realmente bem estruturada e isso a juntar-se às maravilhosas performances das protagonistas leva a um filme realmente cativante.

8/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

7 comentários:

  1. É maravilhoso quando somos surpreendidos desta maneira. Já o vou adicionar à minha lista :)

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  2. Gostamos muito de ser surpreendidos pela positiva. E achamos que há um filme para cada momento. Este parece-nos muito bem para um sábado à tarde!

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    1. Sem dúvida! Eu vi às 10h da manhã e foi ótimo para despertar... 😛

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  3. Realmente estava como tu, mas depois do que dizes fico com vontade de ver! :)
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  4. Vi e parti-me a rir!!
    R: É verdade, eu quando acabei a licenciatura quis fazer um ano de pausa, mas ao mesmo tempo queria ir para mestrado, porque adoro aprender. Não entrei no que queria e vi isso como um sinal de primeiro ir trabalhar e juntar algum dinheiro, para depois tentar de novo xD Quem sabe, pode ser que 2020 seja o meu ano de sorte
    Beijocas

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