terça-feira, 24 de setembro de 2019

"Parasitas" em análise

Devo admitir que sou fã de Joon-ho Bong - considerando-o até um dos meus realizadores favoritos - desde que me lembro de ter autoridade completa para escolher um filme para se ver no clube de vídeo. Ainda me lembro perfeitamente, no último dia do ano de 2007 ir a correr para o Videorama atrás do meu prédio de propósito para alugar um pequeno filme indie chamado The Host – A Criatura. Porquê? Nem eu sei explicar, só sei que nem dez anos tinha, mas qualquer coisa ali me chamava a atenção. Talvez por gostar de Godzilla, que era o que muitos na altura diziam que este filme prestava homenagem e era bem eficiente nisso, mas como haveria eu de saber isso com aquela idade?


Adiante, sempre que vejo que este realizador vai lançar algum projeto novo, eu fico entusiasmado. E Parasitas não foi exceção nenhuma à regra, ao ponto de evitar qualquer tipo de leitura de sinopse ou visualização de clips e trailers relacionados com o filme, de maneira a ir de mente aberta. E, meu Deus, como compensou imenso essa experiência. 

Não me vou dar ao trabalho em explicar sobre do que o filme se trata sequer. Eu normalmente nem o faço nas análises pelo simples propósito de tentar deixar alguém intrigado e com interesse em ver o filme com a mínima informação possível, a não ser que seja mesmo necessário explicar alguma coisa específica (o que é raro). Posso dizer que este é dos melhores argumentos do ano, sem muita sombra de dúvida. O filme está muito bem estruturado, rico de personagens bem desenvolvidas – não logo de uma vez, de maneira a deixar algum interesse e tentar fazer com que seja o próprio expectador a chegar às respostas. Claro que, para quem conhece o trabalho de Bong, pode esperar-se aquelas pequenas pitadas de comédia que são sempre bem vindas, tal como calorosas até. E, assim dizendo, há também aqueles momentos suspensos (sem som e grande impacto) que este sempre usou brilhantemente, deixando o espectador em estado de choque. Isto é, claro, também bem utilizado graças ao ótimo trabalho de câmara aqui utilizado, onde cada frame tem o seu sentido, tal como cada momento do filme, e isso ajuda as duas horas de duração a passar como num relance. 


O elenco aqui também está excelente. Sente-se a intimidade e a relação entre cada um, como se fossem realmente uma família pela qual se pode torcer. Estes têm um enorme carisma e presença no ecrã, e são muito bem interpretados, sejam personagens principais ou secundárias, fazendo-nos sentir todo o tipo de emoção que é suposto recebermos destas figuras. 

Eu sei que ainda vamos em Setembro, mas acho que estou mais que certo quando digo que Parasite é o melhor filme do ano. Não seria a primeira pessoa a dizê-lo de qualquer das maneiras, visto que já há alguns meses atrás se dizia isso, e ainda se mantém. Muito dificilmente aparecerá um filme melhor que este até ao fim do ano, é um filme imperdível em todos os aspectos. E mais não digo, apressem-se para as salas de cinema, pois vale realmente o hype todo.

10/10
SOBRE O AUTOR

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

8 comentários:

  1. "Parasitas" bem divertidos,
    será um filme a não perder
    a comer pipocas entretidos
    na plateia até ao amanhecer!

    Tenha uma boa noite Diogo Correia. Um abraço.

    ResponderEliminar
  2. O cinema e a música sul-coreanos são muito populares por estas bandas.
    E a gastronomia também.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É sempre bom ver essa evolução por aqui... A não ser que seja k-pop, pois esse apareceu do nada e ainda não percebi bem porquê!
      Abraço!

      Eliminar
  3. Convenceste-me, irá para a minha lista :)
    Beijo
    https://danielasilvaoficial.blogspot.com/

    ResponderEliminar
  4. É O filme que quero ir ver aos cinemas.
    Mas onde vivo ainda não apareceu em cartaz.
    Estranho...
    Sei que estou numa cidade(zeca) mas... se passam os rambos e afins...
    Vou aguardar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O filme teve pouca distribuição fora de Lisboa e Porto, é um filme pequeno distribuído por uma distribuidora pequena... É normal acontecer, mas é pena, pois está aqui um filme mesmo excelente

      Eliminar